domingo, 15 de janeiro de 2017

Julius Evola e a Queda da Mulher Absoluta

Traduzido por: Jean A. G. S. Carvalho



A queda da mulher absoluta nunca foi tão evidente quanto nas manifestações atuais e nos padrões tão baixos da modernidade. Aqui estão alguns excertos selecionados das reflexões proféticas de Julius Evola sobre o processo corrente de defeminização e da inversão de gênero por meio de uma doutrina implantada sistematicamente e apoiada por uma rede institucional inteira - e também por propaganda.

Nascido Giulio Cesare Evola  numa família nobre da Sicília, em 19 de maio de 1898, o Barão Julius Evola assumiu muitos papéis durante sua longa e produtiva vida. Ele serviu na Primeira Guerra Mundial como um oficial de artilharia, depois tornou-se um dos principais dadaístas da Itália. Pouco depois de se envolver em movimentos vanguardistas e futuristas, tornou-se um ocultista e embarcou numa carreira de trabalho maduro. Após a Primeira Guerra Mundial, ele teve breves experiências com drogas alucinógenas e com tantra; porém, mais tarde, renunciou a estas duas formas de estímulo.

Durante o início da década de 1920, publicou por meio do Grupo-UR, uma sociedade fascista oculta na Itália. Apesar de ser muitas vezes crítico do regime, Evola não sofreu muito com os fascistas de Mussolini. Durante a Segunda Guerra Mundial, Evola se voluntariou com o esforço de guerra alemão como um tradutor de documentos maçônicos. Ele foi ferido durante um bombardeio russo e confinado a uma cadeira de rodas para o resto de sua vida. Após a guerra, ele continuou a escrever e publicar, sendo preso em 1951 por "promoção do fascismo". Ele morreu em 11 de junho de 1974.

A queda da mulher advém da queda do homem

"Numa sociedade que não entende mais a figura do asceta e do guerreiro; em que as mãos dos mais recentes aristocratas parecem ser mais adequadas para segurar raquetes de tênis ou shakers para misturas de coquetéis do que espadas ou cetros; em que o arquétipo do homem viril é representado por um boxeador ou por uma estrela de cinema, se não pelo covarde opaco representado pelo intelectual, pelo professor universitário, pelo fantoche narcisista do artista ou pelo banqueiro ocupado e sujo, ou o político - em tal sociedade, seria apenas questão de tempo até que as mulheres se levantassem e reivindicassem uma "personalidade" e uma "liberdade" de acordo com o significado anarquista e individualista geralmente associado a essas palavras. E enquanto a ética tradicional pedia aos homens e às mulheres para serem eles mesmos ao máximo de suas capacidades, e que expressassem com traços radicais suas próprias características de gênero - a nova "civilização" visa nivelar tudo, já que é orientada para o disforme e para o estágio que não está além, mas sim desse lado do individualismo e da diferenciação dos sexos ".

Igualitarismo em lugar do absoluto 

"O que realmente equivale a uma abdicação foi assim reivindicado como sendo um "passo em frente". Depois de séculos de "escravidão", a mulher queria ser "ela mesma" e fazer o que quisesse. Mas o assim chamado feminismo não conseguiu conceber uma personalidade para as mulheres senão imitando a personalidade masculina, de modo que as "reivindicações" da mulher escondem uma falta fundamental de confiança em si mesmas, assim como a sua incapacidade de ser e de funcionar como um mulher real e não como um homem.

Devido a tal incompreensão, a mulher moderna considerou seu papel tradicional como sendo humilhante e se ofendeu ao ser tratada "apenas como uma mulher".
Este foi o começo de uma vocação errada. Por isso, ela queria vingar-se, recuperar sua "dignidade", provar seu "verdadeiro valor" e competir com os homens no mundo dos homens. Mas o homem que ela se propôs derrotar não é de todo um homem de verdade, apenas o fantoche de uma sociedade padronizada e racionalizada que não conhece mais nada que seja verdadeiramente diferenciado e qualitativo.

Nessa civilização, obviamente, não há espaço para privilégios legítimos e, portanto, mulheres que são incapazes e não querem reconhecer sua vocação tradicional natural nem defendê-la (mesmo no plano mais baixo possível, uma vez que nenhuma mulher sexualmente realizada sente a necessidade
de imitar e invejar o homem) poderia facilmente demonstrar que eles também possuem virtualmente as mesmas faculdades e talentos - tanto materiais como intelectuais - que se encontram no outro sexo e que, de modo geral, são exigidos e estimados numa sociedade do tipo moderno . O homem, por sua vez, deixou irresponsavelmente isso acontecer e até ajudou e empurrou mulheres para as ruas, escritórios, escolas e fábricas, em todos os pontos encruzilhados e "poluídos" da cultura e da sociedade modernas. Assim, o último impulso de nivelamento foi dado".

