segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Capitalismo: a ilusão conservadora


Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



Quando a Guerra Fria terminou, em 1991, os conservadores estadunidenses regozijaram-se com o triunfo do capitalismo democrático, que lutou durante meio século, primeiro contra o erguimento do fascismo, e depois contra o bloco soviético e o espectro do comunismo global. O colapso do Estado Soviético pareceu uma prova irrefutável de que as economias de laissez-faire estavam destinadas, pela “mão invisível” que guia a história humana, a tornarem-se uma máquina de liberdade e prosperidade que envolveria todo o globo e geraria uma nova era de paz e estabilidade – uma realização, se assim desejar, do otimismo histórico de Adam Smith e ao infindável esquema de seus discípulos (na América do Norte, ao menos), cujo entusiasmo em relação à teoria smithiana algumas vezes se assemelhou aos loucos rodopios de encantadores pentecostais de serpentes.

O surgimento dos Tigres Asiáticos e a estupenda produtividade do capitalismo chinês pareceram uma realização ainda maior, apesar de que os animadores de torcida do capital global eram notavelmente relutantes em admitir que estes “milagres econômicos” pouco tinham a ver com as doutrinas de laissez-faire e tinham um grande negócio com o fato de que os trabalhadores estadunidenses estavam carregando os déficits comerciais, e que mesmo os consumidores estadunidenses (aqueles que ainda tinham empregos decentes) excedendo, eles mesmos, em produtos asiáticos baratos.

Enquanto isso, com sua confiança vertiginosa na “excepcionalidade estadunidense”, grandes setores da Direita e da Esquerda neoliberal suportaram esforços para o “crescimento” de regimes democrático-capitalistas em cantos distantes do globo – esforços que foram quase que uniformemente desastrosos, mas que foram enormemente lucrativos para companhias como a Lockheed Martin, a Boeing e a Raytheon.

Hoje, mais de cinco anos após o fim da Grande Recessão, nossa “recuperação” não é encorajadora. Declínios acentuados nos ganhos domésticos achataram a classe média, que está afundando ano após ano. Os aspectos oficiais do desemprego são insignificantes, já que, de acordo com as mais recentes estimativas, aproximadamente 94 milhões de americanos em idade ativa foram desalojados da força de trabalho. Quando nossos atuais republicanos prometem-nos que o “crescimento” resolverá o problema, eles falham em perceber que, desde algum tempo, a maioria dos novos postos de trabalho abertos (cerca de 70%) são do tipo de baixos pagamentos, na área de prestação de serviços ou de empregos de meio período.

Eles – e seus apoiadores das corporações – cantam as orações do livre mercado, mas falham em explicar como o fato de abaixar os impostos sobre corporações trará de volta os milhões de bons trabalhos do setor de manufatura, agora estabelecidos do outro lado dos mares. De acordo com o Working America (afiliado ao AFL-CIO), só entre 1998 e 2008, mais de 51.000 fábricas foram transferidas para o além-mar, uma prática que só acelerou. Em 1979, a manufatura estadunidense empregou cerca de 20 milhões de trabalhadores; hoje, esse número foi reduzido pela metade. Nas indústrias que ainda restam, uma onda de trabalho imigrante barato, seja ele legal ou ilegal, fez com que os níveis de salário caíssem e eliminou os benefícios de saúde.

Adicionalmente, a aceleração de setores de robótica e informatização significa a perda não só de empregos repetitivos, do tipo de linhas de montagem, mas também de empregos de colarinho-branco, de escritório. Os defensores da mecanização do ambiente de trabalho argumentam que a perda de empregos desse tipo é “compensada” por um número de efeitos positivos. Alguns anos atrás, dirigindo-se ao Conselho de Relações Externas, o CEO da AT&T, Randall Stephenson, disse que a revolução tecnológica é “a melhor coisa desde a eletrificação e os sistemas de combustão interna”. Questionado sobre a resultante perda de empregos, o s.r. Stephenson disse que isso não deve ser uma preocupação. Os empregos não são realmente perdidos, já que isso é apenas “uma realocação daquelas... Oportunidades”.

Amparado por tal jargão militarista, está um cenário que se tem tornado demasiadamente comum para os trabalhadores estadunidenses. A automatização corta empregos, mas cria alguns novos que requerem um conjunto maior, ou ao menos diferente, de habilidades. Tudo isso é apenas parte do processo de “destruição criativa”. Se você mostrar um pouco de iniciativa, tomar a dianteira do seu colégio comunitário subsidiado por alguma loteria, e adquirir as novas habilidades necessárias, você terá uma chance razoável de ser “realocado” para um desses novos empregos – o que provavelmente irá requerer que você e sua família se mudem, deslocando-se meio caminho através do país.

Se você tiver sorte no novo emprego, então levarão aproximadamente outros dez anos antes que outros avanços em robótica eliminem sua posição também, ou para você simplesmente ser substituído por um trabalhador estrangeiro, com um visto tipo L1B, e forçado a treiná-lo antes de você mesmo se ver lá atrás na fila do desemprego. 

Os conservadores americanos incessantemente falam sobre a importância de preservar a família. Contudo, famílias saudáveis não exigem alguma coisa além de cheques regulares de pagamento e moradias baratas? Famílias não exigem casas enraizadas em comunidades locais, presentes durante gerações? Famílias não exigem redes locais de familiares e tradições estabelecidas, além de instituições, nas quais possam repousar? Ah, mas não é pra isso que o Facebook serve? Todos nós podemos manter contato hoje em dia, não importa a distância.

Nós temos iPhones, Twitter, Tumblr, Flickr, Instagram e Snapchat. Por acaso, nós já estivemos mais “conectados” do que agora? Essa é a lógica do capitalismo: mais tecnologia resolverá o problema criado pela tecnologia. Ou, mais precisamente, a nova tecnologia eletrônica não “resolve” o problema: ela dissolve o problema ao nos oferecer um simulacro que substitui a realidade. Estritamente falando, nós não somos mais consumidores: nós somos os consumidos.

