sábado, 30 de julho de 2016

José Primo de Rivera: Fundamentos Intelectuais

Excertos de textos e discurso de José Antonio Primo de Rivera

Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho e Léia Guimarães S. Carvalho



Fundamentos Intelectuais

I. “Conforme permanecemos adiante desta rocha em nossa estrada, com nossas faces voltadas para a História, uma linguagem e uma atitude concisamente estritas são exigidas de nós” (Discurso em Madri, 19 de Maio de 1935) 

II. “[...] O Bem e a Verdade são categorias permanentes da correta razão, e discernir se algo é correto não é o suficiente para inquirir o rei – cuja vontade, aos olhos dos partidários da monarquia absoluta, sempre foi justa -, nem é suficiente para inquirir do povo – cujo desejo, aos olhos dos seguidores de Rousseau, sempre está correto -; mas, a cada instante, nós devemos enxergar se nossos atos estão de acordo com um objetivo e com um objeto permanentes” (Discurso no Parlamento, 19 de Dezembro de 1933)

III. “[...] é possível obter entusiasmo e amor por meio da inteligência” (Discurso no Parlamento, 3 de Julho de 1934)

IV. “O coração têm suas razões, as quais a razão não compreende. Mas a inteligência também tem sua própria maneira de amar, em relação a qual, talvez, o coração esteja desatento” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

V. “A interpretação de leis sem paixão é sempre mais segura do que a compreensão individual, assim como a balança pesa com mais precisão do que nossas mãos” (Aula sobre Lei e Políticas, 11 de Novembro de 1935)

A concepção do homem

I.  “Nós tomamos o indivíduo como a unidade fundamental, pois esse é o sentimento da Espanha, que sempre teve o homem como o portador dos valores eternos”(A Espanha e o Barbarismo, Valladolid, 03 de Março de 1935)

II. “[...] a liberdade do homem só é respeitada quando ele é considerado - assim como nós o consideramos - como o portador de valores eternos; quando ele é considerado como o envelope corpóreo de uma alma capaz da danação e da salvação. Só quando ele é considerado assim, então, se pode dizer que sua liberdade é verdadeiramente respeitada” (Discurso em Madri, 29 de Outubro de 1933)

III. “O Indivíduo carrega a mesma relação para com a Pessoa que o Povo carrega a relação para com a Sociedade Política” (Discurso em Madri, 29 de Outubro de 1933)

IV. “Ninguém é ‘um’, exceto no ponto onde possam existir os ‘outros’. O que nos torna pessoas não é nosso equipamento físico individual, mas sim a existência de outros que, também sendo ‘pessoas’, são diferenciados de nós” (Falange Espanhola, 7 de Dezembro de 1933)

V. “[...] a verdadeira realidade jurídica é a ‘pessoa’; ou seja, o indivíduo, tomado não de seu próprio ponto de vista como uma realidade vivente, mas como um portador ativo ou passivo das relações sociais que são governadas pela Lei, como alguém capaz de realizar demandas, de ser coagido, atacando e transgredindo” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

VI. “Alguém só pode ser uma ‘pessoa’ enquanto houver alguém para ser o ‘outro’; ou seja, um contra outros, um credor potencial ou um devedor em relação aos outros, um possuidor de posições que não são aquelas dos outros. A personalidade, então, não é determinada interiormente por um agregado de células, mas sim exteriormente, sendo uma portadora de relações” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

VII. “Ninguém jamais nasceu como membro de um partido político; ao contrário, nós todos somos nascidos membros de uma família; nós tomos somos cidadãos de uma municipalidade; nós todos somos empurrados adiante, no exercício de uma tarefa de trabalho” (Discurso em Madri, 29 de Outubro de 1933)

VIII. “A dignidade humana só é obtida quando o serviço é dado. Só é grande aquele que compromete a si mesmo em preencher um espaço na conquista de uma grande tarefa. Esse ponto essencial, que é a grandeza do fim ao qual se aspira, é aquilo que você não está propenso a tomar em consideração” (Segunda Carta Aberta a Luca de Tena, ABC, 23 de Março de 1933)

IX. “O ‘jovem cavalheiro’ é a degeneração do ‘cavalheiro’, do ‘fidalgo’, que até muito recentemente escreveram as mais finas páginas de muito daquilo de que fomos capazes de ‘renunciar’; ou seja, renunciar privilégios, confortos e prazeres, para, assim, honrar um ideal de ‘serviço’. A obrigação da nobreza era aquilo que os cavalheiros e fidalgos pensavam; isso significa que a nobreza ‘exige’ isso. Quanto mais alguém é, mais é capaz de omitir ser. E isso veio daqueles que foram modelos de fidalgos, aqueles cuja maioria dos nomes emergidos ganhou láureos em sacrifício” (Senhoritismo, Falange Espanhola, 25 de Janeiro de 1934)

X. “Considere aquilo ao qual o homem europeu tornou-se reduzido por conta da ação do capitalismo. Ele não possui mais uma casa, nem uma individualidade, nem sequer uma habilidade artesanal; agora, ele é meramente um número de conglomerações” (Discurso em Madri, 19 de Maio de 1935) 

XI. “[...] a característica da tragédia espanhola e europeia é esta: o homem foi desintegrado, desarraigado, transformado em um número na lista eleitoral e no quadro dos portões da fábrica; aquilo pelo qual esse homem desintegrado chora é o sentir o chão novamente sob seus pés; o ser colocado em harmonia com um destino coletivo, uma vez mais; ou simplesmente chamar as coisas por seus nomes corretos, com o destino de sua Pátria” (Aula em Madri, 9 de Abril de 1935)

XII. “Você dificilmente verá um homem na cidade. Ele está sempre aprisionado atrás de seu emprego, atrás de suas roupas. Na cidade você vê o mercador, o eletricista, o advogado, e assim por diante. No campo, você sempre verá o homem” (Vá para o Campo)

XIII. “Quando o mundo está fora de seus eixos, não pode ser endireitado por meio de caminhos técnicos: ele precisa de uma completa nova ordem. E essa ordem deve, novamente, florescer do indivíduo” (Discurso, Espanha e Barbarismo, Valladolid, 3 de Março de 1935)

A Liberdade Humana

I. “Diante da contemptora frase de Lênin: ‘Liberdade, para quê? ’, nós começamos por afirmar a liberdade do indivíduo e por reconhecer o indivíduo. Nós (que temos sido demonizados como advogados do Panteísmo de Estado) começamos por aceitar a realidade do indivíduo livre, o portador de valores eternos” (Aula em Madri; Estado, Indivíduo, Liberdade; 28 de Março de 1935) 
II. “O homem deve ser livre, mas a liberdade não existe a não ser dentro de uma ordem” (Discurso, Espanha e Barbarismo, Valladolid, 3 de Março de 1935)

A propriedade e o trabalho como elementos humanos elementares

I. “A propriedade é a projeção direta do homem sobre seus bens; é um atributo humano elementar. O capitalismo substituiu essa propriedade do homem pela propriedade do capital, pelo instrumento técnico da dominação econômica” (Discurso, Madri, 19 de Maio de 1935)

II. “O trabalho é uma função humana, assim como a propriedade é um atributo humano. Qual o sentido de tentar harmonizar capital e Trabalho?” (Discurso; A Espanha e o Barbarismo; Valladolid, 3 de Março de 1935)

