quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A beleza feminina e a tensão sexual como ímpeto ao homem

Por: Jean A. G. S. Carvalho





No plano material, nada contém tanta beleza quanto as mulheres. Essa beleza serve, para os homens, como um "gatilho", um meio de instigar a atração sexual cuja finalidade máxima é a procriação. Uma beleza que custou uma das costelas de Adão. Entretanto, diferentemente de outros animais, damos outros significados ao sexo. O erotismo trabalha desejos que não são necessariamente condicionados à procriação (embora, mesmo que inconscientemente, essa função sempre se faça presente): o prazer sexual, a realização dos desejos e a própria construção de idealizações são alguns desses elementos. 

A interação entre homem e mulher gera uma "tensão sexual", ou seja, a tensão corporal e psicológica causada pelo desejo inconsciente de procriar e o desejo consciente de dar vazão à atividade sexual e a realização de fato desse desejo. É o "entre", que ocorre depois da interação inicial e antes do sexo de fato. Essa tensão cria, no homem, impulsos e vontades que o levam a se engajar em atividades não ligadas diretamente ao sexo, mas que lhe garantem um grande "potencial" para a sexualidade.

A mulher torna-se, para o homem, inteiramente desejável: rosto, seios, quadris, vagina, mãos, pés, olhos, cabelos, nariz, costas, ombros, coxas, braços, enfim, todo o corpo feminino torna-se um chamado à procriação. Mas, como já explicitado, não damos ao sexo a mera significação de "atividade reprodutora". O romantismo, o flerte, as idealizações, os desejos, a arte em torno da estética feminina e até mesmo a protelação no sexo (instigar o desejo para adiar sua realização) são formas que encontramos de tornar o sexo em algo mais do que simples sexo.

Fosse o sexo uma mera atividade instintiva, o consentimento seria desnecessário, por exemplo. E a maior parte das culturas trata o sexo não consensual como crime (o estupro), o que é de fato. É preciso que a mulher queira, deseje e permita ser fecundada, que permita ser sexualmente descoberta.  O sexo consentido, duplamente desejado, aumenta o prazer tanto para o homem quanto para a mulher. O prazer no sexo não consentido é uma profanação, em si mesmo, da sacralidade da beleza feminina e da própria atividade sexual.

Mulheres são a máxima inspiração aos homens, em suas mais gloriosas ações. Grandes impérios, reinos, monumentos inteiros (como o célebre Taj Mahal), obras de arte (esculturas, pinturas, músicas, filmes, poesias, etc.) e mesmo descobertas tecnológicas foram e são feitos porque os homens possuem como ímpeto a beleza feminina. Aqui, lidamos não com um mero "gatilho sexual", mas com uma tensão sexual que fomenta, no homem, comportamentos produtivos quando bem ajustada; é no afã de parecer grande aos olhos da(s) mulher(es) amada(s) que os homens realizam seus principais feitos - e, embora a estrogenização seja crescente no homem, isso ainda é uma realidade.

É bem claro que o homem não faz exatamente tudo porque deseja conseguir a atenção feminina para o sexo, mas essa é, direta ou indiretamente, a maior motivação para suas obras. A realização profissional e financeira (e mesmo intelectual), o aprimoramento físico (em suas variadas formas) e o status (que não é restrito ao dinheiro ou posição social) são meios com os quais o homem consegue, para si, um "capital de atratividade" para usar frente às mulheres. E, numa sociedade que se estrutura em torno da monogamia, o homem escolhe para si (ou deveria escolher) a mulher que mais lhe provoca esse ímpeto.

Essa vontade, entretanto, deturpada numa sociedade de consumo e saciada não pela interação saudável com o sexo oposto, mas com o vício na pornografia e em todo o tipo de obscenidade, torna-se um problema para o homem: incapaz de conseguir esse "capital de atratividade" e de saciar suas necessidades sexuais, torna-se reprimido, inseguro ou, no extremo oposto, o arquétipo do "cafajeste", aquele que à qualquer custo busca saciar suas vontades sexuais (inclusive contra a vontade das mulheres) das piores formas possíveis.

Em todas as sociedades tradicionais, há o direcionamento desse gatilho sexual e desse ímpeto provocado pelas mulheres para um rumo positivo: o homem deveria ser um bom guerreiro, um exímio caçador e um excelente provedor. E, em termos comparativos, esse "capital" estava mais "acessível" (embora sempre houvessem hierarquias e degraus sociais) do que está hoje. Nem todos os jovens eram excelentes guerreiros ou os melhores caçadores, donos de imensos rebanhos ou chefes de tribos, mas todos eles tinham a oportunidade de ao menos garantir algum "capital de atratividade" para conseguir uma ou mais esposas e, assim, procriar. E procriar era sinal de força, de contribuição com a tribo (como diz Brett Mckay) - enquanto que, hoje, ter filhos é sinal de "baixa escolaridade" ou de "atraso".

Hoje, as chances de se tornar um executivo bem-sucedido ou um magnata são menores do que as que nossos ancestrais tinham em se tornar grandes caçadores e guerreiros. Construir um patrimônio, naquela época, significa ter riquezas reais tangíveis (embora honra, força e coragem não sejam atributos essencialmente materiais); hoje, esse "capital" é essencialmente imaterial, inatingível e fictício: status vazio, aparências, superficialidade e especulação. Um caçador, mesmo que pobre, era tão atraente às mulheres quanto um monarca (ou, ao menos, tinha chances de procriar antes de morrer).