O problema é muito mais profundo do que o deslocamento ou a privação econômica. A família natural, mesmo quando se mantêm intacta, foi, com efeito, colonizada por forças de mercado. A antiga complementaridade entre marido e esposa é destruída ou atenuada quando homem e mulher são levados para fora de casa e colocados no mercado de trabalho por conta da necessidade econômica, ou pelo casamento capitalista de fantasias igualitárias de autonomia individual, que nos persuade a acreditar que cada um encontra seu verdadeiro “valor” apenas na esfera econômica.

O grande feminista Friedrich Engels argumentou, lá no século XIX, que a completa emancipação da mulher nunca ocorreria até que a mulher fosse inteiramente integrada ao “lugar público de trabalho”. Esforços para aplicar esse conselho na União Soviética produziram resultados mistos. Hoje, o capitalismo está cumprindo esse objetivo de modo mais impressivo. Mais ou menos, a fecundidade do casamento é jogada fora quando os pais começam a notar que, conforme a ideia tradicional do lar (oikos) como centro da produção econômica fica cada vez mais distante, as crianças começam a se tornar um obstáculo ao consumismo ilimitado de bens de luxo.

Mas, mesmo aqueles casais que encontra algum “valor de uso” nas crianças, se deparam com uma batalha morro acima: o laço primordial entre os pais e sua prole é subvertido quando as crianças são encorajadas, desde a infância, por inúmeras propagandas que mostram a autoridade dos pais como uma imposição sobre sua procura pela “identidade autêntica”.

Assim, crescer na América se tornou pouco mais do que uma “crise de identidade” estendida, uma condição que gera bilhões para as manufaturas da fantasia e do desejo – especialmente para as indústrias de moda, filmes e games. Poucos se preocupam que, na idade de ir ao colégio, os jovens são presas fáceis para organizadores políticos ávidos em persuadi-los de que qualquer demonstração de desaprovação ou de julgamento é uma forma de “micro agressão”.

O aspecto mais surpreendente sobre a versão ideológica do conservadorismo desses dias é a quase completa cegueira para a natureza revolucionária do capitalismo. Conservadores sociais, a maioria dos quais é presumivelmente simpática à nossa herança moral cristã, deveriam lançar olhares mais desencantados sobre os clamores daqueles que defendem regimes de corporações transnacionais que mantém todos nós como reféns da lei de destruição criativa. 

Esse termo, primeiramente introduzido na economia americana pelo discurso feito em 1940 pelo economista austro-americano Joseph Schumpeter, ganhou um grande negócio de tração no auge econômico da década de 1990, e continua a subscrever a teoria do “empreendedor”, outra noção schumpteriana. Apropriadamente compreendida, a lei da destruição criativa revela o núcleo essencialmente neo-pagão do capitalismo moderno tardio (e, talvez, aquilo que sempre foi seu embrião).

Em seu último significado maligno, destruição criativa refere-se simplesmente à incessante mudança estrutural e tecnológica que guia o dínamo capitalista e sua universalmente conhecida capacidade de inovação e produção. Ainda assim, esse “fato essencial” sobre o capitalismo também se estende à procura por novos mercados, que, na economia de consumo, requer a simulação de novos desejos que podem emergir apenas através da destruição de antigas identidades, diferenças, lealdades, morais, tradições e territórios – em resumo, a morte de tudo aquilo que os conservadores alegam manter.

Conforme Schumpeter reconheceu com alguma apreensão (não como aquela de seus dias), o “processo capitalista, do mesmo modo através do qual destruiu o padrão de sociedade feudal, agora mina a si mesmo”. Esse é o niilismo nietzschiano que se põe atrás do véu do otimismo providencialista smithiano.

Conforme Hugo e Erik Renert recentemente argumentaram, o conceito da destruição criativa chegou até Schumpeter por meio do economista alemão Werner Sombart, que se inspirou tanto em Marz quanto em Nietzsche. No trabalho de Nietzsche, a destruição criativa não é uma ideia econômica, mas sim filosófica, que é expressa em textos como “A Genealogia da Moral”, contendo metáforas econômicas. Essa ideia abrange diversos preceitos e é profundamente anticristã. Ela assume uma visão neo-pagã da História, ao mesmo tempo cíclica e progressiva, na qual novos paradigmas morais e culturais emergem da destruição daquilo que é velho.

A criação é sempre o produto da destruição. Mas o papel humano nesse processo, segundo o trabalho de Nietzsche, não é passivo. Ele imaginou, em seu livro “Assim falou Zaratustra”, uma nova ordem mundial, na qual a direção da História não é mais confiada à vontade de Deus, mas sim, cativa do desejo do “homem nobre”, predecessor do Übermensch. O homem nobre é um homem autocriado, um que, como Renerts observa, “deve tomar responsabilidade por quem ele é, criando a si mesmo e suas próprias leis”. Ou, como o próprio Nietzsche afirmou: “Tu deves desejar consumir a ti mesmo em tua chama; como poderias tu desejar tornar-te novo, a menos que primeiramente tenhas te tornado em cinzas!”. Essa destruição do antigo eu não possui nada em comum com a autonegação cristã; é, em vez disso, um ato de autodivinização.

Além disso, é uma afirmação do desejo de poder, um desejo de transgredir, de modo “criativo”, a ordem moral herdada, especialmente a ordem cristã fraca e “decadente”. Os defensores pós-modernos de Nietzsche argumentam que ele não era fundamentalmente niilista, já que ele se esforçou em criar o caminho para um novo mundo e uma nova moralidade, um caminho no qual milhares de flores da “diferença cultural” pudessem desabrochar, um que exaltaria o desejo criativo do indivíduo, liberto de normas universais e repressivas.

