quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Meu corpo, suas regras": a realidade dos abortos forçados

Por: TechTraduzido por: Jean A. G. S. Carvalho


Créditos da foto: Lola Melani


Estatísticas sobre abortos coagidos


Alguns estudos alarmantes mostram que muitos abortos são oriundos de coerção. Com frequência, as mulheres são pressionadas a tomar decisões precipitadamente. Isso se soma ao risco que o procedimento do aborto apresenta ao bem-estar psicológico. Aqui, temos algumas estatísticas bastante expressivas:


- Cerca de 64% dos abortos envolvem coerção. Um estudo publicado num importante jornal médico internacional aponta que, só nos Estados Unidos, 64% das mulheres que fizeram aborto se sentiram pressionadas por outras pessoas[1]. A coerção pode incluir ameaças de expulsão de casa, perda do empego ou isolamento da família, e até mesmo violência física[2].

- Cerca de 83% das mulheres que realizaram abortos disseram que queriam ter o bebê. Numa pesquisa com mulheres que procuraram auxílio após o aborto, 83% delas disseram que teriam prosseguido com a gestação se tivessem recebido apoio do pai da criança, da família ou de outras pessoas importantes em suas vidas[3].

- Em 95% dos casos, os homens desempenham um papel central na tomada de decisão sobre o aborto, de acordo com uma pesquisa realizada com mulheres que procuram clínicas de aborto[4].

- Maridos e namorados ameaçam as mulheres até mesmo nas próprias clínicas. Um ex-segurança de uma clínica de abortos relatou diante dos legisladores de Massachussetts que muitas mulheres estavam sendo repetidamente ameaçadas e abusadas por seus próprios maridos e namorados, que as levavam às clínicas para se certificar de que elas iriam mesmo abortar[5]. Muitos ameaçavam que haveriam consequências perigosas caso elas resistissem.

A coerção pode incluir agressão física e até mesmo assassinato[6]. O homicídio é a principal causa de morte de mulheres grávidas. Um estudo intitulado "O Aborto Forçado nos EUA" inclui exemplos de mulheres que são obrigadas a abortar pelos próprios estupradores que se passavam por pais procurando clínicas de aborto, além de mulheres ameaçadas de demissão, agressão, ameaças de disparos, esfaqueamento, tortura ou morte em caso de recusa ao aborto[7].

Muitas mulheres que realizam o aborto não recebem informações adequadas. 67% delas afirmam que não receberam qualquer aconselhamento antes do aborto, 84% alegam que receberam aconselhamento inadequado antes do procedimento e 54% não estavam seguras sobre a decisão na época em que realizaram o aborto; 79% também afirmaram que não receberam aconselhamento sobre outras alternativas[8].

Muitas mulheres podem estar tomando decisões precipitadas e imprudentes sobre o aborto, de acordo com artigos do National Abortion Federation [Federação Nacional do Aborto][9]. Ao menos uma em cada cinco mulheres atendidas pela clínicas de aborto são filosófica ou moralmente opostas ao aborto[10]. Um estudo recente apontou que 52% delas disseram que precisavam de mais tempo para tomar essa decisão[11].

Fraudes e táticas de vendas são recorrentes para influenciar as mulheres ao aborto. Muitas mulheres que procuravam por respostas e auxílio, ao invés disso, foram pressionadas pelos "conselheiros" treinados a vender abortos em clínicas baseadas em lucro[12]

Numa pesquisa com mulheres que enfrentavam problemas depois do aborto, 66% delas disseram que os conselhos dados por "profissionais" da área eram bastante tendenciosos, 44% queriam outras alternativas, 60% estavam incertas da decisão e 71% sentiram que suas questões eram ignoradas ou trivializadas[13].

Muitas mulheres enfrentam complicações depois do aborto: 31% sofreram com problemas de saúde[14], cerca de 10% sofreram de complicações imediatas depois do aborto; desses 10%, 1/5 delas relataram complicações com riscos de morte. Hemorragia, choque endotóxico e complicações com anestesia são alguns dos vários problemas potenciais[15]. Mulheres também enfrentam riscos de infertilidade ou complicações em gestações futuras, como gravidez ectópica, complicações laborais, abortos espontâneos, natimortos ou nascimentos prematuros, os principais motivadores de defeitos no nascimento[16].

Mulheres que abortam também enfrentam problemas com traumas e suicídio: 65% delas sofrem se múltiplos sintomas de transtorno de estresse pós-traumático[17]; 62% apesentam risco elevado de morte de todas as causas, incluindo suicídio[18]; índices de suicídio são de 6 a 7 vezes mais altos em mulheres que realizam o aborto do que em mulheres que dão à luz[19]; 60% das mulheres que realizaram abortos afirmam que se sentem como se "parte dela houvesse morrido"[20].