"E onde a emasculação espiritual do homem moderno materialista não restabeleceu tacitamente a primazia (tipicamente encontrada em comunidades ginecocráticas antigas) da mulher como hetaera, governando os homens escravizados por seus sentidos e a seu serviço, os resultados foram a degeneração do feminino mesmo em suas características somáticas, a atrofia de suas possibilidades naturais, a supressão de sua vida interior única. Daí advém os tipos de mulher-garconne e a mulher superficial e vaidosa, incapazes de qualquer coisa para além de si mesmas, totalmente inadequadas quanto à sensualidade e a pecaminosidade; porque, para a mulher moderna, as possibilidades do amor físico muitas vezes não são tão interessantes quanto o culto narcisista de seu próprio corpo, ou como sendo visto com tantas ou tão poucas roupas quanto possível, ou praticando treinamento físico, dançando, praticando esportes, perseguindo riqueza, e assim por diante.  

A Europa sabia muito pouco sobre a pureza da oferta e sobre a fidelidade daquele que dá tudo sem pedir nada em troca, ou sobre um amor suficientemente forte para não ser exclusivista. Além de uma fidelidade puramente conformista e burguesa, o amor que a Europa celebrou é o amor que não tolera a falta de compromisso da outra pessoa. Agora, quando uma mulher, antes de se consagrar a um homem, finge pertencer a seu corpo e alma, não só já "humanizou" e empobreceu sua oferta, mas -pior ainda - começou a trair a pura essência da feminilidade para tomar emprestadas características típicas da natureza masculina - e possivelmente a mais baixa delas: o anseio de possuir e reivindicações leves sobre outra pessoa e o orgulho do ego.  

Depois disso, tudo o mais veio a cair num só ímpeto, seguindo a lei da aceleração. Eventualmente, por causa do egocentrismo aumentado da mulher, os homens não estarão mais interessados ​​nela; ela só vai se preocupar com o que eles serão capazes de oferecer para satisfazer o seu prazer ou sua vaidade. No final, ela até incorrerá em formas de corrupção que costumam acompanhar a superficialidade, ou seja, um estilo de vida prático e superficial de tipo masculino que perverteu sua natureza e a jogou no mesmo poço masculino de trabalho, lucros, atividade frenética e política.
O mesmo vale para os resultados da "emancipação" ocidental das mulheres, que está a caminho de infectar o resto do mundo mais rapidamente do que uma praga. A mulher tradicional ou a mulher absoluta, ao dar-se a si mesma, em viver para outra, em querer ser apenas para outro ser com simplicidade e pureza, cumpria-se, pertencia a si mesma, mostrava seu próprio heroísmo e até se tornava superior aos homens comuns. A mulher moderna, querendo existir apenas para si mesma, se destruiu. A "personalidade" que ela tanto anseia está matando toda aparência de personalidade feminina nela".

O caráter masculino da responsabilidade

"Depois de expor a decadência da mulher moderna, não devemos esquecer que o homem é o maior responsável por tal decadência. Assim como as massas plebeias nunca teriam conseguido penetrar em todos os domínios da vida social e da civilização se verdadeiros reis e verdadeiros aristocratas estivessem no poder, numa sociedade dirigida por homens de verdade a mulher nunca teria teria desejado ou nem mesmo teria sido capaz de tomar o caminho que ela está seguindo hoje. 

Os períodos em que as mulheres alcançaram autonomia e preeminência quase sempre coincidem com épocas marcadas pela decadência manifesta nas civilizações antigas. Assim, a melhor e mais autêntica reação contra o feminismo e contra qualquer outra aberração feminina não deve ser dirigida às mulheres como tal, mas aos homens. Não se deve esperar que as mulheres retornem ao que realmente são e, assim, restabelecer as condições internas e externas necessárias para a reinterpretação de uma raça superior, quando os homens reterem apenas a aparência de verdadeira virilidade ".


- Julius Evola, Revolta Contra o Mundo Moderno; capítulos: Homem e Mulher e O Declínio das Raças Superiores.
 

Originalmente postado em: The Warden Post


Nota: os subtítulos foram adicionados pelo tradutor.
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