E isso é, de fato, o que o capitalismo, o grande facilitador e parteiro do homem autocriado rapidamente está dando à luz. Não é esta a razão subjacente pela qual as feministas e um exército de – outrora – esquerdistas terem feito as pazes com o capitalismo? Não é de se surpreender que nossos “organizadores comunitários” e os CEOs esclarecidos das principais corporações transnacionais como Apple, Hewlett-Packard, Starbucks e milhares de outros mais deram as mãos para endossar uniões homossexuais e direitos de transgêneros? Os pós-modernistas estão certos e errados.

Uma nova ordem está sobre nós, mas seu ímpeto criativo é tanto faustino quanto estéril. Por meio da alquimia banal do mercado, o Übermensch se parece mais com alguém como Mark Zuckeberg do que com qualquer coisa imaginada por Nietzsche em Zarathustra. Olhe ao redor. Os Estados Unidos, no século XXI, está repleto de homens e mulheres autocriados, cada qual criando leis para si mesmos, e cada qual sendo um pequeno deus, não reconhecendo nenhum outro deus além deles mesmos. 

De acordo com os apóstolos da liberdade econômica desimpedida, esse processo de destruição criativa em curso deve resultar em uma convergência harmônica, um reino social no qual a perseguição dos “vícios privados” produz um bem público transcendental. Isso é mais do que questionável. Para qualquer observador são, hoje, na América, a “ordem social” pode ser melhor descrita como um estado de anarquia mal contida. O espetáculo obsceno da Black Friday é certamente uma metáfora para nossa atual trajetória. Se isso não é niilismo, o que mais pode ser?

Nenhuma dessas reflexões deveria ser construída como um ataque à liberdade econômica. Contudo, se o objeto do conservadorismo é defender a ordem natural e uma profunda tradição moralmente enraizada, então nunca se deve permitir ao mercado tornar-se a força dominante na sociedade, como manifestadamente se tornou na América, no decorrer das décadas recentes. É claro, a “incorporação” da América data dos anos 1860, e, conforme numerosos historiadores documentaram, o processo foi incitado pelo Estado central; de fato, a incorporação do negócio americano foi parte e parcela da centralização de poder na América – uma lição aprendida pelos sulistas desde cedo.

Para ter certeza, conservadores que têm princípios são justificados em seus ataques no Leviatã de Beltway. Conforme o grande pensador conservador Robert Nisbet argumentou em seu livro The Quest for Community (A Busca pela Comunidade), o Estado central foi a mais potente das forças revolucionárias na História moderna. Não foi o capitalismo que deu origem ao “indivíduo” (compreendido como uma entidade legal e um “sujeito” abstrato de poder), mas sim o Estado que o liberou das penetrantes (e, algumas vezes, opressivas) instituições intermediárias da ordem medieval.

Ainda uma vez que o Estado tenha reduzido ou contido essas instituições (considere, por exemplo, o poder da Igreja, subjugado), o capitalismo desempenhou um papel cada vez mais importante na contenção e disciplina dos perigosos desejos do indivíduo agora ilimitado. O que Nisbet fez não prevê completamente o quão rapidamente a “disciplina” do regime capitalista seria desfeita por suas próprias contradições inerentes, ou o quão invasivo o poder do Estado se tornaria, uma vez que seus “cidadãos” fossem transformados em consumidores passivos e taciturnos, cujo senso de direito é, até agora, desenfreado e voraz.

Hoje, nós atingimos o ponto de inflexão. Nossos mestres em Washington, cada vez mais descaradamente ostentam seu desprezo pelas lealdades atávicas que ainda persistem na Pátria. A ameaça de uma revolta populista incoerente vinda da Direita meramente cai em suas mãos, proporcionando-lhes até mesmo um escopo mais largo de vigilância e controle – uma estratégia na qual a América corporativa está feliz demais para assistir.

Nossa única esperança reside não em um nacionalismo iludido, mas sim na descentralização radical – não um retorno aos “direitos estaduais”, mas sim à secessão econômica e cultural das comunidades locais, cidades e regiões contra o poder parasita das elites corporativas e burocráticas. Quando a Liga Lombarda foi formada no Norte da Itália, no século XII, as comunas italianas (cidades-estados autogovernadas) afirmaram seu “direito sagrado” de autodeterminação contra a presunçosa extensão de poder do império germânico. Aquelas cidades-estados (Milão, Gênova, Pádua, Veneza, e tantas outras mais) floresceram por dois gloriosos e frequentemente turbulentos séculos. Nós faríamos bem em aprender com o exemplo delas.  



Originalmente postado no site Chronicles Magazine
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A pobreza como fetiche

Por Jean Carvalho

Famílias pobres em Belo Horizonte, esperando pela distribuição de peixe (fonte da imagem: UOL)

Existe uma fetichização da pobreza, uma idealização do pobre como figura angelical e uma visão extremamente tutelar desses dois elementos. Na televisão, há o ritual dominical da aparição de artistas elogiando a pobreza ou lembrando suas origens humildes. Na distância de seus condomínios fechados, fazendas e sacadas de apartamentos de luxo, essas figuras que, da arte do entretenimento, têm assumido cada vez mais o protagonismo de formar opiniões, elogiam as maravilhas de uma vida pobre que eles mesmos não parecem querer seguir ou sentir saudade.

Sim. A favela é o lugar mais feliz do mundo, e o favelado é uma espécie de bem-aventurado, um sujeito sortudo por ter uma vida de festa, bailes e alegria. O pobre é mais feliz, é mais "humilde" e até mais criativo. Essa figura artificial de um pobre portador de valores gigantescos é acompanhada da visão irônica de que pobreza é fonte originária de criminosos ou de desajustados sociais. Grande parte disso está na romantização que a Esquerda brasileira fez e ainda faz desses elementos, considerando o proletariado como a mais elevada das classes sociais (quando grande parte desses intelectuais nunca trabalhou, de fato). 

E é interessante notar como os ideólogos e "intelectuais" brasileiros gostam de justificar todas as mazelas sociais pela pobreza. A periferia, para esses senhores, é o ápice da boa vida, mas ao mesmo tempo é a fábrica de marginais, batedores de carteira e estupradores. É a sacralização e a demonização da favela e da periferia, fenômeno simultâneo.