Conceito de vida

I. “Religião e militarismo são os únicos dois modos completos e sérios de compreender a vida” (Discurso em Madri, 17 de Novembro de 1935)

II. “Toda a existência humana – de indivíduos ou de nações – é uma luta trágica entre a necessidade automática e aquilo que é o trabalho duro” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

III. “As posições espirituais que são capturadas em lutas heroicas contra a necessidade automática são aquelas que, mais tarde, se tornam as mais profundas fundações daquilo que é genuíno em nós” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

IV. “Tal, dentre outras, é a doce recompensa que é conquistada pelo esforço do aprimoramento: alegrias elementares podem, talvez, se perder; ainda assim os outros estão esperando ao final da estrada, outros tão queridos e tão gentis que invadem a esfera das antigas afeições, que desaparecem ao despontar de um chamado que os sobrepõe” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

Povo

I. “[…] um povo é a integridade singular do destino, do esforço, do sacrifício e da luta, e deve ser considerado como uma totalidade que marcha através da história como um todo, e deve ser servido como um todo” (Discurso no Parlamento, 19 de Dezembro de 1933)

História

I. “A vida de todos os povos é uma luta trágica entre o automático e o histórico. Povos que estão num estado primitivo são aptos a sentir as características do solo de um modo quase que vegetativo. Quando eles transcendem esse estado primitivo, percebem que são moldados não pelas características do solo, mas pela missão que os diferenciam dos outros em meio à universalidade. Quando, nesse sendo de uma missão universal, um estágio decadente é atingido, separatismos começam a florescer uma vez mais, e uma vez mais os povos começam a retornar para seu próprio solo, sua própria música, seu próprio dialeto, e, uma vez mais, sua integridade gloriosa - que foi a da Espanha dos grandes dias – é posta em evidência” (Discurso, Valladolid, 4 de Março de 1934)

II. “Uma interpretação completa da história e da política, como eu havia dito no encontro no Teatro da Comédia, é como a lei do amor: deve-se possuir uma compreensão do amor, que, sem um programa escrito ou seções numeradas e parágrafos, nos dirá - em qualquer dado instante – quando nós devemos abraçar algo e quando o devemos abdicar” (Discurso em Madri, 2 de Fevereiro de 1936)

III. “Que nós estamos testemunhando o fim de uma época é um fato que, praticamente ninguém - a menos que tenha um machado para afiar - ousará negar. Esta época, a qual agora está em seu estágio de morte, foi curta e brilhante. Seu nascimento pode ser estabelecido na terceira década do século XVIII; sua energia interna motivadora pode ser expressa em uma só palavra: otimismo. O século XIX, desenvolvido como foi, sob as sombras tutelares de Adam Smith e Rousseau, realmente acreditou que, deixando as coisas por si mesmas, tudo se voltaria para o melhor – tanto na ordem política quanto econômica” (Tradição e Revolução, Agosto de 1935)

IV. “[…] Nosso espólio foi o espólio típico de uma guerra, no qual nós não podemos poupar nem nossa pele nem o sangue de nosso coração. Em obediência ao nosso destino, nós viajamos de lugar a lugar, suportando a vergonha de aparecer como uma amostra pública; obrigados a gritar em alta voz coisas que nós havíamos pensado no mais austero silêncio; sofrendo distorções nas mãos daqueles que não o faziam e daqueles que não nos compreendiam; quebrando nossas costas nesta ridícula distorção, esse procedimento de vencer acima da ‘opinião pública’ – como se o povo, capaz como o é de amar e se enfurecer, fosse coletivamente suscetível à opinião” (Haz, 5 de Dezembro de 1935)

V. “Todos os homens jovens conscientes de sua responsabilidade estão pressionando uma reforma do mundo. Eles estão pressionando, seguindo em frente no caminho da ação, o que é mais importante nesse pensamento, que, sem a supervisão constante de toda a ação, é mero barbarismo. Nós poderíamos desejar permanecer de lado dessa preocupação universal, nós, homens da Espanha, para os quais os dias de nossa juventude se abriram nas perplexidades dos anos de pós-guerra” (Tradição e Revolução, Agosto de 1935) 

VI. “Nós, jovens, que somos cheios de chamados espirituais, livres do egoísmo cru dos antigos chefes políticos – aquilo pelo qual estivemos buscando é que a Espanha tenha grandeza e justiça, uma ordem e uma fé” (Arriba, 7 de Novembro de 1935)

VII. “O que estão esperando por agora, os homens jovens lá fora, no frio? Devem eles abandonar toda a esperança? Devem eles se retirar para as torres de mármore? Devem eles esperar, e colocar sua confiança em novos lamentos partidários, que uma vez mais os querem seduzir e uma vez mais lhes trazer desilusão?” (Arriba, 7 de Novembro de 1935)

Pátria e Patriotismo

I. “A Pátria é aquilo que é encorpado com um grande empreendimento coletivo. Se não há empreendimento, não há Pátria” (Gaita de Foles e Lira, Falange Espanhola, 11 de Janeiro de 1934)

II. “A Pátria é uma unidade completa, à qual todos os indivíduos e todas as classes são integrados; a Pátria não pode permanecer nas mãos das classes mais poderosas ou do partido mais organizado. A Pátria é uma síntese transcendental, uma síntese individual, cujos fins seus são para se conquistar” (Discurso em Madri, 29 de Outubro de 1933)

III. “Contra o simplório particularismo e retrocesso das desintegrações suicidas, um sonho de unidade e uma tarefa comum” (Exortação à Catalunha, data desconhecida)

IV. “A Pátria é o único destino coletivo possível. Se nós a reduzimos a algo menor (digamos, a uma casa ou um pedaço de chão), então somos deixados a uma quase relação meramente física, sozinha; se nós a estendemos ao mundo, então nos perdemos numa concepção demasiadamente vaga para ser agarrada. É exatamente a Pátria que, numa fase física, forma a diferenciação na ordem universal; é precisamente ela que reúne e, ao mesmo tempo, diferencia a ordem universal interna, o destino de todo um povo; ou seja, como nós sempre dizemos: a unidade de destino interior universal”. (Aula em Madri, 9 de Abril de 1935)

V. “Nós queremos que a Pátria seja compreendida como uma realidade harmônica indivisível, acima de todos os conflitos de indivíduos, classes, partidos e diferenças naturais”.

VI. “A pátria é o empreendimento de corte claro, pés iluminados, limpo do banditismo e da crosta da sujeira inveterada. Não uma Pátria para ser extorquida em efusões, mas para ser compreendida e sentida como a executora de um grande destino” (Carta aberta a Luca de Tena, 23 de Março de 1933)

VII. “A Espanha é mais do que uma forma constitucional. A Espanha é mais do que uma circunstância histórica. A Espanha nunca pode ser algo oposto ao agregado de terras que a formam e aos indivíduos que devem ser, cada um deles, proprietários delas” (Discurso ao Parlamento, 2 de Janeiro de 1934)

VIII. “A Espanha - não uma invocação vazia ou inflada, mas sim a completa expressão do conteúdo espiritual e humano -: Pátria, pão e Justiça” (Discurso ao Parlamento, 2 de Janeiro de 1934)

IX. “Desde que sua existência se iniciou, a Espanha significou e sempre significará um trabalho a ser feito: a Espanha somente é justificada por ter uma missão a cumprir; a Espanha não pode ser dada às infinitas estações de corrupção, falta de dever e de propósito vital” (Discurso ao Parlamento, 25 de Janeiro de 1935)

