sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A terra está coberta de pessoas que não merecem que se lhes fale




Por Daniel Henrique

"A terra está coberta de pessoas que não merecem que se lhes fale"
(Voltaire)

Cada Ser é um mundo, todas as suas representações externas se dão apenas mediatamente, pois o homem em si lida imediatamente apenas com suas próprias representações. Logo, cada qual vive em um mundo próprio que se difere dos outros pela maneira através da qual tal mundo é concebido frente a diversidade e a amplitude das mentes dos homens. Atestar tal assertiva como verdadeira não é de grande dificuldade para o homem superior, uma vez que, no navegar dos mares das obras dos grandes literatos encontramos exemplos claros desta afirmação, um destes exemplos de evidente magnanimidade é encontrado nas poderosas fantasias poéticas de Goethe, nas quais muitas delas ocorrem como acontecimentos reais, cotidianos, mas que passam desapercebidos à mente incauta, uma vez que, sendo pobre a subjetividade de tal homem, só lhe é perceptível aquilo que lhe mandam ver. Sob esse cenário, a fala de Shakespeare em Hamlet ( Ato 4, cena 2) encontra todo o sentido: 

"A knavish speech sleeps in a fool's ear".
[Uma conversa eloquente dorme nos ouvidos de um néscio].   

E cada Ser de facto é um mundo a ser desvelado, mas em um tempo onde a subjetividade em si é empobrecida a extremos tão maléficos, como podem tais homens serem dignos de quaisquer fala ou pensamento? Este estado atual das coisas, este contínuo processo de morte de tudo que é bom nos leva a uma constatação final que aponta para o mais triste dos fatos; a certeza de que vivemos na Era das moscas. A impertinência, característica intrínseca de tal fétido animal, aliada a impossibilidade de qualquer síntese elevada por parte destes, tornou - se o fundamento axiológico da grande turba. Estes, partícipes da baixeza geral, não nutrem mais o mínimo de respeito pela presença superior que os cerca, muito pelo contrário, devido à inveteração efeminada do pensamento societário hodierno, as moscas, em sua comum e indissociável sociabilidade radical (algo sintomático em relação à sua extrema vacuidade interior), e cumprindo o gregarismo que lhes é natural, encontram respaldo para manifestar sua nefasta ousadia pousando aos bandos nos melhores narizes. Tudo de natureza superior tem seu interior invadido pela horda de parasitas pululantes que, em nome da mediocridade e da necessidade de aplacar o seu tédio incessante, reduz tudo à mera vulgaridade, não fazendo sobrar mais espaço para o sublime, para o belo. E assim, em todo lugar, o habitat natural das moscas emerge das profundezas, tendo sua representação mais fidedigna na fossa, na vala comum dos comuns, ou vulgarmente falando, no arquétipo societário ocidental.

E dentre os subprodutos deste festival repulsivo, certamente a conceituação pobre de todos os aspectos do mundo, hábito este advindo da paupérrima cosmovisão inerente às moscas se atesta como a grande degradação final. Um exemplo claro é a tentativa falha de organizar a confusão mental que lhes martela desde o nascimento; As moscas, no esforço hercúleo de extrair algo de útil de suas cabeças ocas, se ordenam de maneira que impõem a si mesmas o próprio sabotamento, e mesmo atestando a falibilidade fatal deste projeto, se enganam para poder vangloriar tal modo de vida, afinal isto é o máximo que podem conceber, é o seu ápice, vibrar pelo putrefato, pelo corpo morto que lhes dá mais um terreno de sobrevoo e que lhes permite perscrutar com seus olhos multifacetados infindas perspectivas, que mesmo sendo incontáveis, não se dignificam nem ao menos no tangenciar do belo, da moralidade e principalmente da verdade. E o que se poderia esperar disso? O que esperar deste projeto que emerge direto das profundezas? Nihil, um nada absoluto. E a este anticristo dão o nome de democracia. Mas o que seria esta democracia então? 

