quarta-feira, 30 de março de 2016

Uriel Irigaray: A maioria das pessoas vivas já estão mortas




A maior parte dos homens que caminham pelas ruas em verdade já morreu; não são mais que cadáveres ambulantes. Sua essência pereceu há muito, mas as suas funções orgânicas continuam operando (inclusive as mentais) - a máquina, em suma, segue funcionando, de forma caricata e estereotipada, previsível, embora sujeita a colapsos ocasionais. Não há mais alma alguma ali, só a mecânica de impulsos, ideias cristalizadas, como uma cobra que continua se contorcendo mesmo após ter a cabeça esmagada ou um frango decapitado correndo

Esses homens mortos sentam-se à mesa e comem, conversam sobre o tempo e sobre política e vão trabalhar. Alguns deles sentam-se à cabeceira de grandes mesas e outros governam nações e decidem sobre o destino de milhões de pessoas (vivas - ou mortas como eles próprios). O mundo é um grande cemitério e boa parte da sociologia e psicologia não é senão a autópsia dessa massa zumbi putrefata e seca. 

O homem vivo com certeza enlouqueceria se pudesse, num lampejo, ver quanto dos seus conterrâneos em verdade já morreram, tanto conterrâneos de seu convívio que se sentam à mesa com ele e deitam-se com ele quanto multidões que vagam pelas cidades grandes. Esse é um segredo que poucos podem suportar - ninguém o pode impunemente. Mas é um segredo que liberta. É inútil dialogar ou buscar tocar o coração desses cadáveres. Deixe-se os mortos descansar em paz - e deixe-se os mortos enterrarem seus mortos.


I see dead people.
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segunda-feira, 21 de março de 2016

Saul Ramos - Neoliberalismo e concentração fundiária: excelentes produtores de fome e subdesenvolvimento no mundo


Neoliberalismo e concentração fundiária: excelentes produtores de fome e subdesenvolvimento no mundo

Por Saul Ramos de Oliveira*



            ‘’Um povo que não consegue produzir seus próprios alimentos é um povo escravo’’, já dizia, o grande revolucionário e nacionalista cubano, José Martí. A fome e a insegurança alimentar ainda são fantasmas que assombram o mundo, em especial, os países subdesenvolvidos localizados na Ásia, África, e América Latina.



            Segundo os dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação), cerca de 805 milhões de pessoas sofrem de fome em todo o mundo. Na África Subsaariana, que corresponde quase a totalidade do continente africano, mais de uma em quatro pessoas sofrem com a desnutrição. Na Ásia a situação é ainda pior, com cerca de 578 milhões de desnutridos.

            A América Latina e Caribe se tem um panorama mais positivo, contudo, com muito ainda a ser feito. Segundo os dados da FAO, a fome diminuiu de 14,7% para 5,5% nos últimos 20 anos, com destaque para Bolívia, Nicarágua, Brasil, Argentina e Haiti. No Brasil, a desnutrição vem caindo consideravelmente. Na década de 90, a desnutrição correspondia em torno de 22 milhões de pessoas, representando 14,8% da população. Hoje, a taxa é em média 5%. É importante, novamente, frisar, assim como na América Latina, mesmo com a diminuição dos índices de desnutrição e fome no Brasil, ainda são necessárias várias medidas governamentais e reformas para erradicar a fome de uma vez por todas das vidas dos brasileiros.

            Analisar as causas da fome dos países subdesenvolvidos seria algo extremamente complexo, pois, são muitos os fatores responsáveis por tal flagelo como guerras, questões climáticas, falta de tecnologias, problemas políticos e etc, todos provocam fome. Contudo, podemos identificar dois fatores que são cruciais para a insegurança alimentar, a falta de políticas publicas voltadas para a produção de alimento e a redução das áreas cultiváveis com culturas alimentícias devido a concentração fundiário e o neoliberalismo.

            No continente africano, a soberania de seus países está totalmente ameaçada pelas crescentes compras de terras por agentes externos, tendo a criminosa Monsanto como ponta de lança desse processo. Estima-se que mais de 60 milhões de hectares estão nas mãos desses carteis, sendo usados para a produção de culturas agrícolas de caráter energético. Esses carteis criminosos não só geram fome tomando as terras africanas, mas também geram problemas ambientais de vários tipos, como: poluição e salinidade dos solos, desmatamento, exploração e poluição de mananciais hídricos, entre outros. Associada a isso, a falta de políticas públicas para a produção de alimentos amplifica a fome nesses países.

            Na Ásia, a situação se assemelha à África. Dados da FAO indicam que a fome nesse continente está totalmente atrelada à diminuição das áreas cultiváveis. Isso vem causando problemas graves de abastecimento interno dos países asiáticos. O aumento dos preços dos alimentos, devido à especulação financeira agrícola dos carteis estrangeiros, também, é forte gerador de fome em toda Ásia.

            Também é notória a falta de programas políticos e projetos agrícolas para combater a fome em toda Ásia. A indonésia, através de um pacote de ações entre o governo, ONGs e as comunidades, vem se destacando como modelo, pois, vem conseguindo diminuir a fome em todo país. O exemplo da Indonésia precisa ser expandido para toda a Ásia.
            Na América Latina, embora tenha havido redução da fome, vários países dessa região ainda sofrem com desnutrição e a fome. O latifúndio e as poucas unidades de produção agrícola familiar vêm contribuindo para que os países Latino Americanos não superem a insegurança alimentar. Também vale apena lembrar que vários países dessa região tiveram seus projetos de reforma agrária interrompidos devido à vários golpes de estados patrocinados e articulados pelos Estados Unidos e a CIA, por exemplo, a derrubada de Jacobo  Arbenz na Guatemala (1954) e João Goulart no Brasil (1964), ambos tentaram realizar uma reforma agrária.
            As ditaduras impostas pelos Estados Unidos tiveram como missão deixar esses países subdesenvolvidos e semicolônias, os limitando apenas a agroexportadores de comodites agrícolas. Isso prejudicou o desenvolvimento de uma industrialização nacional e também a produção de alimentos voltada para o consumo interno para que gere segurança alimentar.
            No Brasil, a concentração fundiária é algo presente à décadas. Isso impede o aumento das áreas cultivadas por alimentos, pois, grande parte das vastas áreas concentradas produzem apenas soja, milho e cana-de-açúcar, todas exportadas sem quase ou nenhum processamento interno. Mesmo a produção familiar produzindo quase tudo que é colocado nas mesas dos brasileiros, gerando 74% da mão de obra no campo e correspondendo 33% do PIB agropecuário, o segmento apenas ocupa 25% das terras agricultáveis brasileiras. Outra contradição é a distribuição dos recursos públicos na agricultura. O plano safra 2015 destinou ao agronegócio cerca de 187 bilhões e para a agricultura familiar 29 bilhões.