X. “A justificação da Espanha é a vocação imperial de unir línguas, raças, povos e costumes em um destino universal” (Discurso ao Parlamento, 25 de Janeiro de 1935)

XI. “A Espanha é irrevogável. Os espanhóis podem fazer decisões sobre coisas secundárias; mas, sobre a essência da Espanha, em si mesma, não há nada a ser decidido. A Espanha é “nossa” [...]: nossas gerações não são as proprietárias absolutas da Espanha. Ela chegou até eles através dos esforços de gerações e gerações do passado, e deve ser tomada como um depósito sagrado às gerações que virão. Se nossa geração tomar vantagem deste momento e de sua própria presença em meio à continuidade dos séculos para dividir a Espanha em pedaços, nossa geração cometerá a mais abominável fraude e a mais pérfida traição que se é possível imaginar contra aqueles que virão a seguir” (Gaita de Foles e Lira, Falange Espanhola, 11 de Janeiro de 1934)

XII. “Se o patriotismo fosse uma matéria de suavidade e afeição, então não seria o maior dos amores humanos. O patriotismo do homem seria inferior ao das plantas, que o ultrapassam em sua conexão com o solo. O nome do patriotismo não pode ser dado ao primeiro componente de nossa natureza, com o qual nos erguemos, nomeadamente aquela impregnação primordial com o elemento terreno. Patriotismo – se alcançar seu mais alto grau – deve ser aquele que repousa absolutamente no extremo oposto; aquele que é mais difícil; que é mais purgado das coisas terrenas; que é mais formoso e límpido; o qual é imutável. Em outras palavras: suas estâncias não devem ser firmadas em sentimentos, mas sim no intelecto” (Gaita de Foles e Lira, Falange Espanhola, 11 de Janeiro de 1934)

XIII. “[...] não há patriotismo fértil, exceto aquele que vem pelo caminho da crítica. E eu lhe direi que nosso próprio patriotismo veio por meio da crítica. Nós não estamos agarrados nem a um maior ou menor grau daquele patriotismo de comédia musical que se regozija com as mediocridades e frivolidades da Espanha presente, nem em interpretações pesadas do passado. Nós amamos a Espanha por que não a achamos atraente. Aqueles que amam seus países por acharem neles um amor atrativo os amam com um desejo de contato, um amor físico, sensual. Nós a amamos com um desejo de perfeição. Não é essa ruína, essa degeneração de nossa Espanha física de hoje aquilo que nós amamos. O que nós amamos é a Espanha eterna, imutável e metafísica” (Discurso em Madri, 19 de Maio de 1935)

XIV. “Este tipo de patriotismo é mais difícil de sentir: mas nesta dificuldade reside sua grandiosidade. Assim como o patriotismo que alguém sente em relação à sua própria terra nativa é sentido sem nenhum esforço, ou mesmo com um prazer tóxico e sensual, é a missão humana de escapar de suas amarras e se erguer acima para um patriotismo árduo, uma missão intelectual. Tal será a tarefa de um novo nacionalismo: substituir a tentativa falha de combater movimentos românticos com armas românticas, resolutamente erigindo reações fortes, clássicas e impenetráveis contra as inundações de romantismo; firmando as fundações do patriotismo não no terreno emocional, mas sim no intelectual; causando o patriotismo que não é o sentimento vago da inconstância da vontade, mas de uma verdade inabalável como as verdades matemáticas. Isso não significa que o patriotismo deva ser nada mais que um produto árido do intelecto” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

Teoria da Nação

I. “A nação não é uma realidade geográfica, nem racial, nem linguística: é, essencialmente, uma unidade histórica. Um agregado de homens num pedaço de chão só é uma nação enquanto isso for uma função do universal, enquanto preencher um destino próprio na História, um destino que não é o do “restante”. O “restante” é sempre aquela parte para a qual nós dizemos que somos “um”. A vida comum é aquela que eu partilho com os homens. Eu sou aquele que nenhum outro é. Na vida universal comum, cada nação é aquela que nenhuma outra é. Nações são determinadas por aquilo que não possuem. Elas se distinguem do ambiente onde preenchem seus destinos próprios e universais” (F.E., 7 de Dezembro de 1933)

II. “[...] Nós compreendemos que a nação não é meramente a força atrativa do solo no qual nós somos nascidos; não é a emoção sentimental direta que todos nós sentimos na presença da nossa própria terra; a nação é a unidade do destino numa ordem universal, é um plano no qual uma pessoa cresce quando preenche uma missão universal na História” (Discurso no Parlamento, 4 de Janeiro de 1934)

III. “Nações não são ‘contratos’ que podem ser rescindidos à vontade daqueles que nelas entram; elas são ‘fundações’ com uma substancialidade própria a elas, não dependentes da vontade de muitos ou de poucos”. (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

IV. “De agora em diante, pelo bem da clareza, nos será conveniente usar a palavra ‘nação’, cujo significado é precisamente isso: a sociedade política capaz de encontrar seu maquinário de operação no Estado. Então, o tema do presente ensaio fica definido: explicar o que a nação é; seja a realidade espontânea de um povo, como os nacionalistas românticos pensam, ou algo não determinado por características naturais” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934)

V. “A tese romântica atingiu a ‘desqualificação’, ou seja, a abolição de todos os elementos como a Lei e a História (adicionando, como resultado, as primitivas entidades do indivíduo e do povo). A Lei transformou o ‘indivíduo’ em uma ‘pessoa’; a História transformou o ‘povo’ na ‘polis’, numa condição política dum Estado. Para a tese romântica, isso foi uma questão de interesse vital para o retorno ao primitivo, ao espontâneo, em outro caso” (Ensaio sobre o Nacionalismo, Abril de 1934) 

VI. “O romantismo é uma atitude falha que procura precisamente repousar fundações básicas em um solo pantanoso; o romantismo é uma escola de pensamento que não é árdua, e que possui linhas rápidas, que, a cada momento, e em cada crise, confia à faculdade sensitiva a solução daqueles problemas que deveriam ser confiados somente à razão” (Discurso ao Parlamento, 3 de Julho de 1934)

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Rhainer Cavalcanti: A Globalização e o poderio dos Bancos



Algo comum de vermos entre os libertários é o discurso sobre o poder que o Estado exerce. Realmente, o Estado tem o seu poder. Mas na Era pós-liberal, o capital está acima do Estado. Não é o capital que está de quatro para o Estado, mas sim que o Estado está de quatro para o capital. Mas claro, isso especificamente aos Estados liberais. O Estado liberal é diferente de um governo liberal. Um governo pode ser não-liberal, mas servindo a um Estado liberal e que esse Estado serve aos grandes nomes do capital. Entre eles os grandes empresários, as grandes corporações, multinacionais e os grandes bancos. 

O Estado Liberal não possui o controle sobre o mercado internacional. Os Estados que resistem ao domínio do mercado global são Estados voltados para a soberania nacional, que são intocáveis pelo sistema bancário e toda a classe parasitária do mercado internacional. 

É muita ingenuidade pensar que todos estes empresários e banqueiros que estão envolvidos ao financiamento de guerras, exploração dos mercados internos de países subdesenvolvidos e mão de obra escrava entre países-colônias, não exercem poder sobre os Estados. 
Vamos aos pontos. 

1- A GLOBALIZAÇÃO E O PODERIO DOS BANCOS

A globalização demonstra o seu fracasso ao permitir ações ilegais do sistema bancário e monetário, criando um o domínio geoeconômico nos mercados, nos setores industriais, empresariais e até militar.