Pois ela nada mais é que o traço indicativo da miséria e da subsequente morte da sanidade moral, e de qualquer profusão intelectual de dada sociedade, uma vez que tem como característica intrínseca e nefasta, a construção antropológica do homem médio; este ser vil, eunuco de toda ordem que refreia o espírito humano em todos as instâncias possíveis, que sob seu lema máximo: habes, habeberis [vales o que tens]  exerce, mesmo que inconscientemente, uma influência demoníaca sobre o meio social que habita, dando corpo à essência da ideologia da pequenez, ao tão difundido pensamento médio que, elevado ao status de imperativo categórico, traz tal qual um cavaleiro do apocalipse, a grande tragédia já anunciada, o fim paulatino da proeminência dos grandes homens. E o que é o tão benquisto homem médio afinal? Pois ele nada mais é do que o juiz de um tribunal veêmico, que encarna perfeitamente a exasperação prática da mediocridade da sociedade e que, através da sua obtusidade típica, condena a altivez dos homens elevados ao opróbrio, pois é sabido que aquilo que em si possui um valor único, perante a turba é mero enfeite, afinal seu entendimento se restringe exclusivamente ao que seja útil para que continuem na sua procura pela sobra que lhes sustente até a próxima desventura. 

E é claro que toda esta constatação é um tanto óbvia para todo aquele que não esteja totalmente corrompido, mas é de importância primária salientar que estamos a viver na era das moscas, no tempo destes seres, híbridos de mosca e homem, que habitam a aclamada "boa sociedade comum", estes mesmos que acuam os mais altivos para acomodá-los a baixeza que lhes é natural; que ousam, com uma pretensiosidade tremenda, igualar -se aos grandes, mesmo estes tendo abismos no que toca ao potencial de realizar as maiores proezas em relação àqueles; que tornam contrabando a profusão dos grandes espíritos, os obrigando assim a desfigurar-se em prol do "bom convívio", o que em uma sociedade imunda é justificável, já que nesta o que se representa vale aos milhões mais do que aquilo que se é, não a toa as moscas regojizam pela democracia, pois uma vez que o auge da sua essência, de seu Ser, está em chafurdar no que de pior há, o que lhes resta somente é a competição da altura dos zumbidos de suas asas, ato que as tornam ainda mais irritantes. Sendo assim, o óbvio, mesmo que dado a visão de todos, necessita ser ressaltado e defendido uma vez que a grande maioria se encontra em estado de cegueira coletiva.

Por tais motivos a era das moscas é tão característica, e ela configura, como nunca antes pôde ser constatado, a pobreza do Ser. A era onde tudo, desde o primeiro suspiro até o último bocejo de um dia qualquer, é compartilhado com outrem. Estamos cada vez mais incapazes de ser dotados de nós mesmos, de SER algo em si, cada vez mais a gregariedade nos toma de assalto, refletindo até mesmo fisicamente sobre nós uma vez que o aumento de casos de doenças como a depressão é sintomático em relação a isso; depositamos a nossa autoestima nos outros e quando vamos buscar algo dentro de nós, nada encontramos, pois fizemos questão de destruir a pedra angular e estabelecer nossos fundamentos sobre a areia. Estamos a nos tornar um ser individualmente pobre e coletivamente miserável, partícipe e protagonista do "progresso da humanidade", acontecimento este tão comemorado pelas moscas e seus asseclas que sintetiza a manifestação mefistofélica que estende o tapete vermelho para a caminhada do novo estágio evolutivo do homem médio, o admirável homem ameba: gregário, unitário e tão, mais tão medíocre e maleável.