Se alguém cometeu um crime, certamente há uma explicação econômica para o fato. Sim, por que crime é coisa de pobre. Os jovens que queimaram vivo o índio em Brasília eram de classe média alta. Políticos e empresários corruptos, engravatados e endinheirados, são responsáveis por crimes que, com toda a etiqueta, chamam-se de "desvios". Afinal, rico não rouba, rico apenas "desvia". Mas isso não passa na contabilidade desses intelectuais, e mesmo estes ricaços, segundo eles, certamente têm algum elemento de pobreza na infância que possa justificar sua conduta.

Mendigos no centro de São Paulo, SP (fonte da imagem: Renato Nalini)

Toda essa "glamourização" do pobre e da pobreza só servem para ocultar um elemento bem óbvio: o nojo que eles têm e seu desdém por essa condição puramente sócio-econômica. Eles não falam, mas pensam que lugar de pobre é na cadeia ou na periferia, de preferência bem longe (e bem contentes). Qual a razão de se importar em melhorar as condições dessa gente e desses lugares, se eles já vivem no Céu?


Para todos os efeitos, podemos levar um número razoável deles para algum estúdio de algum grande canal de telecomunicação, distribuir alguns brinquedos e, claro, tomá-los depois que as câmeras forem desligadas. O pobre deve ser bem tratado em frente às câmeras e em períodos eleitorais, e só. Essa falsa valorização da pobreza serve de trampolim para destacar como a vida dos ricos é uma opção possível e viável para qualquer favelado: basta ter talento, "alegria" (palavra subjetiva sem significado real) e uma pitada de sorte, e qualquer morador do Capão Redondo pode comprar seu próprio triplex nos Jardins. Daí que a vida ideal do pobre é exclusivamente onde ele possa "ostentar".

Pobreza não é situação de vergonha. É tão somente uma condição econômica. Ser pobre não é vergonha. Mas a pobreza não é desejável a ninguém. A menos que o sujeito leve uma vida modesta (o que é tão bom quanto louvável) e não adote um estilo de existência consumista, a falta de bens materiais por simples impedimento não é uma virtude, é um crime. Uma coisa é o sujeito andar de bicicleta com uma qualidade de vida que lhe dê dignidade, ou usar transporte público por que têm consciência de que tirar o carro da garagem para ir sozinho à padaria da esquina não faz sentido nem para si, nem para o planeta.

Outra coisa completamente diferente é que esse cidadão seja condenado a andar de bicicleta ou a pé, ou espremido em algum ônibus ou metrô, com tantos outros infelizes tratados como gado, por simplesmente não ter outra perspectiva ou alternativa. É bem diferente um pai que não cerca o filho de mimos por que deseja criar nele um caráter saudável, daquele que não dá um presente à criança por que precisa do dinheiro para a refeição do dia seguinte.

Nossa gente não escolhe a pobreza como um caminho de ascetismo, purificação espiritual ou "virtude". Nosso povo simplesmente é condenado a essa condição, tanto por setores privados exploradores quanto por um governo que é composto de gente que disse ter passado fome, trabalhado em fábricas e feito greve, morado em bairros pobres oriundos do sertão, mas hoje bebem champanhe e andam de jatinho particular (às expensas do contribuinte miserável, é claro) e não parecem fazer nada consistente para mudar a situação daqueles seus "iguais", seus irmãos.

É uma "missão" ajudar os pobres. Mas, de preferência, deixando-os em filas imensas, esperando por horas a fio a entrega de comida ou qualquer outro presente. E não se deve esquecer de usar da humilhação máxima de deixar bem nítido, para o pobre, que mesmo o pouco que ele tem é graças à sua ajuda, graças ao seu bom-mocismo. Se puder levá-lo para programas de auditório de domingo, expondo suas trajetórias sofridas e vidas miseráveis em troca de um prêmio que receberão através de algum tipo de gincana, melhor ainda. Nunca uma ajuda consciente, nunca um ato de nobreza: sempre a exposição midiática. Afinal, nossos pobres precisam só de comida e dinheiro, e não de dignidade.

Família de Alto Alegre, Maranhão (fonte da imagem: http://goo.gl/2f1o4U)

Pobreza é uma condição a ser vencida. E que não se confundam minhas palavras com uma alusão à vida de luxo e de consumo: uma vida ascética e humilde é louvável. Não precisamos de muito para levar uma existência honrada. Mas não há nada de sublime em ver os próprios filhos passarem fome, com o desemprego sempre batendo à porta.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O que Acontece quando você acredita em Ayn Rand e na Teoria Econômica Moderna

A realidade do individualismo irrestrito

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Por Denise Cummins


- Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho


"Ayn Rand é minha heroína", outro estudante me diz, durante as horas de aula. "Seus escritos me libertaram. Eles me ensinaram a me apoiar unicamente em mim mesmo".   

Conforme vejo os rostos muito jovens através de minha mesa, eu me encontro preocupada em porque a popularidade de Rand entre os jovens continua a crescer. Trinta anos depois de sua morte, seu livro ainda vende um número de exemplares na casa das centenas de milhares anualmente - tendo triplicado desde a crise econômica de 2008. Entre seus devotos estão celebridades altamente influentes, como Brad Pitt e Eva Mendes, e alguns políticos, como o atual Porta-Voz da Casa Branca Paul Ryan, e o candidato presidencial republicano Ted Cruz. 
O centro da filosofia de Rand - que também constitui o tema principal de suas novelas - é que o interesse pessoal irrestrito é um bem e o altruísmo é destrutivo. Isso, acreditava ela, é a mais elevada expressão da natureza humana, o princípio norteador pelo qual o senso de dever é a vida particular. Em "Capitalismo: o ideal desconhecido", Rand colocou dessa forma: 
"O coletivismo é a premissa tribal de selvagens primordiais que, incapazes de conceber os direitos individuais, acreditavam que a tribo era um governante supremo, onipotente, ao qual os membros da comunidade deviam suas vidas e poderiam realizar-lhe sacrifícios quando lhe aprouvesse."
Por essa lógica, controles religiosos e políticos que impedem os indivíduos de perseguir seu interesse próprio devem ser removidos (talvez seja por isso que a cena inicial de sexo entre os protagonistas do livro de Rand, "The Fountainhead", é um estupro no qual "ela lutou como um animal"). A mosca na sopa do "objetivismo" filosófico de Rand é o fato inegável de que os humanos possuem tendência em cooperar e cuidar uns dos outros, como notado por muitos antropólogos que estudaram tribos de caçadores-coletores. 