O desequilíbrio entre a finança e a economia gerou a criação do atual sistema que se estabiliza por dívidas, amarrando as economias a um ciclo sem fim das finanças virtuais. Isso é próprio da base dos conceitos liberais, onde deixam claro que o sistema bancário deve manter-se independente do Estado, o que acaba por colocar os interesses do povo em um plano inferior, assim como a soberania nacional. 

Essa independência dos bancos faz com que nunca haja capital o bastante para suprir os interesses básicos da economia. Só assim ela torna os bancos como fator primordial do sistema de empréstimos a juros sob exigências financeiras usurárias. Uma das causas das dívidas públicas iniciadas em países nos quais não há administração da moeda nacional, por seguir um modelo economicamente liberal que lhes prendem à imensas dívidas infinitas, conectando-se aos agentes monetários e indo contra os interesses da nação.


Esse desenvolvimento do globalismo que abriu caminho para tal sistema financeiro permite que os bancos criem do nada um dinheiro virtual, cobrando juros através de um dinheiro que foi criado a partir do nada e que tecnicamente é inexistente. Todos os lucros apenas vão para os acionistas e os especuladores da bolsa de valores. E quando explode um colapso bancário ou crises financeiras, tudo é voltado contra o Estado, causando as hiperinflações, aumento da carga tributária e a quebra da economia. Os mais atingidos serão sempre a população de baixa renda, o microempresário que também é prejudicado pelo domínio bancário e a soberania nacional.

Países que buscam sua autonomia geralmente sofrem as perseguições geoeconômicas de grandes corporações e empresários que financiam golpes contra seus recursos naturais e sua soberania. Países que optam pela valorização de sua moeda nacional se tornam automaticamente inimigos número um do domínio global dos bancos, que querem a todo custo escravizar sua moeda, seu Estado e seu povo a seus interesses econômicos que giram em torno de uma pequena parcela de pessoas. E é por isso que guerras são fomentadas constantemente em países contra-hegemônicos, onde o povo é dono de si e não escravos do dinheiro.

O liberal não quer a liberdade do indivíduo. Ele quer a sua própria liberdade, nem que para isso tenha que tirar a liberdade os outros.


2- A ECONOMIA COSMOPOLÍTICA COMO AGENTE DESTRUTIVO DOS ESTADOS-NAÇÕES

Da economia cosmopolítica, surge a ideia do "comércio universal". Onde dissolve-se as nações, formando apenas uma. Já, a economia política por outro lado, alinha a nação para o caminho da prosperidade. A sociedade e o poder político respeitam os limites das fronteiras, priorizando a agricultura e o comércio nacional. A economia cosmopolítica encontra meios de como a humanidade pode alcançar essas questões.

A economia nacional analisa como as nações, de acordo com as circunstâncias que se encontram, podem chegar a um pleno desenvolvimento, que ao mesmo tempo permite a união com outras nações que também sejam desenvolvidas, respeitando seus espaços.
As ideias libertárias estão conectadas ao cosmopolitismo econômico.

Não aceitam fronteiras, pois não compreendem como um mundo "dividido"por culturas, raças, nacionalidades e religiões diferentes possam adotar uma agenda econômica global. Para isso, é necessário criar uma única nacionalidade e uma única cultura, para o funcionamento da economia global. Ignora-se toda a natureza humana, produzindo uma política econômica anti-natural. As nações em seus respectivos espaços, prejudicam os lucros do mercado internacional. 


E é por essa questão que a humanidade vem em primeiro lugar para as ideias libertárias, enquanto a nação ocupa uma escala inferior. A total liberdade do comércio se resume em colocar as nações menos desenvolvidas sob suas ordens. Essa liberdade não criaria de fato uma república universal, mas faria das nações subdesenvolvidas escravas da maior potência industrial/econômica.

Logo, se posicionar contra o nacionalismo, é aderir parte de uma agenda libertária, é desrespeitar a natureza humana, tornando os povos escravos de uma potência. Esse anti-nacionalismo se encontra equivocado em muitos grupos de esquerda e que é um pensamento perigoso, principalmente estando presente em uma era pós-liberal.

3- A SOCIEDADE SOB AS ORDENS DO MERCADO

A economia teve sua autonomia sobre os valores morais e tudo em que ela esteja englobada, como na sociedade e na política. O liberalismo fez dos valores comerciais, uma característica suprema à vida. Houve a passagem da economia baseada nos conceitos mercadológicos, à sociedade sob as ordens do mercado. As leis comerciais foram subistituídas pelo individualismo moderno, aquele que pertence ao mundo e pertence a todos os povos. Sendo assim, indo contra os próprios valores naturais.
As injustiças do mercado, dão o surgimento de um papel importante do Estado. E o Estado basicamente submete as trocas internas, não-comerciais, às ordens do dinheiro, transformando assim os agentes econômicos homogêneos ferramentas de seu poder.
As intervenções do Estado democrático-liberal, permitem o avanço e desenvolvimento da ideologia liberal. Ele tem o papel de evitar um possível colapso do mercado, dando assim uma segurança e equilíbrio às trocas comerciais.

O papel desse Estado consegue ir além, como moldar a sociedade para que se torne dependente, fornecendo os serviços adequados. Assim, a sociedade se acomoda, sem interesse em derrubar o sistema econômico, permitindo que o Estado continue fazendo a sua manutenção. Os serviços públicos se deterioram dentro da esfera macroeconômica e todo o modelo democrático do Estado é resumido a um mercado que limita todo o seu fornecimento.
A ideologia liberal, nessa era globalizante, se apresenta não apenas como um sistema econômico, mas sim uma ideologia que abrange os valores políticos, morais e sociais, reduzindo todos eles à mercadorias. Em todas as civilizações antes da modernidade, a questão econômica estava em um camada inferior às atividades humanas. É simplesmente anti-natural o mercado ser universalizado. Antes do mercado ser um instrumento, ele é uma organização, uma entidade que não pode ser retirada de toda a história cultural dos povos.

E foi na sociedade moderna que a economia com mercado passou a ser baseada em uma economia de mercado, reduzindo o indivíduo a um produto mercadológico. E o resultado disso é o caos global, tanto financeiro, como social, político e cultural.

4- O DOMÍNIO DAS MULTINACIONAIS SOBRE OS MERCADOS

Não é da natureza do livre mercado permanecer intacto, favorecendo a moeda nacional e garantindo a soberania. Ele precisa se expandir, para automaticamente criar um mercado global. O objetivo é de que tudo possa ser produzido e vendido em qualquer território do globo. Esse mercado internacional tornou-se a religião da economia liberal moderna.