            Mesmo o Brasil tendo adotado políticas públicas de fortalecimento, a agricultura familiar e segurança alimentar como: PAA, Fome Zero, PNAE, e a tentativa de revitalização da CONAB, a desnutrição ainda é frequente em todo Brasil, em especial, nas regiões Norte e Nordeste. A falta de políticas voltadas para a agricultura familiar e uma melhor distribuição das terras são peças chaves para o aumento da fome nessas regiões.

            Se me permitem um breve estudo de caso, o estado da Paraíba não produz em quantidades suficientes vários alimentos importantíssimos para qualquer dieta, em especial, hortícolas como frutas e hortaliças. A falta de uma reforma agrária na Mesoregião do Sertão paraibano devido a uma forte herança de latifundiários que praticavam a pecuária hiperextensiva e na Mesoregião da zona da mata onde se é consolidado o latifúndio canavieiro (Por sinal, era uma excelente área para se fazer reforma agrária e a destinar para a produção de alimentos devido sua proximidade com as regiões metropolitanas de João Pessoa e Campina Grande), limita a produção de alimentos no estado, bem como, ocasiona aumento dos preços dos mesmo, devido a necessidade de importação de outros estados.

            Assim como em vários países da África e Ásia, o Brasil também vem sofrendo desnacionalização de suas terras através do capital estrangeiro. A crise global do capital especulativo levou várias hordas de especuladores a investirem em terras, etanol, exploração silvícola, etc. Isso só não gerou redução das áreas produtoras de alimentos, como gerou aumento dos preços das terras prejudicando suas compras por pequenos e médios produtores. 

            Em primeiro lugar, é preciso desmistificar as falácias neoliberais, entre elas, as que dizem que os países subdesenvolvidos podem passar a serem desenvolvidos com a adoção do livre mercado ou seguindo suas repugnantes cartilhas econômicas. O subdesenvolvimento e a fome na Ásia, África e América Latina é um plano. Um plano traçado e colocado em prática por carteis transnacionais com o intuito de domínio político e para depredar e exaurir até os últimos recursos naturais desses continentes e dessa região.

            E necessário que os países atingidos pela fome tomem as rédeas de seus governos, que nacionalizem suas terras expulsando os predadores externos que façam uma reforma agrária eficiente, que não enfatize apenas o repasse das terras e sim todas as medidas de uma real reforma agrária, como: cooperativas, agroindústrias, assistência técnica rural, escolas e postos de saúde no campo.

            Entendemos que as causas do subdesenvolvimento e da fome em vários países vão além da concentração de terras e da diminuição das áreas cultiváveis por alimentos. Mas a frase de José Martí cai como uma luva se associarmos à fome com o subdesenvolvimento de vários países, pois a nação que não resolve a necessidade mais básica dos seres humanos que é a de alimentar não tem possibilidade alguma de tratar de outras questões. Além do mais, um povo faminto é um povo sem educação, sem saúde, sem confiança, sem moral e sem espirito, ou seja, um povo facilmente escravizado.


* -Saul Ramos de Oliveira é Engenheiro Agrônomo, e Mestrando em Horticultura Tropical, Ambos pela UFCG.

Fontes:

Adital: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=85240

FAO: http://www.fao.org/news/story/pt/item/243923/icode/

FAO: https://www.fao.org.br/nppfea800mpoe.asp


PlanaltoGoverno:http://www4.planalto.gov.br/consea/comunicacao/noticias/2014/ibge-divulga-pnad-sobre-seguranca-alimentar-no-brasil

Terras notícias: http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/onu-pede-mudancas-na-regiao-asia-pacifico-para-erradicar-fome,94b84670c0ada310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

BBCBrasil:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/02/140217_graziano_milao_pai_ga

Informes especiales: http://informes.rel-uita.org/index.php/pt/sociedad/item/conglomerados-economicos-comiendose-a-paises-enteros

Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/economia/agricultura-empresarial-7-x-1-agricultura-familiar-6340.html

MDA Governo Federal. Plano safra 2015: http://www.mda.gov.br/plano_safra/

MAPA Governo Federal. Plano safra 2015: http://www.agricultura.gov.br/pap

IBGE:http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/brasil_2006/Brasil_censoagro2006.pdf

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sexta-feira, 18 de março de 2016

Perguntas Frequentes ao Avante


Algumas questões centrais e frequentes são levantadas em relação ao Avante enquanto grupo e organização política, social, cultural e ideológica. Aqui, reunimos os principais questionamentos, esclarecendo-os ao público geral.

1- Quando o Avante foi fundado?
Diversas ações e projetos formaram a ideia daquilo que se tornou o Avante como ele é hoje, muito antes mesmo de sua fundação oficial, em 15 de Maio de 2015.


2- O que é o Avante? 
O Avante é um organismo autônomo e independente de articulação social, cultural, política e ideológica. É a organização de camaradas empenhados em diversas atividades, como a produção textual, grupos de leitura e estudos, tradução, ações sociais (trabalho voluntário, doações, etc.), ações de rua (panfletagem, diálogo e entrevistas de campo) e outras ações (como acampamentos, trilhas, excursões, práticas de artes marciais e defesa pessoal, etc.). Em resumo, somos um grupo de ação e uma alternativa ideológica para todos aqueles que desejam participar de um organismo efetivo de mobilização.


3- Quais os principais ideais?
Os principais ideais do Avante são o aprimoramento pessoal, a ação e a mobilização social e comunitária e a organização autônoma, além do ambientalismo consciente. Estamos bem alinhados aos ideais gerais da Multipolaridade e da Quarta Teoria Política, além de conceitos como a Nova Direita. 