Mas como que um milagre, ainda possuímos os melhores narizes, aqueles aos quais a gregariedade é estranha pois é no isolamento e na solidão que seu espírito aflora. São estes os Cátaros reencarnados, homens dotados das virtudes apolíneas de um Cavaleiro que a partir de um senso nato da beleza e da sacralidade dos símbolos do Eterno, estabelecem uma conexão  ímpar para com a Origem do Espírito, são indiferentes para com tudo que é de concreto e material, pois o que os guia não é a treva humanista iluminista, mas a luz que emana do Sagrado. Seu guia não se reduz a mera conceituação científica, é em si superior à vida e à morte. São os mantenedores da tradição do subir da montanha como ato máximo de catarse e purificação das sujeiras do mundo, do abstrair-se de toda a existência para que somente haja o Nada, desvelando assim a verdade inalterável de seu Ser. Tão imersos nas profundezas do Oceano de Éter, tangenciando o Outro Mundo através das condições adversas encontradas no subir da montanha, os espíritos Cátaros realizam, da maneira mais autêntica, através do lapso específico de abertura cognoscente, o sentido do Ser; a autoabnegação do ente, não importando o isolamento, a falta de iguais para dividir os pensamentos, ou a solidão inextricável e primordial dos espíritos aprisionados em um mundo diabólico... Como não atestar tal superioridade de homens de tão inabalável caráter, e, por conseguinte, como não sentir uma profunda ojeriza pelas moscas que pululam em decadência? Sim, somos todos mundos a serem desvelados, mas a qualquer um com um mínimo de bom senso se torna evidente que, enquanto uns sofrem a metamorfose cósmica e tornam - se perpétuas supernovas a brilhar no céu em constância eterna, outros só podem ser algo enquanto se mantêm como sistemas que giram em torno de estrelas a beira da extinção, uma gregariedade fadada a ser engolida por um buraco negro e a se tornar o que já é metafisicamente, um nada.

E esta não se trata de uma constatação intimista, particular, este é o anúncio já preconizado pelos educadores de todo o gênero humano, pelos grandes mestres que caminharam na solitude pela face da Terra, como o afável Angelus Silesius e sua linguagem mística cristã presente no seu Der Cherubinische Wandersmann [O Viajante Querubínico], que diz:

Herodes ist ein Feind; der Joseph der Verstand
Dem macht Gott die Gefahr im Traum (im Geist) bekannt.
Die Welt ist Bethlehem, Aegypten Einsamkeit:
Fleuch, meine Seele! Fleuch, sonst stirbest du vor Leid.
-
[Herodes é um inimigo; José, o entendimento,
a este Deus revela em sonho (no espírito) o perigo.
O mundo é Belém, o Egito, a solidão:
Foge, minha alma! Foge, senão morres no padecimento].

Trecho este complementado magnificamente por outro da mesma obra, que diz:

Die Eisamkeit ist noth: doch sei nur nicht gemein;
So kannst du überall in einer Wüste sein
-
[A solidão é penosa: no entanto, evita ser vulgar;
Em toda parte podes estar no deserto].

E, atestando a justeza de tais sábias palavras, é irrevogável a sabedoria de vida de que o deserto e a montanha são os nossos verdadeiros lares. Em ambos encontramos o Ser autêntico desvelado de forma mais completa e verdadeira. É ali que o ente definha e que o Dasein purificado emerge no homem, elevando-o à condição suprahumana, ao Übermensch enunciado por Nietzsche através das palavras proféticas de Zaratustra. Nestes locais intangíveis aos tolos, lugares ordenados pelo tempo em sua infinda constância e sob a púrpura da solitude, todo o sentido perdido recobra a si mesmo, todo símbolo banalizado pelo mundo é ressacralizado pela ação do Divino, tudo encontra sua medida perfeita. Recônditos em si infindáveis pois são dotados da nossa substância mais significativa, rincões detentores da centelha de Deus que nos está adormecida em nós devido as banalidades da existência terrena. Mundos elevados que a partir da perfeição potencial de seu horizonte, nos conectam em totalidade com o Altíssimo, com tudo que é de ordem superior e divina. Destarte, o tempo e a providência cuidam de glorificar aqueles que honram a venerável tradição Cátara de facto, de diferenciar estes de maior altivez e grandeza de espírito que fazem do deserto e da montanha o seu lar, dos que se entregam à degeneração das moscas, a casta shudresca que frente as tempestades de areia do deserto e as nevascas da montanha, se rende as piores e mais baixas paixões preferindo assim o retorno para o seu lar abissal. 

