segunda-feira, 22 de maio de 2017

O setor militar pode criar milhões de empregos no Brasil - e literalmente solucionar a crise

Por: Jean A. G. S. Carvalho




Como um setor praticamente ignorado pode ser uma das soluções para a crise econômica brasileira

Um dos ramos essencialmente ignorados no Brasil é o setor militar. Tanto por uma subserviência da Direita, cuja aspiração máxima para o Brasil é servir como um protetorado ou entreposto dos Estados Unidos, seja pela marginalização cultural e intelectual que a Esquerda tem feito nas últimas décadas, talvez por reação ao golpe de 1964, tratando qualquer traço de militarismo ou investimento militar como um "novo fomento à ditadura". Assim, desejando uma proteção estadunidense ou temendo um novo regime militar, Direita e Esquerda têm agido como sabotadores históricos dum maior reforço no setor.

Uma das ações mais consistentes para superar um contexto de crise é o investimento ativo no setor produtivo, infraestrutura e indústria. Geração de empregos em setores com alta demanda e que, em médio e longo prazo, ampliam os horizontes econômicos do país. O setor militar oferece uma ampla gama para gerar esses empregos, por vários fatores. 

Dentre esses fatores estão as condições geográficas: o Brasil é um país continental (o 5º maior do mundo em extensão territorial, com 8.511.965 km²), possui uma faixa costeira imensa (7.491km de extensão, que se amplia para 9.200km se as saliências e reentrâncias litorâneas forem levadas em consideração), faz fronteira com  10 países (Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, num total de 15.179 km de fronteiras) - enfim, um país imenso. 

E essa imensidão exige uma capacidade de defesa imensa. Isso significa que a força militar brasileira deve ser essencialmente proporcional às dimensões territoriais do país. Uma vastidão territorial exige um forte Exército, uma faixa costeira imensa e inúmeros rios exigem uma Marinha potente e a amplidão do espaço aéreo requer uma Aeronáutica em plena capacidade de operação.

O Brasil possui imensas riquezas naturais: reservas consideráveis de minérios[1], as maiores reservas de água potável do mundo[2], biodiversidade incomensurável[3] e inúmeros outros potenciais. Isso significa que dispomos de recurso essenciais, cuja natureza limitada os torna ainda mais valiosos com o passar do tempo. As defesas devem estar à altura daquilo que precisa ser resguardado. Os interesses estratégicos do Brasil nesses termos dependem também de sua capacidade militar.

Há uma grande demanda por armamentos, veículos, aeronaves, embarcações,  tecnologia e equipamentos militares em geral - o Brasil tem os potenciais, como a EMBRAER[4] e a IMBEL[5], mas faltam incentivos mais robustos nesses setores. Em termos militares, o Brasil ainda depende muito de aparatos estrangeiros. Força militar também significa autonomia tecnológica. Milhares de empregos podem ser criados em indústrias de fabricação dos mais diversos equipamentos e instrumentos de uso militar.

Temos a vantagem de que o Brasil é um país considerado pacífico no cenário internacional, o que pode permitir um desenvolvimento militar sem constrangimentos ou indisposições com a comunidade dos países.

Setores de infraestrutura (construção de estradas, portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, pontes, etc.), nos quais as Forças Armadas têm desempenhado projetos com excelente execução e rapidez, também podem gerar centenas de milhares de empregos. Somando toda a demanda industrial, tecnológica e mesmo na área de serviços (inteligência militar, suporte técnico, manutenção, gerenciamento, pesquisa, etc.), não é exagero dizer que milhões de postos de trabalho podem ser criados num setor que não se restringe aos militares, mas que pode muito bem capacitar e englobar mão de obra civil, desde tarefas de simples execução quanto atividades mais complexas. 

Investir no setor militar exige investir também em educação (o ITA é um exemplo), infraestrutura, agricultura, projetos ambientais e inúmeros outros setores. As áreas essencialmente militares devem ser vistas como um ponto estratégico para o Brasil, gerador de riquezas, emprego e renda, e uma resposta a problemas atuais que, caso o quadro atual de negligência para com o setor seja mantido, serão imensamente agravados.

A marginalização das Forças Armadas por questões ideológicas ou mesmo pseudo-econômicas (a retórica de "austeridade" e de "necessidade de cortes em gastos governamentais") só beneficia aqueles que lucram com a crise e que desejam manter o quadro atual, não superá-lo. Retomar o processo de crescimento econômico do Brasil pode levar anos (ou mesmo décadas), mas não precisa ser assim: investir na indústria militar é um dos "atalhos" que podemos percorrer com tranquilidade.

Obviamente, isso exige desafiar toda uma lógica financista global e setores tradicionais para os quais um Brasil entravado e submisso é bastante interessante - e para os quais sua soberania e reforço é um "erro" a ser evitado ou corrigido.

Já temos bons exemplos em funcionamento. O que precisa (e deve) ser feito é aprimorar os bons exemplos em curso (como o Tucano e o blindado Guarani) e criar outras iniciativas baseadas naquilo que deu certo. Não é uma tarefa difícil se houver o interesse e os investimentos adequados.



Notas:

[1] O Brasil é considerado uma das maiores reservas de minérios do mundo, com apenas 30% de suas áreas mapeadas geologicamente. Isso significa que dispomos de mais riquezas minerais do que imaginamos, superando os números atualmente disponíveis. Fonte: "Mapping mineral deposits and mining around the globe".

[2] As reservas brasileiras de água doce correspondem de 12% a 16% do total mundial - quase o dobro das reservas da Rússia, o segundo maior país no ranking, depois do Brasil.

[3] O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, com mais de 103.870 espécies animais e 43.020 espécies vegetais catalogadas.

[4] A EMBRAER S.A. é um conglomerado transacional brasileiro que se dedica à fabricação de aviões executivos, comerciais, militares e agrícolas. Sediada na cidade de São José dos Campos, possui diversas unidades no Brasil e em outros países, incluindo China e Portugal. É a 4ª maior empresa do ramo no mundo e um referencial em tecnologia, dinamismo e qualidade.

[5] A IMBEL (Indústria de Material Bélico do Brasil) é uma empresa pública com personalidade jurídica de direito privado, vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando do Exército, criada em 14 de julho de 1975, por meio da lei nº 6.227. Sua função primordial é a criação de armamentos e equipamentos militares para as Forças Armadas do Brasil. Fabricam pistolas, fuzis, carabinas, facas, munições, pólvora e explosivos, equipamentos de comunicação e inúmeros outros itens.

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Um comentário:

  1. Excelente! Com a demanda altissima por segurança, o desenvolvimento da indústria bélica nacional atuaria em duas frentes. Texto perspicaz e muito importante. Parabéns!

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