O aumento da conscientização desses riscos significa a diminuição das taxas de aborto. A maioria das mulheres se opõem ao aborto. Uma pesquisa feita pelo Center for the Advancement of Women (Centro para o Progresso da Mulher), que apoia o aborto, mostra que mais da metade das mulheres dos EUA se opõe ao aborto. O aborto legal é apontado como a última das prioridades pelas mulheres[21]

As taxas de aborto estão caindo progressivamente. Houve uma pequena diminuição nas taxas de aborto nos últimos 15 anos, parcialmente por conta da noção crescente de que o aborto não é uma solução "fácil e rápida"[22]. 77% dos estadunidenses agora afirmam que o aborto é o assassinato de uma vida, incluindo 1/3 daqueles que se declaram fortemente pró-escolha[23].

Poucas pessoas afirmam se arrepender de manterem crianças oriundas de gestações indesejadas. Estudos com mulheres que procuraram abortos mas não realizaram o procedimento mostram que muito pouca delas se arrependem da decisão de não abortar, e muito poucas delas sofrem de problemas psicológicos por terem uma criança "indesejada"[24]. Mesmo nos casos mais extremos, a maioria das mulheres não desejam o aborto.

Muitas mulheres que sofreram com estupro ou abuso dizem que o aborto só intensificou o trauma. Numa pesquisa com mulheres que engravidaram em decorrência de estupro ou incesto, muitas delas só abortaram por conta da pressão para fazê-lo, afirmando que o aborto só aumentou o sentimento de tristeza e o trauma; 70% delas responderam que levaram a gestação adiante e nenhuma delas se arrepende da decisão; 78% daquelas que abortaram se arrependem e alegam que o aborto foi a solução errada[25].

Há uma petição para a realização de audiências e de um Comitê ad hoc para Mulheres. Um grupo de mulheres que engravidaram em decorrência de estupro criou uma petição ao Congresso e aos legisladores estaduais requisitando audiências sobre o assunto[26]. Os estadunidenses querem mais pesquisas sobre o impacto do aborto na mulher. A maioria dos participantes da pesquisa acreditam que é uma prioridade do governo promover pesquisas sobre as reações emocionais causadas pelo aborto[27].

Muitos acreditam que há a necessidade de melhor atenção médica ao caso e clínicas mais isentas. Mais de 80% de todos os abortos são feitos em instalações não-hospitalares, em clínicas voltadas exclusivamente na realização de abortos e serviços contraceptivos. A maioria dos abortos são feitos por estranhos que não têm qualquer relação com as pacientes, tanto antes quanto depois do procedimento. Frequentemente há mulheres que não retornam do cuidado pós-cirúrgico[28]

Há um baixo padrão de cuidado médico. O padrão de cuidado é insuficiente. Alguns profissionais que realizam o aborto mudam de estado em estado para evitar investigações e reclamações feitas por pacientes[29]. Há uma falha em realizar uma triagem e alertar sobre fatores de risco. Uma triagem bem-feita poderia diminuir o número de abortos em até 70% ou mais. 

Clínicas instigadas pelo lucro e grande pressão por parte dos "conselheiros" são problemas apontados por mulheres que fazem o aborto. Muitos "conselheiros" não são licenciados. Alguns são treinados para "vender" o aborto e diminuir as preocupações das mulheres para que elas sejam mais propensas a optar pelo aborto, aumentando os lucros das clínicas[30].


Nos EUA, cerca de 50 milhões de mulheres e homens perderam um bebê por conta do aborto. Muitos percebem que não estão sozinhos, procurando cada vez mais por apoio mútuo. Especialistas estimam que os programas de terapia pós-aborto já atenderam mais de 20 milhões de mulheres e outras pessoas impactadas pelo aborto.




Postado originalmente em: Clinic Quotes





Notas e fontes:

[1] VM Rue et. al., "O Aborto Induzido e o Estresse Traumático: Uma comparação Preliminar entre as mulheres estadunidenses e russas", Medical Science Monitor 10(10): SR5-16, 2004.
[2] "O Aborto Forçado nos Estados Unidos"; UnChoice.info
[3] D. Reardon, "Mulheres Abortadas - Sem mais silêncio" (Springfield: IL, Acorn Books, 2002)
[4] M. K. Zimmerman, "Passagens através do Aborto" (New York: Praeger Publishers, 1977)
[5] Brian McQuarrie, "Guarda, Clínica e Possibilidades de Exame sobre o Aborto" (Boston Globe, 16 de abril de 1999)
[6] I. L. Horton e D. Cheng, "Monitoramento Aprimorado sobre a Gravide Associada à Mortalidade"; Maryland, 1993-1998, JAMA 285(11):1455-1459 (2001); ver também: J. Mcfarlane et. al.. "Abuso Durante a Gravidez e o Feminicídio: Implicações Urgentes para a Saúde Feminina"; Obstetrícia & Ginegologia, 100:27-36 (2002).
[7] U. Landy, "Aconselhamento sobre o Abroto: um Componente do Cuidado Médico", Clinics in Obs/Gyn 13(1):33-41, 1986.
[8] J. Woo, "Termos Ampliados aos Pacientes de Doutores em Aborto", Wall Street Journal, 28 de outubro de 1994, B12:1
[9] Carol Everett e Jack Shaw, Blood Money (Sisters, OR: Multnomah Books, 1992).
[10] DC Reardon et. al., "Mortes Associadas ao Desenlace da Gestação: Um Estudo em Registro sobre as Mulheres de Baixa Renda", Southern Medical Journal, 95(8): 834-41, agosto de 2002. 
[11] Gissler, Hemminki & Lonnqvist, "O Suicídio após a gestação na Finlândia de 1987 a 1994: Um estudo de ligação e registros", British Journal of Medicine, 413:1431-4, 1996.
[12] M. Gissler, "Mortes por Ferimentos, Suicídio e Homicídio associadas à gestação na Finlândia de 1987-200", European J. Pubic Health 15(5):459-63, 2005.
[13] Frank et. al., "Operações de Abortos Induzidos e suas Sequelas Precoces", Jounal of the Royal College of General Practitioners, 35(73):175-180, abril de 1985.
[14] Grimes e Cates, "Aborto: Métodos e Complicações", Human Reproduction, 2nd ed., 796-813.
[15] M. A. Freedman, "Comparação entre as taxas de complicações nos abortos realizados durante o primeiro trimestre realizados por médicos assistentes e assistentes", Am J. Public Health 76(5):550-554, 1986.
[16] T. Strahan, "Efeitos Prejudiciais do Aborto: Uma Bibliografia Anotada com Comentários", TW Strahan, ed. (Springfield, IL: Acorn Books, 2002) 188-206. Ver também: "Riscos Físicos do Aborto" publicado no "Livro de Pesquisa e Fatos-Chave", páginas 5-6.
[17] "O Feminismo da sua Mãe está Morto? A Nova Agenda para a Mulheres Revelada num Estudo Referencial em dois Anos", notícia publicada pelo Centro para o Progresso Feminino em 24 de junho de 2003.
[18] "Opinião Nacional - Pesquisa com 600 adultos sobre as Atitudes para com uma Agenda Pró-Mulher e Pró-Vida", pesquisa realizada pelo Elliot Institute, conduzida em dezembro de 2002.
[19] J. D. Hunter, "Antes que o Tiroteio Comece: Uma pesquisa sobre a Democracia na Guerra Cultural Americana"; (New York: The Free Press, 1994) 93.
[20] Pesquisa do Los Angeles Times, 19 de março de 1989, questão 76.
[21] "Muitos dos entrevistados em pesquisas sobre o aborto relatam sentimentos de culpa", George Skelton, Los Angeles Times, 19 de março de 1989, página 28.
[22] H. Soderberg, "Mulheres urbanas induzida ao aborto: estudos sobre epidemiologia, comportamento e reações emocionais", 1998. Dissertation, Dept. of Ob/Gyn. & Community Medicine, Lund University, Malmo, Suécia, 1998. 
[23] D. Reardon, J Makimaa e A. Sobie, eds., "Vítimas e Vitórias: Falando sobre Gravidez, Aborto e Crianças resultantes de Abusos Sexuais(Springfield, IL: Acorn Books, 2000). 
[24] D. Reardon, "Práticas Negligentes no Aborto", (Denton, TX: Life Dynamics, 1993). 
[25] M. Crutcher, Lime 5 (Denton, TX: Life Dynamics, 1996).
[26] David C. Reardon, "O Dever de Divulgação: Implicações clínicas, legais e éticas e fatores de risco preditivos do desajustamento ao pós-aborto",  The Journal of Contemporary Health Law and Policy 20(2):33-114, Spring 2004. 
[27] Para obter uma cópia dessa petição, acesse o "Hard Cases Booklet".
[28] "Mulheres mortas em procedimentos de aborto legal"; Operation Rescue. Ver também: "Aborto Inseguro: Morte Materna Desnecessária", NCBI, texto de lisa B. Haddad, acompanhante clínica de obstetrícia MD, MA.
[29] "Por que as clínicas de aborto estão falindo mais rapidamente?", Bre Payton, The Federalist.
[30] "O aborto induzido nos Estados Unidos", Guttmacher Institute.
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