E por fim, chegando ao término dessa nota tão enfadonha, e infelizmente tão fatídica, fica como aprendizado o que o amável Petrarca pronunciava há tempos no seu Il Canzoniere, do alto do seu intenso amor à solidão:

Cercato ho sempre solitaria vita
(Le rive il sanno, e le campagne, e i boschi),
Per fuggir quest' ingegni storti e loschi,
Che la strada del ciel' hanno smarrita.
-
[Sempre procurei uma vida solitária
(Os rios bem o sabem, e os campos, e os bosques),
Para fugir dos espíritos disformes e embotados,
Que perderam o caminho do céu].

Pois, frente a tudo de podre que nos cerca, a única coisa que pode ser de fato salutar é Ser em si, tarefa árdua alcançada através da reclusão, do isolamento, da solidão íntima. Portanto, visto a baixeza geral que impera, torna-se um princípio moral básico de qualquer um que almeje a grandeza (ou ao menos a decência) repetir a cada momento, como faziam os que estavam a resistir as perseguições das cruzadas católicas: DEMORI! ( "Eu permaneço!" em Occitano) Porque mesmo que o mundo perca seus últimos fundamentos, que desmorone sob o próprio peso e morra, e que o que sobrar forem somente as moscas se alimentando de seus restos pútridos, nós devemos permanecer... Como já enunciado por um homem de valor ímpar, permanecer de pé entre as ruínas.
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Dissidente do Mês: Francis P. Yockey




Francis P. Yockey é a figura dissidente deste mês de Novembro. Francis foi um simpatizante do Nacional Socialismo, aproximando-se muito das ideias de Spengler. Entretanto, a maioria dos movimentos NS norte-americanos tinham pouca relação com os ideais de Yockey: diferentemente destes, ele não nutria o sentimento radical anti-comunista típico da época. Ao contrário, Francis foi um NS que defendia a multipolaridade, chegando a criar contatos em países como Egito (chegou a trabalhar para o presidente Nasser) e nações da própria União Soviética.

Francis compreendia que regimes de caráter socialista (como as diversas nações soviéticas e os países árabes nacionalistas) eram preferíveis a regimes liberais, tanto por que conseguiam criar um caráter mais comunitarista, identitário e independente, tanto por representarem oposições abertas ao modelo global. A derrocada do Fascismo representou o triunfo do Capitalismo, segundo Yockey; e, enfraquecido, o Comunismo começava a ser dilacerado pela doutrina liberal. Francis foi mesmo um defensor do pan-Arabismo, do nacionalismo árabe e da criação de governos nessa linha. A unidade do Oriente Médio estava amplamente consolidada nesse modelo, que nem se assemelhava ao modelo capitalista e democrático-liberal do Ocidente, nem do Comunismo centralizador soviético.  

Parker identificava que os Estados Unidos agiam como nação artificial, e que o Liberalismo era um inimigo muito pior do que o Comunismo. Por isso mesmo, diferente dos movimentos de Terceira Via de sua época que, alegando lutar contra o Capitalismo e o Comunismo, sempre tomavam a defesa do primeiro em relação ao segundo, Parker mostrava a necessidade do enfraquecimento geopolítico norte-americano e a destruição do liberalismo para permitir os verdadeiros nacionalismos. Parker denunciou diversas figuras do movimento sionista e sua influência nas políticas de guerra norte-americanas.

Parker foi preso por conta de passaportes falsos em sua posse. Cometeu suicídio na prisão, deixando um bilhete no qual informava que, com isso, desejava preservar as identidades de seus contatos. Francis esteve muito à frente de seu tempo. Ele soube identificar os verdadeiros inimigos, algo que a maioria dos atuais grupos nacionalistas e de Terceira Posição ainda são incapazes de fazer, acorrentados à Guerra Fria. Esse entendimento é o meso que devemos ter; Esquerda ou Direita, o inimigo é apenas um: o liberalismo e a política global.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Homem pós-moderno é um eunuco metafísico