A mídia faz o seu trabalho, nos passando as falsas informações de uma economia saudável que é gerada pelo mercado global. Nos fazem acreditar que os lucros das grandes multinacionais, suas ações e toda a especulação que ocorre por trás são benéficas para a sociedade. Nos fazem crer que os eventos desses mercados e os lucros maximizados pelos acionistas, de alguma forma fortalecem as economias das nações, dando assim uma melhor qualidade de vida a seu povo.
O que acontece de fato é que o mercado internacional não possui o controle, mas é controlado pelos interesses das multinacionais. Ele não serve às nações ou aos povos, procurando o desenvolvimento nacional, mas serve à uma casta parasitária. A economia mundial é organizada para os benefícios das multinacionais e para todo o capital usurário. Ela não é utilizada para suprir as necessidades básicas da sociedade.
As multinacionais simplesmente deslocam suas produções para territórios onde existem menores salários, causando assim o aumento do desemprego em sua economia nacional. Quem sai perdendo é o trabalhador que ficou desempregado, ou o funcionário que teve o seu salário reduzido devido às competições com países de salários mais baixo. Quem vence, é quem pode obter enormes lucros, usando de mão de obra barata inesgotável. Seus objetivos é investir onde exista um trabalho mais barato, tendo um melhor retorno.
Os bens de cada país são dominados pelo sistema financeiro rentista. Se encontra nas mãos de uma casta de parasitas, que sugam até a última gota as riquezas pertencentes a cada povo. Isso da início às guerras, gera a imigração ilegal e a miséria mundial. É isso que cria desemprego e dívidas infinitas.
É claro que tudo dependerá do governante. O governante que se rende aos interesses dessas oligarquias, estará fadado a servi-las até os últimos momentos. Caso ele não se curve ao sistema financeiro parasitário, será perseguido e aniquilado pelo próprio sistema. Assim foi com muitos líderes que se recusaram a servir as elites do globalismo liberal.

5- A CRISE MUNDIAL PROMOVIDA PELO SISTEMA BANCÁRIO

Podem até tentar esconder, mas a crise mundial já atingiu um nível que beira ao colapso econômico. Não há como a oligarquia global continuar a esconder que o caos já se instalou na humanidade. Os povos já estão notando os efeitos colaterais causados pelo desenvolvimento do capitalismo liberal. Não há mais volta e não há conserto. O máximo que se pode fazer e o que estão tentando, é atrasar o caminho da autodestruição do sistema financeiro internacional.
Mas o que ocorre é algo natural. É o grau atingido pelo sistema econômico mundial. O capitalismo se desenvolveu a ponto de colocar tudo entregue ao domínio dos bancos. Esse capitalismo moderno desprendeu-se dos conceitos de oferta e demanda. Agora, temos toda a riqueza mundial concentrada nas mãos da oligarquia financeira, capaz de controlar todo o capital e gerar modelos comerciais insustentáveis. Essa oligarquia que manipula o capital e o mercado internacional, desvalorizou o sentido de "trabalho" e o próprio capital que é conectado ao mercado substancial. Não só isso, mas todas as forças econômicas se encontram enjauladas pela elite liberal.
As civilizações já estão perto de esgotarem seus recursos naturais. Os recursos mais básicos estão prestes a serem eliminados. E isso gera um grande aumento dos problemas que estão aparecendo como a fome, a imigração acelerada, epidemias, guerras, criminalidade... A ideia de liberdade do indivíduo, a ideia de não haver fronteiras, de não haver tribos, tornou o indivíduo uma mera mercadoria. O indivíduo se tornou nômade, onde este não pertence a uma tribo ou a algum grupo cultural. O indivíduo agora é do mundo e ele é um só.
O cosmopolitismo liberal acaba por dissolver os laços culturais existentes. Ele dissolve as identidades culturais, transformando o indivíduo em sua mercadoria, para que atenda a toda oligarquia liberal, gerando lucros aos detentores da riqueza mundial. 
A liberdade individual deixa de ser liberdade quando esta aniquila o coletivo. E por conseguinte, elimina os valores da família, os valores culturais e tradicionais dos povos, para dar valor ao lucro. Até mesmo a propriedade e o capital perderam o seu sentido. Antes a propriedade estava acima do capital. Hoje ela se encontra abaixo dele.

6- O PODER DOS BANCOS SOBRE OS ESTADOS

A estatização dos bancos não necessariamente seria o mesmo de uma soberania econômica. Sendo que bancos estatais existem no modelo capitalista keynesiano. Esses bancos servem para que o Estado possa pedir emprestado dos setores privados e dos setores de finanças internacionais. Tanto que em meio a crise de 29, os bancos centrais tiveram a atividade de garantir a estabilidade entre a economia e as finanças nos EUA.
Muitos destes bancos estatais surgiram como meio de emprestar de setores privados. A intenção desses bancos sempre foi a de formar um sistema financeiro homogêneo, um monopólio dos bancos, capaz de abranger uma escala global e se expandir em territórios, tendo assim a capacidade de manipulação da circulação do dinheiro, podendo obter controle sobre os governos e os setores industriais.
Ou seja, a nacionalização acaba por ser um fator mínimo que não altera em muita coisa se o banco estatal agir utilizando das ferramentas de empréstimos de crédito, sendo este criado privadamente. Portanto, simplesmente ampara a dívida acumulada no sistema bancário global.
Quando se fala em "Soberania nacional", se fala de uma nação independente, uma nação autônoma. Essa soberania se estende em diversos aspectos. No entanto, a soberania nacional só pode existir com a soberania econômica.
No capitalismo, tudo é subordinado pela moeda, inclusive o próprio valor do indivíduo. E o indivíduo só pode ser livre se o Estado tiver a manipulação dos próprios créditos e de sua moeda. Quem tem o controle sobre sua própria moeda, tem o controle sobre o desenvolvimento do país.

7- A USURA COMO FORMA DE LUCRO AOS ESPECULADORES E À QUEBRA DAS ECONOMIAS DOS ESTADOS

É pura ilusão pensar que o consumidor está livre para escolher os melhores produtos e os melhores preços. Segundo os conceitos liberais, o sistema só pode funcionar se houver a concorrência no mercado, através da oferta. Entretanto, o capitalismo liberal visa a concentração do surgimento de monopólios que acabam por eliminar a concorrência, gerando assim a elevação dos preços que acarreta na redução da escolha do consumidor e baixando a qualidade dos produtos.
Não é o mercado capaz de determinar os preços das matérias-primas e das empresas. Pois o mercado é dirigido pela especulação e pelo maior alcance de lucro em um curto espaço de tempo. As flutuações da bolsa são por muitas vezes desmedidas e dominadas por manipulação. Essas oscilações intensas no mercado são destrutivas que resulta na quebra das economias. No entanto, geram grandes lucros aos especuladores.
A prática da usura colocou a importância da terra e do coletivo em uma camada inferior, dando o surgimento rápido de uma economia monetária. O dinheiro perdeu-se o total sentido humanitário, onde apenas era utilizado como meio de trocas, para transforma-se em uma ideologia do consumo, com características homogêneas, servindo mais ao comércio externo do que à sua própria terra.
Foi-se o tempo em que civilizações haviam o controle sobre o dinheiro, em um sentido não só econômico, mas social e moral. Hoje, a manipulação do dinheiro se tornou ampla em todos os campos. O dinheiro não está apenas na esfera material, mas ele se apropriou da essência do indivíduo. O que se combate agora não é um papel ou um mecanismo econômico, mas sim uma ideologia destrutiva baseada no consumo.