4- Qual a visão política e ideológica do grupo? Esquerda, Direita, Comunismo, Liberalismo?
Nós não nos definimos de modo estreito em uma ideologia específica, e não nos alocamos em um espectro único do panorama político-ideológico. O Avante é um projeto de reconciliação e diálogo entre pontos que foram estabelecidos como opostos, mas que são plenamente conciliáveis. Nosso lema "Esquerda do Trabalho, Direita dos Valores" expressa bem isso: o engajamento social e a valorização trabalhista típicos da Esquerda e a valorização do núcleo familiar, das tradições e do identitarismo valorizados pela Direita consciente. Nós acreditamos que a defesa e o ataque de certas pautas não devem ser ações baseadas em visões delimitadas pelas terminologias políticas, mas sim pela coerência, racionalidade e justiça de se defender ou atacar algo. Assim, defendemos e atacamos certas pautas baseados no valor que elas possuem, e não em determinismos ideológicos. Entretanto, o Avante é um grupo altamente antiliberal e com forte crítica anticapitalista, e esse não é um ponto negociável.


5- Que tipo de pessoas integram o Avante?
Em nossas fileiras, há pessoas dos mais variados níveis de escolaridade, trabalhadores dos mais diversos ramos, homens e mulheres, jovens e adultos maduros. Pessoas de excelente capacidade e com talentos diversos que, somando forças, fazem do grupo um organismo forte, coeso e expansivo.


6- Quais os objetivos do grupo?
Desejamos fortalecer nossos trabalhos atuais e expandir o grupo, aumentando nosso poder de ação e de mobilização. Dessa forma, temos como meta principal estruturar o Avante para agir cada vez mais como um grupo de mídia alternativa, pressão política, mobilização de voluntariado, ativismo ambiental e atividade cultural-filosófica, oferecendo uma alternativa de mobilização para além do panorama atual e da política convencional.


7- Vocês pretendem se tornar um partido político?
O Avante não se estabelece como a construção de um partido político. Nós temos atuação política e ela certamente será intensificada, mas não a faremos pelos meios e instituições convencionais. Em relação a isso, já há outros grupos e pessoas que estabelecem esse projeto e que, se demonstrarem identificação com aquilo que defendemos, terão nosso apoio dentro dessas esferas. Acreditamos que nosso valor político e poder de atuação pode ser muito maior fora desses ambientes convencionais do que dentro deles.


8- Vocês são anti americanistas?
Nós não adotamos o anti-americanismo infantil da Nova Esquerda (que, ironicamente, glorifica todo o estilo de vida ocidental e americanista). Nossas críticas, em relação aos EUA, se referem à política internacional adotada pelo país e suas práticas de governo, não ao povo norte-americano em si, que deve ter o direito de preservar suas próprias identidades culturais e formas de pensamento. Defendemos que os EUA precisam se interessar mais por suas questões internas e abandonar seus projetos de intervenção global que, por motivos óbvios e visíveis, causaram mais instabilidade do que ordem - e cujas consequências são sentidas hoje pelo próprio povo norte-americano.


9- Qual a visão de vocês sobre o sionismo e Israel?
Nosso grupo se posiciona terminantemente contra o sionismo enquanto articulação política, financeira e filosófica e critica as políticas adotadas pelo atual governo israelense, principalmente em relação à questão palestina. Há um morticínio em curso e ele não pode ser negado. O sionismo tem agido como instrumento de desarticulação de nações e elemento de aprisionamento e desmotivação dos orgulhos e autonomias nacionais, funcionando como uma superestrutura global. Entretanto, nossa posição não deve ser vista como um anti judaísmo infantil. Os judeus, como qualquer grupo cultural e étnico, devem preservar sua própria cultura - o que não se deve permitir é a utilização dessa premissa e do sionismo para suprimir o mesmo direito em outros povos, como o que vem acontecendo com os palestinos.


10- Qual a posição do grupo sobre a atual crise política e econômica?
O Avante rejeita as posições de defesa governista. É notória e expressivo o fato de que o atual governo traiu toda a pauta trabalhista sobre a qual havia construído sua identidade e sua plataforma. E é inegável que o povo trabalhador tem sofrido com a perda de seus direitos e de sua estabilidade profissional e econômica. Entretanto, nossas críticas ao governo atual não se alinham aos instrumentos liberais que, se aproveitando da situação corrente, oferecem soluções antigas e ainda piores para o problema. Só existe uma solução: a completa reformulação política e estrutural do país, a defesa da nossa soberania, o desenvolvimento do parque industrial interno e a colocação do Brasil como potência geopolítica. A solução do problema vai muito além de uma simples retirada e da adoção de privatizações a esmo. 


11- O grupo de inspira em alguma figura?
Admiramos figuras dos mais variados espectros ideológicos, seja por suas ações no campo econômico, ideológico ou filosófico ou simplesmente pelo significado anti imperialista e anti globalista contido nelas. Entretanto, nosso apoio a diversas figuras não deve ser visto como uma glorificação ilimitada: nós reconhecemos os erros em cada uma delas e defendemos tão somente aquilo que consideramos como positivo.


12- Em quais lugares do Brasil o Avante está presente?
Estamos presentes, até a data atual, em 13 localidades: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Pará, Bahia, Ceará e Maranhão. Há outros grupos e células em curso e logo faremos a expansão para mais localidades.


13- Como posso participar do Avante?
Para participar do grupo, o interessado deve entrar em contato conosco através de nossa página oficial manifestando sua vontade e as razões pelas quais deseja atuar conosco. Se já houver uma célula ou trabalho em curso na sua localidade, você será colocado em contato com os membros mais próximos de você. Caso não exista uma célula próxima, você poderá iniciar os trabalhos e formar um grupo.


14- O que eu devo esperar participando do Avante? 
Participar do Avante proporciona a possibilidade de conviver com camaradas de ideais parecidos, praticar esportes, acampamentos, artes marciais, participar de grupos de leitura e estudos, fazer trabalho voluntário e ativismo consciente. E, acima de tudo, significa comprometer-se com uma carga de deveres e um mínimo de engajamento, naquilo que você puder e naquilo que estiver ao seu alcance, sempre progredindo mais.


15- O grupo tem algum código de conduta?
Temos as Vinte Regras que servem como um código de conduta e ação para todos os nossos membros. Você pode visualizá-las clicando aqui.



Se você tem interesse em participar conosco, entre em contato:

contatoacaoavante@gmail.com
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segunda-feira, 7 de março de 2016

Como a economia mainstream manipula nossas mentes

manipulate
Nós realmente decidimos o que queremos?