Por Cassiano Lopes Sotomaior


O Homem pós-moderno é um eunuco metafísico. Rejeitando aquilo que Aristóteles denominou como ''a filosofia primeira'', ele vagueia na materialidade, estéril, oco. É incapaz de possuir um Ser, pois homogeneizado nas torrentes democráticas, esvanece enquanto sujeito identitário para se tornar eterno identificante, um mero ''algo'' reciclável que nunca É. Ele existe enquanto travessia subjetiva e inerme, proclamando com seus discursos e atos um ''panta rei'' abissal. Ele não luta, não busca, mas apenas Está, em toda sua indigência ontológica, esfacelando-se como pó em cada fração fluídica no tempo. Ele é, indubitavelmente, o fracasso. Mas o fracasso é propriamente sua semente e seu vírus, alastrando-se e alterizando tudo aquilo que toca. Ele é, em suma, o Outro-Absoluto, a antítese de si, o Nihil por excelência.


Entretanto, brutalmente enraizado na força metafísica que o transcende, antagoniza o Homem sólido e fértil, que apoiado na concretude da matéria, alça-se à imensidão do espírito, contemplando assim, no lapso específico de abertura cognoscente, sua essência, seu Ser. Essa apreensão platônica fulgurante é o acontecimento de fronteira, do mais agudo contraste entre o Homem-Espelho, incapaz e imerso na instantaneidade, e o Homem integral, vivificante em memória e sangue. Enquanto o primeiro nada retém, o Homem capaz tudo absorve, hierarquiza e avança, derramando de Si em prol do que Era e virá a Ser. Nele mora a chama da tradição, do poder e da vida.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Por nós e por nossos filhos