8- O CONTROLE EMPRESARIAL SOBRE O MERCADO NACIONAL E O ESTADO 

Já não se fala mais em oferta e demanda. A evolução do capitalismo liberal que tomou proporções a níveis globais, já superou seus princípios básicos propostos por Adam Smith. Oferta e demanda na era da pós-modernidade se resume ao micro-negócio. Hoje, a estrutura do capitalismo liberal, abriu as portas para o surgimento de monopólios e oligopólios no campo internacional. Certos setores já não dependem do Estado, mas sim de uma seleção de empresas. Incluindo as próprias indústrias nacionais que dependem de um time de empresários.
A regulamentação dos preços efetivado pelo surgimento de cartéis, prejudica não só o trabalhador, mas também o empresário familiar, o micro-empresário, que acaba tendo seus produtos com preços definidos por estes cartéis, além da quantidade de produção determinada por eles.
Esses mecanismos econômicos utilizados pelos cartéis, apenas elevam os lucros dos grandes empresários que traçam acordos entre si, rendendo até mesmo os setores industriais nacionais. Se trata dos esquemas oligárquicos introduzidos pelas democracias ocidentais. O próprio Estado democrático se prostra de joelhos aos interesses do capital liberal hegemônico.
O fato é que, o Estado democrático, o Estado que serve ao sistema da democracia liberal, não tem poder sobre o capital. Ele não tem poder sobre o próprio modelo econômico do qual pertence. Pode haver regulamentação em alguns setores, mas nunca algo que prejudique os princípios econômicos do liberalismo.
Isso nos faz lembrar sobre o que libertários costumam dizer sobre o poder absoluto do Estado. Não, não existe poder absoluto do Estado dentro do liberalismo. Esse poder absoluto não existe quando um número de empresas tem o controle sobre os preços e a produção de bens de uma grande empresa nacional.
A livre concorrência se mostra falha. Podemos pegar o exemplo da era das máfias nos EUA, onde existia a livre concorrência dentro do mercado negro. Nem o Estado conseguia ter o poder absoluto sobre a máfia, quando até mesmo os mafiosos "compravam" o Estado. Al Capone por exemplo, cometeu inúmeros crimes, de assaltos e contrabando até homicídios. Mas o único crime pelo qual conseguiu ser julgado foi sonegação de imposto. Ou seja, um crime que alfineta a alma do Estado.
O livre-mercado dentro da máfia gerava conflitos constantes. As guerras entre mafiosos eram na maioria das vezes geradas quando os interesses de uma família se chocava com os interesses de uma outra família. Uma consequência da livre concorrência entre eles, que acabava por afetar o cidadão de bem, quando este estava no meio do fogo cruzado. 

Não só as legítimas famílias mafiosas, mas os empresários atuais que possuem o micro-empresário a seus pés, afim de concorrerem com os seus rivais, podem ser encaixados em um novo sentido da palavra "mafioso". Até porque, a livre concorrência entre esses monopólios, causa conflitos físicos. Não à toa que já vimos casos de sabotagem de uma empresa com a outra ou tentativa de assassinato entre empresários rivais. Essa é a maravilha da livre concorrência.

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William Berkson: Porque os países não podem prosperar sem investimentos ativos do governo

A História nos mostra que as economias nunca cresceram através da diminuição do envolvimento estatal na economia


Por William Berkson
Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



Se há um objetivo nacional com o qual todos os americanos podem concordar, esse objetivo é a "oportunidade para todos". Contudo, partidos políticos têm sido bruscamente divididos naquilo que se refere ao papel do governo na criação de oportunidades econômicas. Desde o presidente Ronald Reagan, os republicanos têm defendido uma teoria simples e bonita para o crescimento da economia: quanto mais se reduz o envolvimento governamental na economia, mais eficiente serão os mercados, e mais a economia poderá crescer. 

Contudo, uma teoria bonita pode, como T. H. Huxley disse, "ser morta por um fato feio". A bela teoria do "livre mercado" ou da economia de "laissez faire" tem sido, nos últimos 35 anos, morta não apenas por um fato, mas por uma torrente de fatos contrários. 

Além disso, a "maré crescente" não "elevou todos os barcos". Os salários dos pobres (os 10% mais baixos) foram reduzidos em 5% em termos reais durante o governo Reagan, enquanto que os salários da classe média aumentaram apenas 6%. Contudo, os 5% mais ricos tiveram seus rendimentos ampliados em 40%. Outro indicador da crescente desigualdade salarial é que os CEO's recebiam 30 vezes mais do que um trabalhador típico em 1979, e hoje recebem 300 vezes mais. Desde 1980, os únicos períodos nos quais a tendência da desigualdade salarial foi de algum modo revertida foram as administrações democráticas.

Seria razoável pensar que após décadas de evidências contrárias, culminando na crise financeira de 2008, colocariam um fim à política de governo mínimo ou de "laissez faire". Contudo, na realidade, os candidatos republicanos não só continuaram a apoiar essas políticas, mas também fizeram campanha com essas políticas para ganhar a maioria na Casa dos Representantes em 2010 e o Senado em 2014. Finalmente, em 2016, podemos estar experimentando uma mudança no sentimento público. 

Felizmente, alguns historiadores econômicos, desde 2008, têm escrito livros com novas documentações inestimáveis sobre aquilo que as economias crescentes realmente são. Esses livros não apenas mostram que as políticas de laissez faire sempre falharam em promover o crescimento econômico, mas também contêm uma visão claramente alternativa em relação ao crescimento econômico - uma visão que é completamente baseada e validada pela história econômica.  

A sobrevivência dos desajustados

Há duas razões pelas quais as políticas de laissez faire sobreviveram contra o peso da evidência contrária. Primeiro, além da falha da simples redução de impostos em promover o aumento de oportunidades para todos, muitos outros fatores também são envolvidos no crescimento econômico e na igualdade salarial.  

A contribuição distintiva de reduções de impostos ou de aumento de impostos não é algo fácil de distinguir. Além disso, a relação entre modelos econômicos e realidades econômicas nunca foi tão clara e decisiva quanto entre a teoria e a realidade nas ciências naturais. Essa fragmentação na teoria econômica significa que as evidências perderam muito de seu poder de atingir as mentiras liberais. e também deixaram a porta aberta para os argumentos de economistas que são, pelo menos para o público geral, arcanos e inconclusivos.

A segunda e mais importante razão para a sobrevivência as políticas de "livre mercado" e cortes de impostos é o fato de que os progressistas não têm uma teoria ou visão alternativas para a promoção do crescimento econômico. Ao invés disso, eles focaram na oportunidade "para todos", apoiando programas que simplesmente contrariam as desigualdades que se levantam nas economias de mercado. Estes programas incluem a seguridade social, a educação pública, o sistema de saúde, o seguro contra o desemprego e um salário mínimo adequado.

Em razão de nossa economia ter, de fato, fortes tendências para a desigualdade econômica, e que essas mesmas tendências diminuíram as oportunidades para a classe média e os pobres, esses esforços foram tornam-se muito necessários. Contudo, os programas de promoção da igualdade não são rivais direitos em relação à teoria conservadora daquilo que faz a economia crescer. E, como dizem, "você não pode atingir alguma coisa com nada". 

Misturando-se à falta de uma teoria alternativa clara, os presidentes democratas tentaram cooptar partes das políticas de laissez faire para promover o crescimento econômico. Em nome do crescimento, o então presidente Carter fez a desregulamentação dos bancos - levando à crise de poupança e empréstimos nos anos 1980 - e o presidente Clinton se recusou a regulamentar o mercado de derivativos financeiros - levando ao colapso econômico de 2008.   

Nas eleições de 2012, rejeitando o papel do governo no crescimento econômico, Obama disse que "o maior engano" sobre ele é que ele não acredita que o governo em si crie empregos. "Não é nisso que eu acredito. Eu acredito que o sistema de livre empreendedorismo é a maior estrutura de prosperidade que o mundo jamais teve" - foram declarações feitas por ele. Ambas razões para um poder de persuasão das políticas conservadoras de livre mercado mostram que essa doutrina tem sido destruída por uma série de novos livros sobre a história do crescimento econômico. 