Essas "tendências pró-sociais" eram problemáticas para Rand, porque tal comportamento obviamente mitigava contra o interesse próprio "natural" e, contudo, não deveria existir. Ela resolveu essa contradição alegando que os humanos nascem como uma tabula rasa, um quadro branco (como muitos de seu tempo acreditavam) e tendências pró-sociais, particularmente o altruísmo, são "doenças" impostas a nós pela sociedade, mentiras insidiosas que causam em nós a traição de nossa realidade biológica. Por exemplo, em seu jornal datado de 9 de maio de 1934, Rand escreveu:

"Por exemplo, quando discutimos o instinto social - importa se isso existiu nos selvagens primitivos? Isso é, supondo que o homem seja nascido social (e até mesmo isso é uma questão) - isso significa que ele tenha de assim permanecer? Se o homem começou como um animal social - não são todo o progresso e toda a civilização direcionados para tornar o homem um indivíduo?  Não é este o único tipo de progresso possível? Se os homens como grupo são os mais elevados animais, não é o homem como indivíduo o próximo passo?

O herói de sua novela mais popular, "A Revolta de Atlas", personifica esse "mais elevado dos animais": John Galt é um cruel capitão da indústria que se esforça contra as regulamentações governamentais sufocantes, que permanecem no caminho do comércio e do lucro. Numa revolta, ele e outros capitães da indústria fecham a produção de suas fábricas, levando a economia mundial a seus joelhos. Sua mensagem era: "vocês precisam de nós mais do que nós precisamos de vocês".



Para muitos leitores de Rand, a filosofia suprema da autoconfiança é devotada a perseguir o supremo interesse próprio, e aparece numa versão idealizada do núcleo dos ideais americanos: libertação da tirania, trabalho duro e individualismo. Ela promete um mundo melhor se as pessoas simplesmente forem livres para escolher seu interesse próprio sem preocupação com o impacto de suas ações nos outros. Afinal de contas, outros estão simplesmente perseguindo seu próprio interesse também.


Então, o que aconteceria se as pessoas se comportassem de acordo com o "objetivismo" da filosofia de Rand? E se nós também nos permitíssemos cegar tudo, exceto nosso interesse próprio?     

A teoria econômica moderna é baseada exatamente nesses princípios. Um agente racional é definido como um indivíduo que possui interesse próprio. O mercado é uma coleção de agentes racionais, cada um dos quais possui seu próprio interesse. Justiça não entra na equação. Em um recente episódio de Planet Money, David Blanchflower, um professor de economia de Dartmouth e um ex-membro do Banco Central da Inglaterra, deu gargalhadas quando um dos convidados lhe perguntou: "isso é justo?". Ele respondeu: - "Economia não é sobre justiça. Eu não vou entrar nesse assunto". 

Economistas encontram, alternadamente, um grande, alarmante e divertido conjunto de resultados obtidos de seus estudos experimentais, mostrando que as pessoas não se comportam de acordo com os princípios de teorias de escolhas racionais. Nós somos muito mais cooperativos e propensos à confiança do que é apregoado pela teoria, e nós retaliamos veementemente quando outros se comportam de maneira egoísta. De fato, nós somos propensos a dar uma penalidade por uma oportunidade de punir pessoas que parecem quebrar regras implícitas de justiça em transações econômicas. 
Então, o que aconteceria se as pessoas se comportassem de acordo com a filosofia do "objetivismo" de Rand? E se nós nos fechássemos para tudo, deixando apenas nosso interesse próprio? 
Um exemplo da indústria
Em 2008, o CEO da empresa Sears, Eddie Lampert, decidiu reestruturar a companhia de acordo com os princípios de Rand. Lambert quebrou a companhia em mais de 30 unidades individuais, cada uma com seu próprio gerenciamento e cada uma com suas medidas separadas de lucro e perda. A ideia era promover a competitividade entre as unidades, o que Lampert assumiu como um modo de atingir lucros mais elevados. Ao invés disso, o que aconteceu foi o que Mina Kimes, uma repórter da Bloomberg Business, descreveu:

"Um arauto franco, um advogado da economia de mercado livre e um fã da novelista Ayn Rand, ele criou o modelo porque esperava que a mão invisível do mercado traria melhores resultados. Se fosse dito aos líderes da companhia que eles deveriam agir de modo egoísta, ele argumentou, então eles coordenariam suas divisões de um modo racional, ultrapassando os resultados gerais. Ao invés disso, as divisões voltaram-se umas contra as outras - e as empresas Sears e Kmart, as marcas abrangentes, sofreram com isso. Entrevistas com mais de 40 ex-executivos, muitos dos quais chegaram a ocupar os mais altos cargos da companhia, descrevem o quadro de um negócio que foi devastado por lutas internas, conforme suas divisões batalhavam por recursos cada vez mais escassos.".    
Um olhar mais aprofundado no desastre foi descrito por Lynn Stuart Parramore num artigo publicado em Salon, datado de 2013:

"Foi uma loucura. Executivos começaram a minar outras unidades porque sabiam que seus bônus eram oriundos da performance individual da unidade. Eles começaram a focar unicamente na performance econômica de suas unidades, às custas da reputação de toda a marca Sears. Uma unidade, a de Kenmore, começou a vender produtos de outras companhias e colocou-os em posições mais proeminentes do que os próprios produtos da Sears. As unidades competiram por espaços de publicidade nos informativos da Sears. As unidades não eram mais incentivadas a fazer sacrifícios, como oferecer descontos aos clientes para conseguir captá-los para as lojas. A empresa Sears tornou-se um lugar miserável para trabalhar, onde as lutas internas eram frequentes e tudo era resolvido na base da gritaria. Os empregados, focados exclusivamente em fazer dinheiro para suas próprias unidades, deixaram de ter qualquer lealdade à companhia ou solidez para com sua sobrevivência.".  
Todos nós sabemos o fim da história: o preço das ações da Sears caiu, e a companhia chegou á beira da falência.  A moral da história, nas palavras de Parramore:

"O que Lampert falhou em enxergar é que os humanos atualmente possuem uma inclinação natural para trabalhar em busca do benefício mútuo de uma organização. Eles gostam de cooperar e colaborar, e eles trabalham mais produtivamente quando possuem objetivos compartilhados. Tire tudo isso e você vai criar uma companhia fadada à autodestruição.".

Em 2009, Honduras experimentou um golpe de Estado quando o Exército hondurenho derrubou o presidente Manuel Zelaya, com ordens da Suprema Corte de Honduras. O que se seguiu foi sucintamente sumarizado pelo advogado hondurenho Oscar Cruz:

"O golpe de 2009 desencadeou a voracidade de grupos com poder real nesse país. Ele deu a eles rédeas livres para tomar tudo. Eles começaram a reformar a Constituição e alterar muitas leis - a ZEDE veio nesse contexto - e fizeram da Constituição uma ferramenta para se tornarem ricos.".

Como parte desse processo, o governo hondurenho aprovou uma lei, em 2013, que criou zonas autônomas de livre comércio governadas por corporações, ao invés da administração de estados nos quais essas zonas passaram a existir. Então, o que aconteceu? O escritor Edwin Lyngar descreveu suas férias em Honduras no ano de 2015, uma experiência que o transformou de apoiador da filosofia de Rand para seu opositor. Em suas palavras:

"O maior exemplo de libertarianismo em ação são as centenas de homens, mulheres e crianças que ficam paradas ao longo das estradas, por toda Honduras. O governo não conserta as estradas, então, esses 'empresários' desesperados preenchem os buracos com sujeira e detritos. Eles ficam próximos aos buracos que taparam, solicitando esmolas de motoristas agradecidos. Esse é o sonho molhado de inovação do setor privado libertário.".    

Ele descreveu as condições de vida do seguinte modo:

"Na área continental, há dois tipos de bairros: favelas que parecem não ter fim e bairros de classe-média onde cada casa é sua própria cidadela. Em San Pedro Sula, a maioria das casas é cercada por muros altos, com arames ou cercas elétricas no topo. Conforme eu passava por essas fortificações que pareciam castelos, tudo o que eu podia pensar era sobre como essa cidade seria ótima durante um apocalipse zumbi.".   

Sem o esforço coletivo, grandes projetos de infraestrutura como a construção de estradas e o reparo delas acabam definhando. Um morador apontou "um lugar onde um novo aeroporto, o maior da América Central, poderia existir, se apenas quisessem construí-lo, mas não havia interesse de setores privados na região". A ida até uma pizzaria local foi descrita desse modo:   
"Nós andamos através dos portões e passamos por um homem vestido com calças casuais, com um cinto com coldre de pistola, envolto em sua cintura. Bem vindo ao paraíso libertário de Ayn Rand, onde sua pizza de pepperoni extra-grande precisa ter um guarda armado.".
Esse é o resultado inevitável do individualismo desenfreado solto em mercados não regulados.

Devotos de Ayn Rand ainda argumentam que o interesse próprio desregulado é o "modo de vida americano", que a interferência do governo sufoca o individualismo e o livre comércio. Questiona-se se essas mesmas pessoas defenderiam a ideia de remover todas as regras e árbitros de eventos esportivos. Como seriam as artes marciais mistas, o futebol ou o rugby, sem esses juízes enfadonhos constantemente se metendo no caminho da competição e do interesse próprio? 

Talvez outro modo de olhar pra isso seja perguntar o por quê de nossa espécie de hominídios ser a única ainda em existência no planeta, apesar de terem existido muitas outras espécies de hominídios durante o curso de nossa própria evolução. Uma explicação é a de que nós somos mais espertos, mais cruéis e mais competitivos do que aqueles que foram extintos. Mas a arqueologia antropológica conta uma história diferente. Nossa sobrevivência como espécie dependeu da cooperação, e os humanos se sobressaem no esforço cooperativo. Em vez de manter o conhecimento, as habilidades e os bens para si mesmos, os primeiros humanos compartilharam tudo isso livremente, através de seus grupos culturais. 

Quando as pessoas se comportam de maneiras que violam os axiomas da escolha racional ,eles não se comportam tolamente. Elas dão aos pesquisadores uma visão das tendências pró-sociais que tornaram possível à nossa espécie sobreviver e prosperar ... no passado e no presente. 



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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Convocação: reunião no Rio de Janeiro



O Avante e a Legião Nacional Trabalhista convocam todos os seus membros e simpatizantes do Rio de Janeiro a comparecerem à reunião que ocorrerá no dia 27 de Fevereiro, sábado, às 15:00 horas - local a ser perguntado via inbox do Movimento.
A reunião será realizada de forma aberta entre os dois grupos. que possuem diversos pontos ideológicos em comum e que solidificarão uma aproximação e cooperação entre movimentos dentro do estado do Rio de Janeiro.