Por: John Komlos
Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho

O aspecto mais amplo da economia padrão é que ela começa sua análise com os adultos. Isso é conveniente, já que a essa estratégia habilita a disciplina a ignorar a influência perniciosa das poderosas megacorporações na formação da mentalidade das crianças e dos jovens durante os anos de sua formação. Por desconsiderar os primeiros 18 anos como cruciais para a vida, a economia mainstream pode simplesmente assumir que os gostos e preferências já são formados quando uma pessoa entra no mercado de trabalho e que conhece perfeitamente as coisas das quais gosta ou desgosta.  

Em outras palavras, as pessoas entram no sistema econômico como adultos, com seus gostos completamente formados, e, então, as empresas não as influenciam durante sua infância. O termo técnico para isso é que os gostos são exógenos. Então, os economistas não têm de se preocupar sobre os gostos e preferências, já que isso é determinado por fatores exógenos, ou seja, por fatores externos ao processo econômico.

Isso se encaixa bem com a ideia da soberania do consumidor - a doutrina de que os consumidores ditam aquilo que as empresas produzem, enquanto "votam" através de seus dólares para canalizar a produção para um determinado meio, satisfazendo, assim, seus desejos. Enquanto os gostos são pré-determinados, os consumidores os expressam através de seus desejos, supostamente induzindo as corporações a produzir determinada quantidade e qualidade de bens para satisfazer seus desejos. 

No fim das contas, o consumidor é visto como um rei ou rainha conforme ele ou ela determina aquilo que está sendo produzido.  Se nós não exigíssemos as coisas, as empresas não produziriam essas coisas. Então, nossos desejos são satisfeitos e todos são felizes (ao menos, é isso o que os economistas convencionais alegam). 

Contudo, esse modelo é completamente fora da realidade, por conta da alegação infundada de que os gostos são exógenos. É óbvio demais que o mundo corporativo influencia nossa cultura e nossos desejos de modos profundos. Consequentemente, a teoria da soberania do consumidor é perniciosa, pois habilita os economistas a dizerem que tudo está bem. Produtores só estão fazendo aquilo que os consumidores querem que eles façam. E, no fim das contas, os consumidores não precisam de proteção, já que estão no comando.

Então, os economistas negligenciam que os desejos que vão além das necessidades básicas são aprendidos gradualmente, e não aparecem espontaneamente dentro de nós mesmos. Através do processo de socialização, nós aprendemos os termos sob os quais nós nos tornamos membros respeitados da sociedade. A fundação de nosso sistema de valor é aprendida durante os anos formativos. 

De fato, a manipulação do inconsciente infantil pela mídia repousa na fundação de uma cultura de consumismo que não pode ser desfeita por processos racionais, até que a criança atinja a fase adulta. Contudo, seria importante criar um ambiente no qual o desenvolvimento do inconsciente das crianças fosse largamente protegido da influência das corporações. 

Outro importante princípio psicológico proeminente em influenciar crianças é o condicionamento pavloviano, que, por exemplo, reforça um determinado comportamento recompensando-o. O condicionamento começa nos primeiros anos: redes de fast-food dão brinquedos para crianças como um meio de condicioná-las a desejar comer frequentemente nessas lanchonetes, mesmo quando elas não recebem algum brinde; temos também a indústria de armas, que investe milhões de dólares em campanhas publicitárias para assegurar seu futuro, permitindo que crianças cada vez mais jovens utilizem armas.  

Fabricantes de cigarros oferecem amostras grátis. E nós temos programas para usuários constantes de viagens aéreas, pontos de bônus com cartões de crédito, presentes grátis e prêmios. Os pais não têm sido bem sucedidos em blindar seus filhos desse esforço multi-bilionário de condicionamento. 

Consequentemente, quando nós atingimos a vida adulta, passamos através de um rigoroso processo de inculcamento similar ao daquele com o qual a Madison Avenue inunda os transeuntes com símbolos de sexo, poder e ícones culturais para vender produtos a seus clientes. Através dessa socialização, nós assimilamos a cultura na qual aprendemos os nossos gostos, valores e hábitos de consumo de superstars e de diversos outros ídolos projetados pela mídia através de um processo mimético. Sob tal pressão intensa, as crianças crescem sendo preparadas para se tornar consumidores confiáveis e a escolha torna-se uma pretensão de individualismo.    

A economia neoclássica ignora o papel da mente inconsciente e o papel do condicionamento na formação de nossa personalidade, pois, de outra forma, a racionalidade do Homo economicus, que é objetivo em relação aos seus desejos, é super racional, e está em perfeito controle de seu gosto, de suas emoções, e os desejos não fariam sentido.

Contudo, é enganoso pensar que nós estamos no controle de nossos gostos e valores. Assistir TV por aproximadamente três horas diárias afetaria os padrões de pensamento de qualquer pessoa. Corporações investem somas extravagantes para promover esses aspectos de uma cultura na qual elas podem lucrar, balançar nossos gostos e nos fazer sentir como se nós precisássemos de seus produtos.  

Elas contratam formadores de opinião para admoestar-nos centenas de milhares de vezes a não pensar no futuro e comprar hoje, antes que a promoção acabe; para nos saciar com uma gratificação instantânea, e para nos tentar com os mais novos e reluzentes produtos, de modo descuidado, sem preocupação com o amanhã, colocando pequenas ressalvas para nos dar uma boa impressão.

Nós estivemos tão preocupados com a ameaça de grandes governos controlando nossas vidas, que nos tornamos quase cegos para a ameaça que outras instituições nos oferecem, instituições como a Madison Avenue, Wall Street, Hollywood, Vale do Silício e megacorporações que lentamente - mas crescentemente -, ano após ano, fazem exatamente aquilo que nós mais tememos: limitar muitas de nossas liberdades e manipular muito de nossa individualidade. 

Então, para retomar nossas liberdades, nós devemos começar por proteger a individualidade das crianças do condicionamento do mundo corporativo. Isso só pode ser alcançado se nós pudermos limitar o poder das corporações de descrever uma visão tentadora (mas irreal) do Sonho Americano.
Originalmente postado em: Evonomics
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quinta-feira, 3 de março de 2016

A verdade inconveniente sobre a indústria pornográfica



Por Clécio Pereira e Jean Carvalho


AVISO: Este não é um texto moralista. O objetivo, aqui, é trazer informações úteis e reais sobre um tema pouco abordado - e, quando abordado, quase sempre o é pela ótica estritamente progressista, com seus inúmeros lados "positivos" - e de grande impacto na sociedade atual. Se você interpreta essa crítica como "moralismo", NÃO continue a leitura.

