quinta-feira, 12 de maio de 2016

Marcus Valerio XR: A crise política no Brasil

Por Marcus Valerio XR




É impossível falar da crise política no Brasil sem referência à crise econômica devido ao fato desta última evidenciar a real dimensão da primeira.

Não apenas no Brasil, mas em muitos outros países, a máxima "rouba mas faz" é mais que uma mera figura de linguagem, ela de fato reflete a leniência do eleitorado com as denúncias de corrupção e inconsistências institucionais se a economia estiver estável. Por isso, por mais corrupto que seja nosso fisiologismo partidário e nossa burocracia governamental, isso não será posto em cheque enquanto a maioria entender que o que realmente importa está sendo feito, isto é, manter as condições materiais para todos.

Para desestabilizar severamente a política, e a ordem em geral, é necessário desestabilizar a economia, por isso, tudo nos remete à Crise Econômica.

Daqui é preciso frisar que a palavra 'crise' não é exatamente um termo técnico, sendo usada de forma vaga e em geral subjetiva, o que permite tanto sua afirmação quanto sua negação de acordo com o contexto e interesse de cada um. Tecnicamente falando, o termo é 'recessão', e é inegável que de fato estamos numa fase recessiva devido a retração do crescimento econômico.

No entanto é preciso lembrar que recessões são absolutamente inevitáveis e fazem parte dos ciclos naturais da economia, pelo simples fato de ser impossível apenas crescer indefinidamente. 




Necessariamente toda economia, não importa o quanto cresça num determinando momento, irá se estagnar em outro e entrar em recessão, mesmo que breve, infalivelmente. A questão é como lidar com isso e evitar que ocorra algo muito pior, que é a 'depressão', um estágio muito mais dramático de real deterioração da infra estrutura econômica.

Tendo considerado esse Primeiro Fator, passemos ao fato de que grupos econômicos poderosos podem promover ataques especulativos com potencial para sabotar ou mesmo arruinar a economia de um local. Retiradas bruscas de investimentos, movimentos de lojas ou fábricas para outros locais, fechamentos deliberados de indústrias etc, mesmo que dêem prejuízo imediato a quem as faz, podem ser executadas com vista a um ganho de maior prazo. Portanto, não se pode negligenciar a percepção do fato de que grupos empresariais e financeiros fortes podem muito bem, e deliberadamente, jogar um país numa "crise", precipitando ou acentuando sua recessão.

Por fim, como Terceiro Fator, temos a sensibilidade do sistema econômico em si, que é vulnerável a flutuações desvinculadas de fatores materiais diretos. A simples postura de se retrair investimentos, gastos, negócios etc, pelo medo de uma crise tem potencial para se tornar, ela própria, a causa dessa crise. Daí a importância de um constante discurso de crise com o objetivo de influenciar o comportamento econômico da sociedade para já precipitá-la, tal como o comerciante que, na perspectiva de tempos piores, começa a piorar a qualidade de seu serviço e por isso acaba perdendo clientela.

Juntando os três fatores, a recessão natural, um ataque especulativo e o constante discurso de crise, é possível transformar, para usar a linguagem lulista, uma marolinha num tsunami.

E agora a grande questão é? A quem interessa desestabilizar nosso país politicamente por meio de uma crise econômica? Quem tem os meios, e os motivos para isso? Quem não quer ver o Brasil disputando espaços no mundo e desafiando os grandes impérios econômicos?

Pergunta retórica. Claro.
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