quinta-feira, 16 de março de 2017

Afinal, nós somos eurasianistas?

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Muitos de nossos leitores já nos perguntaram se nós somos eurasianistas. Como essa é uma dúvida recorrente, é bastante produtivo respondê-la da melhor forma possível, de modo que nenhuma desinformação seja levada em conta, nem nenhum engano sobre quem nós somos e o que defendemos.

Antes de falar sobre o Eurasianismo, temos de definir a Quarta Teoria Política, que é o espectro teórico no qual nós nos inserimos. A Quarta Teoria Política é confundida com ideologia, quando, na verdade, trata-se de uma metateoria (ou seja, uma teoria, um conjunto de elementos ontológicos que lida com as ideias e com a construção de linhas de pensamento, ideologias e filosofias); isso significa que a Quarta Teoria é uma "ferramenta", e não um "produto pronto": com ela construímos nossos principais pontos e ideais. Dela tiramos, por exemplo, as noções de antiliberalismo, multipolaridade, tradicionalismo e antiglobalismo. 

O Eurasianismo é um projeto geopolítico essencialmente russo, bastante influenciado pelos ideais de Konstantin Leontyev, e, a partir de 1920, desenvolvido por vários outros ideólogos. Alexander Dugin fez novas análises no pensamento eurasiano, defendendo a reintegração do espaço pós-soviético e a construção da "Grande Rússia", numa união de "Lisboa a Vladivostok". A Quarta Teoria de Dugin é a estrutura na qual o Eurasianismo está contido.

Entretanto, a Quarta Teoria não se resume ao Eurasianismo. Há várias outras estruturas que se encaixam ou ao menos possuem semelhanças com a QTP, como o projeto Pan-Europeu de Jean Thiriart e de Alain Benoist, o projeto Pan-Arábico (Baathista) e, em nosso caso, o Meridionalismo criado pelo prof. André Martin.

Assim sendo, nós nos assumimos como apoiadores da Quarta Teoria e do Eurasianismo como polos que desafiam a unipolaridade e a hegemonia global, mas não somos eurasianistas/eurasianos; nosso objetivo central é firmar o Brasil como um agente no mundo multipolar, uma potência continental, regional, com projeção global. Por isso mesmo, defendemos o Meridionalismo como modelo geopolítico para o Brasil.

Assim como o Eurasianismo prega que a Rússia deve se fortalecer como agente na Europa e Ásia (Euro + Ásia = Eurásia), o Meridionalismo defende que o Brasil deve ser a potência do Eixo-Sul, dos Meridianos. O Eurasianismo é uma escola geopolítica para a Rússia; o Meridionalismo é uma escola geopolítica para o Brasil. Se somos brasileiros e nos preocupamos primeiramente com as questões do Brasil, então é bastante óbvio que sejamos meridionalistas, e não eurasianistas.

Todas essas doutrinas se encaixam na QTP: enfraquecem o modelo unipolar, geram vários centros de influência (ao invés da concentração em um só, os EUA) e se pautam na preservação étnico-cultural, em oposição ao uniformismo liberal.  


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