Com o "capital de atratividade" cada vez mais atrelado ao dinheiro e ao status econômico e um padrão de vida inalcançável para a maioria dos homens, o resultado é que a maioria esmagadora deles têm um poder de atração nulo ou baixíssimo. Soma-se a isso o fato de que a maioria deles não aperfeiçoam atributos como intelecto, honra, coragem, força, sabedoria, entre outras coisas que, mesmo na sociedade materialista atual, fazem parte desse "capital de atratividade" (já que a segurança que as mulheres buscam não é exclusivamente material). Lembre-se que elas também querem segurança emocional, maturidade e solidez (ao menos aquelas que sabem o que é um homem e que atributos se deve esperar de um).

Assim, tanto no sentido mais palpável (riqueza, poder, status) quanto no sentido imaterial (honra, coragem, inteligência, sabedoria, etc.), a maioria dos homens não conseguem meios para transformar a ativação dos instintos pela beleza feminina e pela tensão sexual criada como resultante disso em atividade sexual de fato, relacionamentos afetivos saudáveis e viabilidade de procriação (viabilidade, aqui, deve ser toda a estrutura para se ter filho ou filhos, e não o simples ato de engravidar uma mulher).

Recorre-se, assim, à pornografia ou às relações improdutivas. Como o sexo não é atingido de maneira adequada e satisfatória, ele retorna ao estágio primitivo ou animalesco: apenas sexo, uma das várias necessidades fisiológicas a serem supridas (como a sede, a fome, a vontade de defecar e urinar, etc.).

A tensão sexual entre homem e mulher sexualmente maduros e saudáveis deve, naturalmente, motivar o homem e criar um ímpeto criativo nele. Qualquer reação contrária (desconforto, timidez, insegurança, baixa estima ou falta de confiança) deve ser invariavelmente resolvida, já que não é aquilo que se espera de uma motivação natural para a procriação. Basta observar o comportamento dos animais (sem, é claro, nos reduzirmos a ele): quando os machos observam uma fêmea em condições de acasalamento, eles não ficam envergonhados, tímidos ou inibidos. Eles se enchem de vigor, força e lutam uns com os outros, até que o vencedor consiga procriar. E mesmo os derrotados, na época de acasalamento posterior, voltam a tentar, lutar: eles querem conseguir. 

Eles precisam conseguir. Não há tempo para dilemas, reflexões ou considerações emocionais. Ou eles conseguem, ou não vão ampliar a própria raiz genética. Eles não entram em fóruns online para lamentar que as fêmeas escolheram outros machos mais fortes, melhores e com mais status, eles se preparam para a próxima chamada. E em grande parte das espécies, os machos são até mesmo fisicamente mais belos do que as fêmeas. Se seres visualmente inferiores motivam isso em animais, o que as mulheres não são capazes de motivar em nós! A mulher amada tem em si uma força maior do que a de mil correntezas.

A relação entre humanos é, obviamente, muito mais complexa do que as relações entre os animais. Mas nós compartilhamos com eles muitos dos nossos instintos. E o instinto de procriação é um deles. Poesias, romances, serenatas, dinheiro, status intelectual são, para o homem, aquilo que os objetos azulados são para os pássaros-pavilhão e as penas para o pavão macho: instrumentos para chamar a atenção das mulheres, para acasalar com elas. É isso o que os homens fazem e é esse o seu instinto mais profundo.

E, como não somos reduzidos aos instintos, damos vários significados e importâncias ao sexo para além da motivação carnal: desde a sacralidade religiosa até o erotismo. O corpo de uma bela mulher inspira, no homem, aquilo que nada mais é capaz de inspirar. Transformar essa tensão sexual numa motivação positiva é a chave para a construção de uma masculinidade saudável não só no campo físico, mas também emotivo e espiritual.

Grande parte do feminismo consiste, atualmente, em demonizar essa interação sexual e a capacidade ativa da mulher de causar no homem esse gatilho de procriação, como se isso reduzisse a mulher à condição de "objeto sexual". É essa rejeição do biológico e do instintivo (e até mesmo do erótico), atrelada, ironicamente, ao incentivo da redução de todos os aspectos sociais à sexualidade, uma das grandes responsáveis pela incapacidade da mulher moderna de lidar com muitas dessas questões e que, por consequência (principalmente buscando a "quebra de tabus"), cria nos homens a visão de que as mulheres serem apenas para isso: para o sexo.

Em termos simples: o feminismo, pensando combater a objetificação da mulher (principalmente rejeitando a maternidade e a natureza sadia da tensão sexual entre homens e mulheres), apenas acabou por promovê-la. Com a Revolução Sexual e a cultura da "independência feminina", os homens passaram a obter sexo de forma mais fácil e com maior oferta - e, de quebra, sem as obrigações e laços sociais que formavam pré-requisito para o engajamento com uma mulher. Se as obrigações diminuíram e a oferta aumentou, toda a necessidade de ampliar o significado do sexo foi perdida. E, por isso mesmo, a mulher voltou a ser exatamente um objeto sexual (de preferência comercializável em revistas, sites pornográficos, comerciais de televisão, etc.).


Compreender as naturezas biológicas feminina e masculina e a importância da beleza da mulher como gatilho de incentivo ao homem significa, ao contrário duma objetificação rasteira do elemento feminino e da redução de tudo ao sexo, uma superação dos sentidos meramente mecânicos e fisiológicos da atividade sexual, garantindo que essa atividade seja mais do que aquilo que ela é (em termos de instinto) e aprimorando as interações entre homem e mulher, as artes em torno da sexualidade e a valorização dos feitos do homem e dos sentimentos envolvidos nas interações entre ele e a mulher amada.

A compreensão do sexo sem a rejeição de seus princípios naturais é essencial para que a atividade sexual não se torne um produto comercializável e que a beleza feminina desperte não só o desejo sexual, mas o impulso criativo produtivo que se estabelece em torno dessa tensão.


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