A pornografia, vista como atividade normal e parte da sexualidade humana moderna, figura com mais precisão no campo dos vícios. De fato, a mente de um adepto do uso de pornografia funciona de modo praticamente idêntico à de um usuário de drogas. Os efeitos da pornografia são individuais (mudanças no funcionamento cerebral, nos estímulos sexuais, na mente e no comportamento) e sociais (exploração, abuso, estupro, violência, pedofilia, zoofilia e outras parafilias afins, tráfico humano e trabalho escravo). 

Aqui serão abordados seus principais aspectos, causas e consequências pessoais, emocionais, cerebrais, comportamentais, sociais, econômicas, morais e humanas.

A pornografia altera a mente 
Como qualquer substância viciante, a pornografia inunda o cérebro com dopamina[1]. E, como qualquer outra droga, o cérebro exige doses cada vez maiores para atingir os mesmos efeitos. Logo, o consumo de pornografia aumenta constantemente, e as sensações de prazer são reduzidas, exigindo cada vez mais material e tempo. A facilidade de acesso à droga (à pornografia) através da internet cria a ilusão de saciedade e de rapidez para o preenchimento das lacunas de prazer. Isso faz com que, diferentemente daquilo que ocorre com outras substâncias viciantes, o usuário de material pornográfico não encare a situação como um estágio de dependência química.

A capacidade (e a quantidade) dos neurotransmissores é reduzida continuamente[2]. Atividades simples que antes seriam suficientes para satisfazer a necessidade de dopamina no cérebro passam a ser insuficientes. Os viciados em pornografia precisam buscar novos materiais, cada vez mais abusivos, cada vez mais agressivos e explícitos. O vício danifica áreas cerebrais responsáveis pela análise e tomada de decisões importantes (o lóbulo frontal, responsável pela solução de problemas), já que a pornografia "reprograma" o cérebro para necessidades de curto prazo (masturbação, ejaculação, orgasmos cada vez mais rápidos e mais fracos). 

Dessa forma, a pornografia altera a própria estrutura cerebral e reconfigura as áreas responsáveis pela recepção, controle e processamento de prazer. Quanto mais pornografia o viciado usa, mais o lóbulo frontal é danificado e mais comprometida é a capacidade de estimular as áreas cerebrais responsáveis pelo prazer, o que exige níveis cada vez maiores de dopamina[3]. A boa notícia é que, como em qualquer vício, os danos podem ser "desfeitos" ou no mínimo reduzidos, conforme o viciado abandona gradativamente o uso da pornografia. As áreas anteriormente danificadas voltam ao normal, ou se regeneram para grande parte daquilo que eram originalmente, e toda a sensação de busca e recompensa é restaurada a um patamar mais agradável.

A Pornografia deteriora sua vida sexual
A facilidade de acesso ao conteúdo adulto dá a sensação de saciedade, facilidade, abertura, compreensão, melhor entendimento do sexo e, logicamente, de um melhor desempenho sexual e uma vida sexualmente ativa mais satisfatória[4]. Porém, o vício em pornografia pode piorar a vida sexual ou, até mesmo, conduzir á total ausência dela.

Trinta anos atrás, os homens desenvolviam disfunção erétil na velhice, geralmente após os 40 anos[5], quando a circulação sanguínea se deteriora, tornando difícil manter uma ereção. Isso foi antes de a pornografia se tornar massiva. Hoje, a disfunção erétil atinge muitos homens de 20 anos, ou seja, é um problema que afeta cada vez mais homens novos. 

O problema não está no pênis em si, mas sim no cérebro. O problema é que, acostumado à pornografia e condicionado a ela como forma de obter prazer e liberar ocitocina, o cérebro de um viciado acaba perdendo a capacidade de se estimular sexualmente através de reações químicas desencadeadas pelo toque, cheiro, audição e pelo corpo real de uma mulher. Dessa forma, o usuário de pornografia viciado é condicionado a obter prazer numa sala, sozinho, de frente a um computador, e não acompanhado de outra pessoa[6].


"Será que assistir muita pornografia possivelmente causa problemas com a performance sexual masculina, como disfunção erétil? Evidências sugerem crescentemente que este pode ser um dos efeitos colaterais da fascinação do homem pela pornografia, e isto ainda pode estar se tornando o mais comum problema da saúde sexual masculina.

Uma pesquisa com mais de 28.000 homens italianos descobriu que o consumo excessivo de pornografia, começando aos 14 anos, e o consumo diário entre o início e meados dos 20 anos, insensibiliza os homens para até as mais violentas imagens. De acordo com o chefe da 'Società Italiana di Andrologia e Medicina della Sessualità' (SIAMS), isto pode causar disfunções sexuais masculinas pela diminuição de libido e eventualmente levando à inabilidade para a ereção.

Viciados em pornografia, acostumados aos padrões mostrados nas cenas dos materiais que consomem, perdem atratividade e capacidade de atração sexual por parceiras "reais". "Devido à pornografia disponível na internet, nós estamos descobrindo que este tipo de disfunção sexual é uma entidade real", diz David B. Samadi, Doutor em Medicina, presidente do departamento de urologia e chefe de cirurgia robótica no Hospital de Lenox Hill, em Nova Iórque. "É um problema no cérebro, não no pênis.". Até certo ponto, disfunção erétil relacionada à pornografia pode afetar qualquer, mas Dr. Samadi diz que lhe parece mais propenso entre homens jovens que estão em sua adolescência ou no início dos 20 anos.

Em referência aos estudos da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, em Baltimore, descobriu que cerca de 18 milhões de americanos possuem disfunção erétil, significando que eles são incapazes de obter e manter uma ereção suficiente para a relação sexual. O problema pode ser físico, em relação ao bloqueio de sangue para o pênis; psicológico, ou uma combinação.

"Na maioria das vezes, doenças crônicas, como doenças cardíacas e diabetes, contribuem para a disfunção erétil; mas na minha prática particular, eu diria que 15 a 20 porcento das disfunções eréteis que eu vi estavam relacionadas ao consumo de pornografia," diz Muhammed Mirza, Doutorado em Medicina, um internista baseado na Cidade de Jersey, Nova Jersey, e fundador da ErectileDoctor.com

Como saber se você tem risco de obter uma disfunção erétil relacionada à pornografia? Não é necessariamente quanto de pornografia que a pessoa assiste. O tipo pode ter também um papel, diz Samadi. Diferente das imagens pornográficas "softcore" (Brandas) que encontramos em revistas como Playboy ou Penthouse, pornografia online é geralmente mais visual e retrata comportamentos bizarros, depravados e violentos. Está também disponível 24 horas.