O intuito dessa reunião será a de elaborar projetos futuros para fortalecemos os laços de camaradagem entre os membros, promovendo maior integração e construindo um novo rumo à Política Nacional.
Nosso movimento sempre buscou ser sério e continuaremos nas ruas demonstrando que não estamos aqui para brincadeira. Você do Rio de Janeiro, venha conhecer o que a Legião Nacional Trabalhista e o Avante têm para oferecerem e buscam alcançar em questões estaduais e nacionais.
Se você é dissidente, compareça, está na hora de começar a agir. 

DIA 27, 15 HORAS, TODOS REUNIDOS.

AO BRASIL TUDO,  AVANTE!
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uriel Irigaray: Cultura Uber



Cultura Uber: nas lamúrias acerca de taxistas, eu vejo uma multidão de pequenos Louis XV empertigados com cara de nojo. Isso tudo é muito estranho para mim.

Eu entenderia melhor esse fenômeno - juro! - se quem lamuria fossem só mulheres (perdão): dondocas, peruas maquiadas, patricinhas enjoadas, esse perfil sócio psicológico, esse arquétipo de gênero. Mas não. Homens também se juntam ao coro de mimimi - e até homens que não são gays! (perdão).

No meu tempo fazia parte da vida adulta e era coisa de homem tolerar a conversa besta do barbeiro e, por educação, fazer algum comentário polido em resposta, sem concordar nem discordar, seja mudando de assunto ou como for. Não era puro incômodo, mas havia algo de agradável, de normal. É todo um universo masculino de mínima convivência social entre classes diferentes no espaço público que é a rua: garçons, engraxates, taxistas, porteiros, entregadores de pizza.


Antigamente as pessoas escolarizadas de classe média e os bacharéis (homens, principalmente) tinham algum espírito de cortesia, civilismo e uma tolerância benevolente e desenvoltura com os tipos populares, os trabalhadores, o garçom que os servia, o taxista que os levava aonde for, o porteiro. É a mesma paciência e respeito que um jovem bacharel tinha com um parente mais velho, com o tiozão bronco comentando as notícias de jornal ou a previsão do tempo. Faz parte de ser um ser humano que vive em sociedade. Essa dedinho de prosa (small talk) além de ser um ritual social, vez em quando acarretava alguma simpatia humana e, por incrível que pareça, até algum tipo de sabedoria.
É um mundo em extinção, senhores: o mundo dos garçons, barbeiros e taxistas, esses rudes anjos prestativos que davam informações e conselhos variados. Ergueu-se um muro intransponível entre esses trabalhadores e os jovens de classe média - jovens, em espírito, inclusive, diga-se, pois falo daqueles de 14 a 35 anos.

Hoje são todos astros de Hollywood intocáveis por trás das lentes do óculo escuro e com os olhos fixos na telinha do dispositivo eletrônico da moda que carregam. Quereriam esses senhoritos que o taxista abrisse a porta do carro para eles, trajando luvas brancas, e NÃO dirigisse a palavra a eles JAMAIS em momento algum durante toda a corrida, a não ser para oferecer balinha, chocolate, água mineral francesa ou um boquetinho.


É uma geração inteira de pessoas de classe média, até homens! (perdão), que não sabem falar com seu porteiro. Que se escandalizam horrorizados com o taxista, trabalhador solitário, falando mal do PT. Ou com o radinho do taxista ligado durante uma viagem de 5 minutos até sua casa, saindo duma balada na Avenida Paulista, com a roupa manchada de glitter e ecstasy. Geração que caminha de salto alto, sonhando vagamente entediada com um mundo higienizado de Uber, food trucks, aplicativozinhos. Uma geração que não sabe pegar o telefone e ligar pra pedir uma pizza, porque tem horror a FALAR com o atendente pobre do outro lado da linha (só podem pizza pela merda do WhatsApp ou outro aplicativo imbecil novo). Geração minha mesmo que eu não mais reconheço.

Eu tenho nojo, pena e medo de vocês, malditos.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Seu Baseadinho não é um gesto de rebeldia contra o sistema

George Soros: o multibilionário e maior financiador da legalização da maconha ao redor do mundo
Você acende seu baseado e acredita agir de modo "transgressor", "rebelde", "revolucionário". Acredita ser porta-voz de uma doutrina contestadora e moderna. Seu baseadinho atende interesses de homens muito específicos. Ele não é um gesto de liberdade, independência ou "rebeldia": é um gesto de conformismo com um ideal que não é "marginal", mas sim central no plano de ações de grandes magnatas.

Aqui, iremos desfazer a imagem do senso comum de que a maconha é uma droga inofensiva e totalmente benéfica ao organismo e - como seus defensores alegam - até mesmo "menos nociva do que outras drogas".

A LEGALIZAÇÃO É UM PROJETO GLOBAL
- Nos Estados Unidos a droga é permitida para fins medicinais em 19 estados (Alasca, Montana, Oregon, Califórnia, Nevada, Arizona, Havaí, Novo México, Michigan, Illinois, Colúmbia, Delaware, Nova Jersey, Rhode Island, Connecticut, Massachussetts, Vermont, New Hampshire e Maine), e permitida para fins medicinais e recreativos em 2 (Washington e Colorado). No restante do país, o uso, a posse e o porte da maconha são proibidos em todos os casos.
- A legalização da maconha é um projeto corporativo e globalista, não popular e local. Dentre seus maiores financistas está o multibilionário George Soros. Soros, sozinho, já investiu mais de U$80 milhões de dólares, desde 1994, em campanhas para a legalização da droga. A Foundation to Promote an Open Society (Fundação para Promover uma Sociedade Aberta), uma organização ligada a Soros, doa anualmente U$4 milhões de dólares à organização Drug Policy Alliance (Aliança de Políticas de Drogas), um grupo de direitos humanos "sem fins lucrativos" com propósito de estender a legalização sob fins "científicos e medicinais" e "coibir o tráfico ilegal de drogas"[1]. Soros financiou inúmeras campanhas decisivas para a legalização da droga no estado do Colorado, e financia organizações em todo o mundo, com a mesma finalidade.