Primeiro, em lugar de uma economia baseada "nessa mão ou naquela mão", agora temos uma economia baseada no "sempre" e no "nunca". Essas histórias mostram que as economias nunca cresceram por meio da minimização do envolvimento governamental na economia. Ao invés disso, elas sempre cresceram através da liderança do governo por meio do investimento público - investimento que, sim, gera empregos em todos os níveis de renda.

Crescimento econômico: a verdadeira história

Os novos livros de história do crescimento das economias possuem focos diferentes. Mas eles possuem a mesma implicação política criticamente importante: enquanto que os impactos de curto-prazo dos investimentos governamentais é algo difícil de separar de outros fatores, e o investimento do governo na economia é aquilo que tem feito com que as economias cresçam a longo-prazo. O crescimento econômico de longo-prazo jamais foi o resultado da saída da atuação do governo em relação ao mercado privado. O crescimento econômico sempre veio da liderança do governo que nivela o crescimento do setor privado.

O investimento governamental no setor de bens e serviços públicos, visado e sustentado durante décadas, de fato sempre foi necessário para o crescimento sustentável da economia privada e do aumento de oportunidades para todos. Livros recentes documentam o papel crucial do investimento público. Essas obras incluem "Terra da Promessa", de Michael Lind (2013); "Sucesso na Transformação Agrícola", de Isabelle Tsakok (2011); "Estado da Inovação", de Fred Block e Matthew Keller (2011) e "O Estado Empreendedor", de Mariana Mazzucato (2013).

Há uma nova obra, lançada em março de 2016: "Economia Concreta", de Stephen Cohen e Bradford DeLong, além do livro "Amnésia Americana", de Jacob S. Hacker e Paul Pierson. (Aviso: Tsakok é a esposa do autor). O centro da história americana é a luta entre as visões de Alexander Hamilton e Thomas Jefferson. Hamilton acreditava que, como Lind demonstrou, "o governo não é inimigo da economia privada, mas sim seu patrocinador e sócio". Ele acreditava na grande dívida do governo no financiamento do crescimento econômico, incluindo o crescimento das indústrias e das cidades. Jefferson, em contraste, odiou o grande governo, a grande dívida, as cidades e a indústria - ele idealizava pequenos agricultores e pequenos homens de negócio.

A primeira luta entre as duas visões é um indicativo de toda a história. DeWitt Clinton, um seguidor de Hamilton e prefeito de Nova York, desejava que o governo federal financiasse a construção do Canal Erie. O canal de 400 milhas deveria fornecer uma alternativa à rota longa, difícil e terrestre para os grãos de Midwestern, levando a produção à populosa Costa Leste e também para a rota do Atlântico.

Jefferson chamou o grande governo e o débito massivo da proposta do canal de "uma pequena loucura". Quando Clinton se tornou governador de Nova York, ele contornou o governo federal ao conseguir que o estado de Nova York lançasse um programa para custear o projeto. No ano seguinte à abertura do canal, em 1825, o preço dos grãos produzidos em Midwestern na baía de Nova York caíram em 90%. O porto de Nova York tornou-se muito mais movimentado. A cidade de Nova York se transformou na maior cidade dos Estados Unidos, e, durante algum tempo, a maior cidade do mundo.

O dinheiro fluiu e também criou um centro financeiro e industrial, contribuindo para a fundação da Revolução Industrial nos Estados Unidos. Então, Jefferson não estava só um pouco errado. Ele estava completamente errado, já que o canal de Erie foi a chave para o crescimento econômico e a criação dos EUA como um poder econômico mundial. Subsequentemente, os EUA oscilou entre períodos de crescimento promovido pelo investimento "Hamiltoniano" - sob presidentes como Lincoln, FDR e Eisenhower - e períodos de deriva e estagnação, liderados por aqueles que, como Jefferson, idealizavam um passado fictício, idílico e pequeno - líderes históricos como Andrew Jackson, William Jennings Bryan, e alguns recentes, como Ronald Reagan e George W. Bush, sob os quais os salários ficaram estagnados. 

A criação e o crescimento da sociedade das oportunidades nos EUA é, então, não a história de um pequeno governo deixando o setor privado totalmente livre, mas sim a história de um governo ativo que impulsiona o setor privado com investimentos. O livro de Mazzucato continua a história no período pós Segunda Guerra Mundial, onde o crescimento foi liderado pela inovação de alta tecnologia. Num contundente estudo de caso, ela documenta que todas as tecnologias que permitiram a diminuição do tamanho do iPhone foram desenvolvidas e sustentadas por investimentos massivos do governo.

Isso inclui as grandes TV's de LCD, telas de touch screen, baterias de lítio e íon, GPS, satélites de comunicação, a própria internet, a tecnologia de celulares, o sistema de reconhecimento de vozes SIRI e muitas outras tecnologias. Foi necessário que uma grande companhia privada e visionária, como a Apple, para reunir tudo isso num grande produto de consumo. Contudo, o fato importante (porém muito negligenciado) é que a Apple estava "surfando", como Mazzucato expõe, numa onda de investimentos governamentais e de pesquisas e aprimoramentos conduzidos pelo governo.

"O Estado... é um parceiro-chave do setor privado - e um parceiro muitas vezes mais ousado, tomando riscos que os negócios particulares não querem correr... Um Estado empreendedor [...] opera audaciosa e efetivamente em fazer com que as coisas aconteçam. De igual modo, quando não confiante, a maior probabilidade é de que o Estado seja 'capturado' e que se curve aos interesses privados, tornando-se um pobre imitador dos comportamentos do setor privado, mais do que uma alternativa real a esses comportamentos".       

O livro de Tsakok dá uma visão ampla - a história do desenvolvimento econômico mundial. O livro documenta todos os casos bem-sucedidos de transformação nacional de economias tradicionalmente agrárias para economias modernas, e muitos esforços fracassados também. As sociedades de "antes" consistiam de fazendeiros independentes que consumiam a própria produção o fazendeiros que eram pobres. As sociedades do "depois", transformadas, são sociedades com agricultura comercial, plantações cultivadas para a venda. As sociedades transformadas possuem grande especialização e redes complexas de indivíduos interdependentes, escolas, negócios, indústrias, instituições de pesquisa e agências de governo. Nessas sociedades, fazendeiros são muito mais dependentes de financiamentos, negócios e do governo - e muito mais prósperos.

Então, qual a chance de muitos dos sucessos históricos na transformação econômica terem sido dirigidos por políticas de Estado mínimo e baixo envolvimento estatal na economia? Chance zero, nada. Em cada um dos casos, os governos fizeram investimentos produtivos em bens e serviços públicos, sempre incluindo a educação, a infraestrutura, a pesquisa e a transferência de tecnologia para o setor privado. Porém, o investimento público não é algo fácil de se fazer; enquanto que ele se prova necessário, ele pode também falhar. De fato, todos os países tiveram falhas e e retrocessos na liderança através do investimento. 

O que diferencia os sucessos de longo-prazo das falhas constantes é, como o livro "Economia Concreta" enfatiza, a liderança governamental ativa e pragmática. Quando o programa falha, governos efetivos finalizam esses programas e tentam outra ciosa. Países diferentes, mas todos bem-sucedidos, de fato se sucedem numa larga variação de estruturas institucionais e políticas. Mas todos eles tiveram "a direção governamental", como Tsakok mostra. Todos os governos bem-sucedidos lideraram investimentos focados e sustentáveis para criar redes modernas e complexas de interdependências que autorizam a alta produtividade e o aumento de renda.    

