sexta-feira, 28 de julho de 2017

Obianuju Ekeocha: A Imposição do Aborto é o Neocolonialismo na África

Traduzido por: Jean A. G. S. Carvalho

(Catholic Herald / InfoCatólica) Obianuju Ekeocha, fundadora da Culture of Live Africa (Cultura da vida na África), um grupo pró-vida com base no Reino Unido, disse que as nações ricas que injetam dinheiro na promoção e no financiamento de abortos na África estão se comportando como os "antigos senhores coloniais ".


Os governos ocidentais estão "cuspindo na cara" da democracia africana, tentando forçar a legalização do aborto contra a vontade da maioria das pessoas do continente. É o que diz Obianuju Ekeocha, fundadora da Culture of Live Africa (Cultura da Vida na África). "Nenhum desses países africanos solicitou dinheiro para esse tipo de 'ajuda' ", disse ela ao CNS.

"Em todos os meus trabalhos com os países africanos, não conheci absolutamente ninguém que estivesse gritando: 'venha, ajudem-nos com nossa crise de abortos' ", disse Ekeocha, uma católica que tem dupla nacionalidade, britânica e nigeriana. "Mas muitos países ocidentais, no espírito dessa supremacia cultural, ainda estão tentando impor o aborto dessa maneira".

Suas opiniões foram apoiadas pelo Dr. Anthony Cole, presidente da Aliança de Ética Médica, um grupo que reúne organizações médicas britânicas que defendem práticas medicinais que respeitam o juramento de Hipócrates (que condena o aborto).

"O que as mulheres e seus bebês realmente precisam é de uma obstetrícia mais seguraa, especialmente nos países em desenvolvimento", disse Cole em um e-mail enviado à CNS. "O pedido constante por mais contraceptivos e, se estes não são usados, pela prática de abortos, não contribui significativamente para a prestação de cuidados seguros durante a gravidez e o parto. A necessidade real, no mundo inteiro, é de parteiras formadas com o apoio de outras parteiras e obstetras", disse ele.

Ekeocha, cientista biomédica que desde 2006 mora em Worcester, na Inglaterra, disse que alguns africanos estão usando fundos ocidentais "para subornar políticos."

O aborto "é contra a vontade do povo", disse ela. "As pesquisas mostram que a maioria esmagadora dos africanos odeia o aborto, tanto as mulheres quanto os homens. Ignorar a vontade do povo é cuspir no tipo de democracia que se supõe dever existir nos países africanos", disse ela.

Ekeocha criticou o governo britânico por organizar uma cúpula de planejamento familiar internacional em Londres, juntamente com a Fundação Bill & Melinda Gates e o Fundo de População dos Estados Unidos.

O Departamento para o Desenvolvimento Internacional disse que a cúpula no Reino Unido, realizada no dia 11 de julho, visa reforçar o compromisso global para "assegurar que as mulheres e as meninas tenham acesso a serviços de planejamento familiar."

Priti Patel, secretário de Estado para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, anunciou em 11 de julho que a Grã-Bretanha iria aumentar em $1.4 bilhão de dólares, nos próximos cinco anos, os gastos com serviços de planejamento familiar no exterior, incluindo o "aborto seguro".

Melinda Gates disse à cúpula que o controle da natalidade dá "poder às mulheres" e que ela estava "profundamente preocupada" com a decisão do presidente estadunidense Donald Trump de retirar fundos para o planejamento familiar no exterior.

O Canadá aumentou os gastos para $650 milhões de dólares, numa tentativa de compensar parcialmente a perda anual de $600 milhões de dólares em recursos dos EUA para financiar o aborto.

Chrystia Freeland, ministra do exterior canadense, recebeu críticas dos bispos canadenses por ter equiparado os direitos das mulheres ao direito ao aborto, e por também ter afirmado que estes direitos "estão no centro da política externa canadense."

Ekeocha disse ao CNS que, desde que Trump retirou fundos dos Estados Unidos para financiar o aborto internacionalmente, o Canadá tem estado na vanguarda da exportação de abortos no exterior. "O Canadá tem tomado esta posição como o mestre colonial número 1 do mundo", disse ela.

"Eles têm que se voltar para o atendimento integral da pessoa, onde os africanos não sejam vistos como pessoas que podem ser colonizadas culturalmente, sobre as quais se deva impor novas visões e valores, mas sim como pessoas que têm seus próprios pontos de vista e valores. O que os africanos querem, mais do que qualquer coisa, é que as mulheres possam dar à luz com segurança; em muitos desses países, não podemos nem mesmo contar com os cuidados mais básicos de saúde ", concluiu ela.


Postado originalmente em: InfoCatólica 


 
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