Pornografia pode levar a expectativas irreais que aumentam a tolerância de uma pessoa para o sexo. Samadi comparou o fenômeno com o que ocorre quando alguém consome consistentemente mais e mais álcool. Eventualmente, a pessoa tem mais dificuldade em se sentir embriagada. O mesmo ocorre com a pornografia e a performance sexual. "Você precisa de mais e mais estímulos já que você criou uma certa tolerância, e então surge a possibilidade com a sua esposa ou parceira, e você não é mais capaz de fazê-lo," ele diz. Muita pornografia pode insensibilizar o homem para o sexo, e, eventualmente, ele pode ficar incapaz de se excitar com encontros sexuais casuais, Samadi explica.

O consumo crônico de pornografia pode causar uma mudança nas químicas cerebrais que contribuem para disfunção erétil, diz Dr. Mirza. "Suas expectativas se tornam maiores do que o normal," ele diz. "Se você assistir qualquer imagem de um vídeo pornográfico, elas são ampliadas. Não é assim que uma anatomia normal age". Samadi concorda: "Muitas das imagens que aparecem na pornografia são irreais e aumentadas," ele diz. "Ninguém pode seguir com isto por horas."

"Isto é muito diferente da vida real", diz Nicole Sachs, Assistente Social Clínica Licenciada, assistente social em Rehoboth, Delaware, e autora de "The Meaning of Truth.". As imagens irreais vistas em algumas pornografias podem levar o homem ou a mulher a se sentirem autoconscientes, o que poderia levar a problemas com a função e a intimidade, ela diz.

"O que parece tão fácil na pornografia vira um trabalho árduo na vida real," ela diz. "O sexo na pornografia ou mesmo na prostituição é rápido, fácil e impessoal," ela diz. "A intimidade é difícil e pode se tornar embaraçosa." Uma fila de vídeos pornôs pode parecer um meio fácil para extravasar, mas isto pode levar a um ciclo vicioso. "Impotência gera impotência e o interesse em pornô surge daí," ela explica." 

A exploração da mulher na indústria pornográfica
Segundo Shelley Lubben, ex-atriz pornô americana e uma das principais lideranças antipornografia da atualidade, fundadora da Pink Cross Foundation - organização de caridade pública, dedicada a conceder auxílio emocional e financeiro aos trabalhadores da indústria -, a indústria pornô detém os seguintes números:
- 70 das estrelas pornôs que conhecemos cometeram suicídio.
- O principal meio de suicídio entre as estrelas pornôs é o enforcamento.

- 228 estrelas pornôs morreram de AIDS, drogas, suicídio, homicídio; mortes acidentais e prematuras desde 2003.

- A expectativa de vida de uma estrela pornôs é de 36,2 anos.
- 38 casos de mortes por drogas entre estrelas pornôs desde 2003.
- 52 suicídios entre estrelas pornôs desde 2000.
- A obtenção de clamídia e gonorreia é 10 vezes maior entre os profissionais do ramo do que entre pessoas do município de Los Angeles, entre seus 20-24 anos.
- 2.396 casos de clamídia e 1.389 casos de gonorreia reportados entre os atuantes, desde 2004.
- 31 casos de HIV reportados entre estrelas pornô desde 2003.
- Performances pornográficas experienciam uma chance maior de infecção (20%) do que entre o público geral (2,4%).
- Entre 130 profissionais héteros e gays morreram de AIDS.
- 514 estrelas pornôs morreram de AIDS, drogas, homicídio, suicídio e outras mortes prematuras no total.
- Uma recente análise dos 50 filmes adultos mais vendidos revela que, entre todas as cenas: 48% de 304 cenas contêm agressões verbais, enquanto mais de 88% contêm agressões físicas[7].
- Uma recente análise dos 50 filmes adultos mais vendidos revela que, entre todas as cenas, 94% dos atos de agressões são cometidos contra as mulheres.
- A cada segundo: $3,075.64 é gasto em pornografia. 28,258 estão vendo pornografia e 372 estão procurando por algum tipo de conteúdo pornográfico.
- 9 entre 10 dos jovens do sexo masculino e aproximadamente um terço das jovens do sexo feminino consomem pornografia.
- 70% das doenças sexualmente transmissíveis na indústria pornô ocorrem nas mulheres, segundo os dados de saúde pública do município de Los Angeles.
- Dos 1351 pastores entrevistados, 54% assistiu pornografia online no ano passado.
- A receita mundial da indústria pornográfica em 2006 foi de $97,06 bilhões, dos quais aproximadamente $13 bilhões foram nos Estados Unidos.
- Existem 4.2 milhões de sites pornográficos, 420 milhões de páginas pornográficas e 66 milhões de pesquisas diárias em mecanismos de busca.

A pornografia destrói casamentos e famílias
Separações motivadas por uso de pornografia não são raras. Ela atua como instrumento de instabilidade para casais, diminuição da vida sexual e distanciamento entre os membros da família.
- No encontro de 2003 da American Academy of Matrimonial Lawyers, em uma coleta de dados feita pelos advogados de divórcio da nação, os participantes revelaram que 58% de seus divórcios foram resultado do acesso excessivo por uma das partes à pornografia online.


A indústria pornográfica tem dimensões gigantescas
A indústria pornográfica é uma superestrutura gigantesca[8].
A estimativa é que há 4.2 milhões de sites pornográficos - 12% de todos os sites existentes -, permitindo o acesso de 72 milhões de visitantes pelo mundo afora mensalmente. Um quarto de todas as pesquisas diárias, isto é, 68 milhões, é por material pornográfico, onde 40 milhões dos americanos são visitantes regulares.
- Chatsworth, Califórnia, produz 85% de todo o conteúdo adulto mundial. Todas as maiores agências de talentos femininos estão localizados em Chatsworth ou em suas proximidades. As atrizes femininas são levadas para Chatsworth para trabalharem na indústria pornográfica. Todos os maiores talentos masculinos mundiais moram ou viajam para Chatsworth para contracenar. Quase todas as maiores e menores companhias de DVDs adultos estão localizadas na região de Chatsworth.
- A indústria de filmes adultos norte-americana produz cerca de 4.000 a 11.000 filmes por ano e ganha a estimativa de $9-13 bilhões em sua receita bruta anual. Uma estimativa de de 200 companhias de produção emprega de 1.200 a 1.500 atores. Os atores ganham tipicamente entre $400 a $1.000 dólares por cena e não são compensados na base da distribuição ou da venda.
- A indústria do sexo (Não só a de produção de filmes, porque tudo está ligado) lucra mais que Hollywood; NFL (The Nation Football League), NBA (The Nation Basketball Association) e MLB (The Major League Baseball) JUNTAS; NBC, CBS e ABC JUNTAS; companhias de alta tecnologia como Google, Microsoft, Yahoo, Apple, Netflix, EBay e Amazon JUNTAS[9].