Em resumo, a história dos Estados Unidos e a história do mundo mostram que, se você quer um governo mínimo, você pode até ter isso - mas só se você quiser que quase todos na sua sociedade sejam pobres, agricultores de subsistência. Se você quer uma economia moderna, próspera e crescente, você vai precisar de uma grande especialização e uma rede grande, complexa e interdependente de indivíduos, negócios, centros de pesquisa e educação. E só o governo possui autoridade e dinheiro para regular a rede e bombear regularmente os fundos focados e necessários para sustentar seu crescimento. 

O laissez faire advoga a crença falsa de que o dinheiro, nas mãos dos ricos, é sempre melhor para economia do que se esse mesmo dinheiro for taxado e gasto com bens e serviços públicos. Na realidade, o gasto sábio em bens e serviços públicos não evita o investimento privado; ao invés disso, ele "incentiva" o investimento privado, levando-o para um nível maior e mais efetivo - como foi o caso do smart phone. O ponto de partida é que alguma parte do dinheiro que o indivíduo rico gastaria numa casa maior seria mais bem gasto ao ser taxado e investido pelo governo na educação pública, para, assim, promover a oportunidade para todos. 

E parte do dinheiro que um fabricante de carros gastaria num salário ainda maior para seus CEO's seria melhor gasto na reparação de estradas e pontes - algo que seria melhor tanto para a companhia de carros quanto para a sociedade como um todo. A liderança através do investimento público é a visão que vai além do mero crescimento. É também um poderoso argumento para apoiar a seguridade social e outros programas de "redes seguras" para promover a oportunidade para todos. Governos podem estimular o crescimento econômico geral, mas também podem falhar em oferecer oportunidades pra todo mundo. 

De fato, isso é o que tem acontecido desde Reagan. As atuais políticas republicanas tem sido aquilo que o republicano Barney Frank chamou de "Keynesianismo armado": grandes investimentos em armas e cortes em outros investimentos domésticos. O resultado foram benefícios esmagadores para os ricos. Para alcançar um crescimento amplo nos trabalhos e na renda, e também na oportunidade para todos, o governo precisa investir diretamente na educação, na pesquisa, no sistema de saúde e na infraestrutura, e também precisa investir na seguridade social  e em outros programas do tipo.  

Investimento custa dinheiro, mas, como nação, nós temos esse dinheiro. Os EUA é o país mais rico em toda a história do mundo. Nos anos 1960, quando os índices mais elevados chegavam em 70%, nós estávamos tanto crescendo mais quando mais igualmente. Com os atuais índices mais elevados atingindo cerca de 50%, a evidência histórica é de que nós temos muito espaço livre para taxar mais os ricos e investir publicamente esses fundos para o benefício coletivo - incluindo dos próprios ricos, que, de fato, se tornam mais ricos mais rapidamente durante anos de grande taxação.

As reclamações de que nós estamos quebrados demais para investir no campo social não são plausíveis quando os ricos estão acumulando bilhões em bancos além-mar, e corporações que não estão fazendo investimentos vigorosos. Além do mais, quando o governo possui um propósito e um papel bem claros, ele pode fazer o oposto daquilo que aconteceu nas recentes administrações republicanas, com a captura do governo por forças e interesses privados numa orgia de prosperidade corporativa e benefícios legais para os super-ricos.

Com o foco em investimento, e com uma fiscalização ampla e um retorno amplo, o governo pode, como Mazzucato apontou, ser mais eficiente e efetivo, então há um ciclo virtuoso de taxação, investimentos sensatos e crescimento econômico. A política de fortalecimento dos investimentos resolve um problema atual e urgente de criar uma mensagem política para os candidatos progressistas.

O bem-estar da próxima geração é uma responsabilidade que o governo com o apoio das famílias - pode assumir. Corporações não podem preencher esse papel, já que elas são pressionadas a beneficiar seus investidores em curto-prazo. Só o governo, representando as preocupações de seus cidadãos pelo bem-estar da próxima geração, pode ter o apoio e o dinheiro para fazer esses investimentos e tomar os riscos que prometem retornos só em longo-prazo.

O texto teve partes suprimidas por mostrar defesas e posicionamentos da política estadunidense atual que não refletem nossas próprias opiniões. Para conferir o texto na íntegra, clique aqui.

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terça-feira, 26 de julho de 2016

Alain Soral: "Antirracismo" a serviço da desigualdade social - a mentira da diversidade

Tradução: Lucas Fortes




Globalização e Mundialização 

(Alain Soral – Comprendre L’Empire – Éditions Blanche, 2011 – Páginas 199, 200)

Nesta fase de processos imperialistas, note que a globalização não implica necessariamente em mundialismo. A globalização – processos de troca materiais e imateriais devido ao progresso tecnológico – poderia muito bem se contentar com um mundo multipolar formado por nações praticando um protecionismo reciproco e fundamentado.

O mundialismo por outro lado é um projeto ideológico – uma espécie de religião secular – que trabalha para configurar um governo mundial e a dissolução de todas as nações do mundo em uma só humanidade. Uma dissolução das nações sob o pretexto de “paz universal” (Projeto maçônico), no qual a diversidade das nações e dos povos são considerados – contrariamente com o que nos ensinou a Genesis pela alegoria da Torre de Babel – como a causa dos conflitos e das guerras que ensanguentam a terra desde os primórdios da humanidade.



Pelo direito à blasfêmia ou o politicamente incorreto como ato de resistência ao totalitarismo imperial

(Alain Soral – Comprendre L’Empire – Éditions Blanche, 2011 – Página 205)

Confrontado com este catecismo trabalhando pela dissolução das nações e dos povos afim de favorecer a ditadura do dinheiro. Confrontado com esta perseguição sistemática das maiorias em nome da defesa das supostas minorias principais, em nome das liberdades, em geral proibidas.

Aparece o politicamente incorreto – que com a afirmação da existência das raças (diferença das comunidades etno-culturais), a afirmação da desigualdade dos sexos (diferença masculino/feminino) ou ainda o revisionismo histórico generalizado (senso de história, Shoah, 11 de setembro...) – longe de ser demência ou uma provocação gratuita, nada mais é do que a reação de insubordinação dos espíritos ainda livres e saudáveis frente a esta ideologia totalitária de falsidades e disparates.

A resistência, pelo espirito, à violência do império global.


Antirracismo a serviço da desigualdade social: a mentira da diversidade
(Alain Soral – Comprendre L’Empire – Éditions Blanche, 2011 – Página 230)


Um antirracismo que, quando não é a apologia à miscigenação, é a apologia igualmente nefasta do comunitarismo.Uma “política da diversidade” que pretende – depois das mulheres, dos jovens e dos gays – fazer a promoção das “minorias visíveis”, mas que consiste, na realidade, a impulsionar para frente alguns “colaboradores” e “negros de serviço”, estilo Fadela Amara e Rama Yade, devolvidos, uma vez que usados, a seu anonimato.

Uma vontade de racialização das relações sociais que, além de fortalecer as tensões étnicas em períodos de crise, só serve para mascarar o declínio geral da igualdade social e do fracasso da ascensão republicana como regime neo-liberal.
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