A DROGA LEGALIZADA NÃO É "MAIS SAUDÁVEL"
- Nos Estados Unidos, inclusive, as empresas legalizadas do ramo trabalham justamente para aumentar os níveis de concentração de THC na maconha e sua absorção no organismo, criando produtos com 65% a 95% de concentração de THC (canabinóide), capazes de potencializar os efeitos da droga e viciar mais rapidamente.
- Contra o argumento da maior exigência de qualidade por parte dos governos, ao controlar o processo de fabricação da maconha, um fato simples: as drogas ilegais comercializadas por traficantes do Brasil e do México contêm em torno de 4% a 6% de THC (nos EUA, a droga legalizada tem de 15% a 95%). Ou seja, um produto legalizado e supostamente mais “saudável” acaba por ser mais prejudicial à saúde do que o próprio resultante do tráfico ilegal[2].

O CONSUMO AUMENTA,(INCLUSIVE O INFANTIL)
- No Colorado, a Denver Justice High School registrou um aumento de casos de crianças[3] que apresentavam alucinações, batimentos cardíacos acelerados e reações agressivas. Várias delas são flagradas consumindo a droga, ou portando produtos legalizados em suas mochilas. A propaganda do consumo consciente e da informação de qualidade proporcionada pela legalização é, portanto, falsa. Grandes grupos privados, como a Harborside Health Center e a ArcView Group (ambas criadas por Steve DeAngelo) financiam campanhas para a legalização da droga no restante do país, valendo-se da imagem e do uso medicinal da planta. A maioria dos associados dessas instituições “medicinais” são jovens saudáveis que sequer precisam dela para qualquer tipo de tratamento.

A QUESTÃO DA SAÚDE NÃO MELHORA
- Nos EUA, a DAWN - Drug Abuse Warning Network ("Rede de Alerta sobre Abuso de Drogas") relatou que, em 2011, 456.000 atendimentos de emergência relativos à droga foram feitos, todos por conta de maconha (21% de aumento em relação a 2009). 2/3 dos pacientes eram homens entre 12 e 17.5 anos[4].

Por trás da causa da legalização, há diversos interesses financeiros de grandes grupos


A MACONHA NÃO É INOFENSIVA
- Muitos dos produtos legalizados oriundos da maconha e comercializados nos EUA sequer foram testados com propriedade, e seus efeitos à saúde e ao organismo são desconhecidos.
- 40% dos usuários de maconha têm a capacidade de concentração reduzida; 60% deles têm redução na capacidade de memória de curto prazo; e o índice de QI pode apresentar, no usuário, uma queda de até 8 pontos (o que significa a diminuição da inteligência e da capacidade cognitiva). Fumar maconha causa danos às conexões entre os neurônios, diminuindo as ligações de impulsos elétricos entre eles e a própria capacidade cerebral[5].
- Usuários de maconha tem 4,2 vezes mais propensão à fobia social; fumar maconha aumenta em 5 vezes os transtornos de ansiedade; aumenta em 2 vezes a incidência de depressão, e em 3,5 vezes a probabilidade de esquizofrenia. Eleva o risco de câncer de boca ou de garganta em 2 vezes e meia; aumenta em 2 vezes a probabilidade de câncer de testículo; aumenta em 4 vezes a incidência de câncer de cérebro em crianças cujas mães fumaram durante a gestação.
- Aumenta em 5 vezes o risco de um ataque cardíaco na primeira hora após o uso; e aumenta em 8% a probabilidade de desenvolver câncer de pulmão.
- Nos EUA, um em cada dez usuários de álcool e drogas diversas que dão entrada em tratamentos médicos relatam que também são usuários de maconha. O risco de acidentes de trânsito dobra quando o motorista está sob o efeito da maconha.
- Os índices de acidentes de trânsito decorrentes do uso da maconha aumentaram após a legalização[6].
- Jovens que fumam, mesmo ocasionalmente, apresentam danos em áreas cerebrais responsáveis por coordenar emoções e motivação[7].

LEGALIZAR NÃO INIBE O TRÁFICO
- O faturamento dos cartéis mexicanos, principais fornecedores de droga para os Estados Unidos, tem como elemento principal a cocaína (50% de sua receita), a metanfetamina e a heroína (20%, juntas). A maconha responde por 30% do orçamento. Nos estados onde a maconha foi legalizada, a estrutura dos cartéis e dos traficantes continua, pois eles apenas a substituem pela cocaína. Nos EUA, a droga legalizada é vendida a U$15,00 o grama, enquanto que, com os traficantes, a droga sai a U$7,00 por grama (menos da metade do preço).
O tráfico apenas redireciona suas atividades, ou até mesmo continua no segmento de sempre, vendendo mais barato
- O vizinho Uruguai, aclamado por sua política recente de descriminalização da planta, ainda enfrenta problemas com tráfico de drogas. Para consumir a maconha legalizada, o cidadão deve fazer um cadastro, e só pode retirar 40 gramas da droga por mês. Os traficantes vendem o quanto você puder pagar, e não há necessidade de criar um cadastro.
- Nos EUA, assaltos a lojas que vendem a maconha legalizada são frequentes. A droga roubada é vendida no mercado negro, por um preço bem abaixo do de mercado.

A VERDADEIRA SOLUÇÃO 
Não lutaremos por mais um vício. Não justificaremos mais uma droga por outras que já existem. Só há uma solução real: desmantelar o tráfico de drogas e punir severamente os traficantes; investir em campanhas de conscientização e prevenção ao uso de drogas, especialmente em escolas. O uso medicinal da maconha orgânica é, certamente, promissor (para pessoas que realmente necessitam do tratamento à base de derivados da planta); mas não deve servir como locomotiva para sua legalização irrestrita. Longe de atender anseios populares, essa é uma causa globalista e monetária.
Quem fornece a maconha transgênica que lotará milhares de prateleiras mundo afora? Quem financia estas organizações e "causas"? A quem interessa a campanha global de legalização? Não a nós, e não ao povo.
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