A indústria da pornografia se alimenta da pedofilia

- Mais de 11 milhões de adolescentes assistem pornografia online regularmente.
- De todos os domínios online de abuso infantil, 58% estão hospedados nos Estados Unidos.
- A pornografia infantil é um dos negócios mais crescentes pela internet, sendo que o conteúdo está ficando cada vez pior. Em 2008, a Internet Watch Foundation encontrou mais de 1.536 domínios individuais de abuso infantil.
- O maior grupo que assiste pornografia online tem entre 12 a 17 anos[10].

A indústria da pornografia e a insensibilidade
Vício em pornografia tem, como consequências[11]:
- Demonstrar menor empatia por vítimas de estupro;
- Ter tendência a um crescente comportamento agressivo;
- Acreditar que mulheres vestidas provocativamente estão abertas para o estupro;
- Demonstrar agressividade contra mulheres que flertam e então se recusam ao sexo;
- Demonstrar um crescente desinteresse sexual por suas esposas e namoradas;
- Demonstrar um maior interesse em coagir parceiros a atos sexuais indesejáveis.
Alguns comentários feito pela atriz pornô Sheena Shaw e a violência a que está submetida: http://www.vice.com/…/r…/um-botao-de-rosa-que-cheira-a-merda
Sobre a violência perdurante as filmagens:
- Apenas 9,9% das cenas mais vendidas possuem algum tipo de comportamento como beijo, riso, acariciamento ou elogio;
- Tapas ocorrem em cerca de 41.1% das cenas;
- O sexo apresentado em filmes pornográficos normalmente está focado no prazer sexual masculino e em seu orgasmo, ao invés de estar igualmente com o das mulheres;
- Aproximadamente 20% de todo o conteúdo pornográfico na internet trata-se de abuso sexual infantil.
Sobre a insensibilização do consumidor, o seguinte texto que traduzi também monstruosamente explica como, através da pornografia, o homem fica apático às relações sexuais casuais, levando-o até à impotência: http://www.everydayhealth.com/…/erection-problems-this-hab…/ (Em inglês)
Um outro vídeo interessante sobre a insensibilização pela pornografia, legendado em português:
Quanto aos sindicatos, eu só encontrei esta notícia sobre o assunto (Em inglês):
É válido notar que a notícia é de 2010. 2010!
Sobre Linda Lovelace, o site de onde copio este texto estará logo a seguir:

Pornografia: depressão, suicídio, abuso físicos e psicológicos, estupros e ameaças



“Em respostas às sugestões deles, eu o informei que não me envolveria em prostituição de forma alguma e o avisei que queria ir embora. [Traynor] me batia e o abuso psicológico começou também. Eu literalmente me tornei uma prisioneira. Eu não era autorizada a sair de sua vista, nem mesmo pra ir ao banheiro, onde ele me assistia pelo buraco na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ele ouvia meus telefonemas com uma calibre 45 apontada pra mim. Eu apanhava e sofria abuso psicológico todo e cada dia. Ele cortou minhas ligações com outras pessoas e me forçou a casar com ele, aconselhado pelo seu advogado.”
Aqui ela fala da primeira experiência na pornografia:
“Minha iniciação na prostituição foi um estupro grupal de cinco homens, arranjado pelo Sr. Traynor. Foi um ponto determinante na minha vida. Ele ameaçou atirar em mim se eu não continuasse. Eu nunca tinha experimentado sexo anal antes e isso me partiu ao meio. Eles me trataram como uma boneca inflável, me pegando e me colocando aqui e ali. Abrindo minhas pernas assim ou assado, enfiando suas coisas em mim e dentro de mim, brincando de dança das cadeiras com as partes do meu corpo. Eu nunca me senti tão assustada e desgraçada e humilhada na minha vida. Eu me senti como lixo. Me envolvi em atos sexuais por pornografia contra a minha vontade pra evitar ser morta. As vidas de meus familiares foram ameaçadas.”
Agora, o que a maioria das pessoas não sabem e que é, possivelmente, a pior coisa que Lovelace presenciou. Por um vislumbre de horror, há um vídeo tão horrível que ela se recusou a reconhecer que participou nele de qualquer forma, até uma cópia vazou e a prova conclusiva foi dada.
É chamado “Cachorro Comedor” e é, provavelmente, auto-explicativo. Linda Lovelace é forçada a ser penetrada por um cachorro, em frente à câmera, contra sua vontade. Ela foi forçada a gravar depois de seu marido/agente/abusador/estuprador apontar uma arma em sua cabeça e lhe dar duas opções: gravar o filme ou comer uma bala. Eu não vou entrar em mais detalhes, isso é suficiente pra dizer o tipo de abuso que tem sido pra grande parcela da pornografia desde sua inserção moderna, nos anos 70."

Aqui há mais um pequeno documentário sobre o assunto (Quase 12 minutos), que inclusive conta com a aparição da senhorita Shelley Lubben. O vídeo começa com cenas fortes - o que já evidencia o verdadeiro estupro que ocorre nessa indústria -, então sugiro que, caso tu não tenhas um estômago muito forte, ou isto possa levar-te a lembranças não muito boas, que não o vejas. Ele está completamente em português:
Sobre a forma como as atrizes são coagidas a entrar para essa indústria, de uma forma ou de outra, fica o exemplo da senhorita Sasha Grey. Dizia-se que ela teve uma vida mansa durante sua vida na indústria, não sofrendo o que foi denunciado aqui; porém, parece que a história é bem diferente (Lê-se pior) do que seus fãs fazem parecer. Traduzi a seguinte notícia do inglês, sendo que o link para a mesma - e para outras duas sobre o mesmo assunto - estará logo após à tradução.
"Sasha Grey diz que ela foi "atraída" [Estas aspas são por minha conta] para a pornografia pelo seu violento e abusivo ex-namorado - que a convenceu de que ele era um espião militar que precisava de "cobertura"... E agora ela tem medo de que ele possa voltar para machucá-la.
Grey diz em novos documentos judiciais que Ian Cinnamon a submeteu a anos de abuso e agressões sexuais - iniciadas em 2005, quando ela tinha 16 e ele tinha 29 anos.
Grey diz que foi Cinnamon quem a convenceu a se tornar uma estrela pornô, dizendo que ele era um agente secreto e que ela seria uma ótima cobertura para ele. E foi assim: ele a convenceu de que trabalhava para DIA (Defense Intelligence Agency).
Grey diz que Cinnamon se tornou fisicamente abusivo. Em uma ocasião, ela disse que ele havia se esquecido de checar os testes de DSTs de um dos seus contracenantes, e ele ficou furioso, lançando objetos da casa contra ela.
Grey diz que ela terminou o relacionamento em 2012 [Ela saiu do cinema pornô em 2011] e ele recentemente começou a enviar-lhe inúmeras mensagens com ameaças - algumas com imagens de pistolas.
Um juiz concordou que Cinnamon era uma ameaça e o ordenou que mantesse uma distância de 182,88 metros (200 jardas) dela.

Indústria pornográfica: um inimigo a se combater
A pornografia destrói o modo natural com o qual os seres humanos se relacionam com suas próprias sexualidades, desintegra relações com seus parceiros e a capacidade de sociabilização e criação de relacionamentos saudáveis. Separa e afasta membros da família, causa divórcios e crises domésticas. Expõe crianças, além de utilizar-se delas, dando grande abertura à exploração sexual infantil. Beneficia-se do tráfico humano, movimenta milhões do tráfico de drogas. 

A indústria pornográfica é um mal a ser combatido. Encarar esse fato sob o prisma de mera "reação moralista" é negligenciar toda a gama de fatos abordados e expostos aqui e em inúmeras outras fontes. Pornografia deve ser combatida como qualquer outra droga e vício. E, embora muitos posam dizer que a utilizam e não sofrem dos prejuízos e problemas aqui citados, seus exemplos individuais não refutam uma realidade de milhões.

Para aqueles interessados em superar o vício na pornografia, acessem este site (totalmente gratuito e em português): Como parar o Vício em Pornografia

Referências

* Para melhor compreensão do leitor, as referências foram traduzidas para este texto (títulos dos estudos, das instituições, títulos dos periódicos e revistas, etc.)

[1] Hilton, D. L. (2013). Vício em Pornografia—Um Estímulo Supranormal Considerado no Contexto da Neuroplasticidade; Neurociência Sócio afetiva e Psicologia; Georgiadis, J. R. (2006); Mudanças Cerebrais Regionais de Corrente Sanguínea associadas com o orgasmo clitoriano Induzido em Mulheres Saudáveis; Jornal Europeu de Neurociência, edição 24, 11:3305-3316.   

[2] Hilton, D. L., e Watts, C. (2011). Vício em Pornografia: Uma perspectiva Neurocientífica; Neurologia Cirúrgica Internacional, 2: 19; (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3050060/) Angres, D. H. e Bettinardi-Angres, K. (2008). A Doença do Vício: Origens, Tratamento e Recuperação; Mensário de Doenças 54:696-721; Mick, T. M. e Hollander, E. (2006); Comportamento Sexual Impulsivo-Compulsivo, CNS Spectrums, 11 (12):944-955.

[3] Angres, D. H. e Bettinardi-Angres, K. (2008). A Doença do Vício: Origens, Tratamento e Recuperação; Mensário de Doenças 54: 696-721; Zillmann, D. (2000). Influência do Acesso Irrestrito ao conteúdo erótico por parte dos Adolescentes e Jovens Adultos - Disposições Acerca da Sexualidade, Jornal de Saúde Adolescente 27,2:41-44.

[4] Paul, P. (2010). Da Pornografia para o Pornô, do Pornô ao Porn: Como a Pornografia se tornou a Norma; In J. Stoner e D. Hughes (Eds.), Os custos sociais da Pornografia: uma coleção de Documentos (pags. 3-20); Princeton, N.J.: Witherspoon Institute.

[5] Capogrosso, P., Colicchia, M., Ventimiglia, E., Castagna, G., Clementi, M. C., Suardi, N., Castiglione, F., Briganti, A., Cantiello, F., Damiano, R., Montorsi, F., Salonia, A. (2013). Um dentre quatro pacientes diagnosticados com disfunção erétil é jovem — Um quadro preocupante sobre a prática clínica cotidiana; Jornal de Medicina Sexual 10,7:1833-41; Cera, N., Delli Pizzi, S., Di Pierro, E. D., Gambi, F., Tartaro, A., et al. (2012). Alterações Macroestruturais da Matéria cinzenta na Disfunão Erétil Psicogênica Subcortical. PLoS ONE 7, 6: e39118; Doidge, N. (2007). O Cérebro que muda a si mesmo; Nova York, Penguin Books, 105.

[6] Hilton, D. L. (2013). Vício em Pornografia - Um Estímulo Supranormal Considerado no Contexto da Neuroplasticidade. Neurociência Socioafetiva e Psicologia 3:20767; Robinson, M. and Wilson, G. (2012). Gostos sexuais são imutáveis?, Psicologia Hoje, 8 de novembro (http://www.psychologytoday.com/blog/cupids-poisoned-arrow/201211/are-sexual-tastes-immutable)

[7]  Jensen, Robert; Okrina, Debbie; Pornografia e Violência SexualNational Resource Center on Domestic Violence (Centro Nacional de Pesquisa sobre Violência Doméstica):http://www.vawnet.org/sexual-violence/print-document.php?doc_id=418&find_type=web_desc_AR 

[8] Ackman, Dan; Qual o tamanho da indústria do pornô?; Forbes: http://www.forbes.com/forbes/welcome/

[9] ABC News; Lucros da Pornografia: os segredos corporativos da América: http://abcnews.go.com/Primetime/story?id=132001&page=1

[10] Deem, Gabe; Pornografia: muitos jovens assistem, saiba duas razões pelas quais isso é um problema; Huffington Post: http://www.huffingtonpost.com/gabe-deem/porn-many-teens-watch-it-_b_5450478.html

[11] Daubney, Martin; Pornografia pode mesmo transformar pessoas em criminosos?; Telegraph: http://www.telegraph.co.uk/men/thinking-man/11376283/Does-watching-porn-really-turn-people-into-violent-criminals.html
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