Por Léia Guimarães Sampaio

Há 30 anos atrás, no dia 3 de dezembro de 1984, o vazamento de cerca de 40 toneladas de gases tóxicos utilizados na fabricação de pesticidas resultou na morte de mais de 30 mil pessoas na cidade de Bophal, na Índia. Estima-se que cerca de 150 mil outros habitantes foram afetados por doenças degenerativas em decorrência do acidente, ocorrido nas dependências da corporação Union Carbide, posteriormente adquirida pela Dow Química.
O local nunca foi completamente descontaminado e até hoje apresenta riscos à população. A Dow se recusa a fornecer informações mais detalhadas sobre os componentes propagados, e segue hoje como uma das 6 gigantes que dominam o mercado de venenos e sementes transgênicas, tendo faturado U$ 60 bilhões em 2012.
Por isso esta data foi escolhida para marcar uma série de mobilizações pelo mundo contra o uso de
agrotóxicos e por uma agricultura que esteja em sintonia com a natureza.
Na maioria das vezes, compramos alimentos dos quais ignoramos a procedência, e os agrotóxicos podem estar presentes desde as mais baixas escalas de produção até a de grandes latifúndios. O seu uso em todo o mundo tem gerado inúmeros impactos negativos, tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana, pois como se sabe e o próprio nome já diz, são tóxicos, e substâncias presentes neles foram usadas como arma química durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.
As estimativas feitas pelas agências internacionais de saúde são extremamente preocupantes, tanto para os problemas de contato direto com consequências imediatas (inclusive a morte), como para os problemas crônicos determinados pelo contato direto e indireto com produtos muitas vezes de baixa toxicidade aguda e por tempo prolongado.
Em 2013, o mercado de agrotóxicos movimentou aproximadamente US$11,5 bilhões. O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos, e o Estado de São Paulo é o maior fabricante e consumidor no país. Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são despejados em nosso país. Um bilhão de litros ao ano: 5,2 litros por brasileiro! O governo brasileiro estimula o setor através de isenção fiscal – os agrotóxicos têm 60% de isenção do ICMS, e muitos ainda possuem 100% de isenção do IPI, PIS/PASEP e COFINS. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o uso dessas substâncias é da ordem de 3 milhões de toneladas/ano, expondo, só no meio agrícola, mais de 500 milhões de pessoas.
O mais intrigante é que aqui no Brasil é autorizado o uso das substâncias mais perigosas, já proibidas na maior parte do mundo por causa dos danos que provocam. O poder das transnacionais que produzem agrotóxicos permite que o setor garanta a autorização desses produtos danosos nos países menos desenvolvidos, mesmo já tendo sido proibidos em seus países de origem.
Os pesticidas causam sérios riscos ao meio ambiente e à saúde do ser humano. Aplicações de pesticidas em lavouras podem contaminar lençóis freáticos e rios, levando à morte de seres que vivem nesses locais. Quando utilizado excessivamente provocam na praga uma resistência cada vez maior a esses compostos, o que leva à necessidade de usar doses maiores e produtos mais fortes. Contribuem com o empobrecimento do solo, já que a utilização de pesticidas reduz a eficiência da fixação de nitrogênio realizada por micro-organismos, o que faz com que o uso de fertilizantes seja cada vez mais necessário. A planta também sofre impactos com o uso de pesticidas, já que isso afeta sua estrutura física, bem como seu metabolismo. O ser humano, evidentemente, é também é muito prejudicado pelo uso de agrotóxicos, tanto para os que manipulam, quanto para os que consomem alimentos cultivados com essas substâncias.
Muitos agrotóxicos apresentam em suas composições substâncias chamadas “xenoestrogênios”, causando um impacto negativo muito grande na saúde humana*. (Para saber mais sobre este assunto, acesse: http://www.nossofuturoroubado.com.br/old/ciclo.htm)
Os agrotóxicos podem causar mutações genéticas que afetam a terceira geração daqueles que tiveram contato com o tóxico, mesmo que os descendentes não tenham tido nenhum contato. Várias pesquisas científicas comprovam os muitos impactos nas vidas de trabalhadores rurais, consumidores e demais seres vivos, revelando como desencadeiam doenças como cânceres diversos, problemas durante a gestação, como a morte de fetos, defeitos de nascença, problemas de desenvolvimento neurológico, diminuição do tempo de gestação, pouco peso do bebê, má-formação fetal, problemas hormonais, estresse, ansiedade, disfunções neurológicas, como autismo, transtorno bipolar, convulsões, mal de Alzheimer,transtorno do déficit de atenção com hiperatividade em crianças.
Os casos anuais de intoxicações agudas não intencionais nos países mais pobres são estimados em 1 milhão, com 20 mil mortes. As intoxicações crônicas, embora de mais difícil avaliação, são estimadas em 700 mil casos/ano, com 37 mil casos/ano de câncer em países em desenvolvimento e 25 mil casos/ano de sequelas persistentes. Em muitos países desenvolvidos, as informações sobre mortes e intoxicações agudas por pesticidas já são controladas.
A intoxicação pode ocorrer por várias vias:
Via dérmica – penetração pela pele. É a mais frequente e ocorre: pelo contato direto com os produtos; pelo uso de roupas contaminadas; pela exposição à névoa do produto, formada na aplicação.
Via digestiva – é a penetração do produto pela boca, agregado há alimentos ou água;
Via respiratória – o produto penetra pela respiração e atinge os pulmões.
A afirmação de que a produção de alimentos com agrotóxicos é mais barata não se sustenta, pois os custos sociais e ambientais são incalculáveis. Somente em tratamentos de saúde estima-se que para cada real gasto com a aquisição de pesticidas, o poder público desembolsa R$ 1,28 para os cuidados médicos necessários. Essa conta, todos nós pagamos sem perceber.
É preciso solucionar este mal através de uma gradual e crescente mudança do sistema atual para um novo modelo baseado no cultivo orgânico, mantendo o equilíbrio do solo e a biodiversidade. Existem muitas experiências bem-sucedidas em nosso país e em todo o mundo, que comprovam a viabilidade desse novo modelo.
A opção (ainda restrita aos que podem pagar por ela, infelizmente) são os alimentos orgânicos. Outro procedimento que pode ser adotado é o de sempre lavar frutas, legumes e verduras, independentemente da sua procedência. Uma solução, indicada pelo Dr. Lair Ribeiro, que garante que ela elimina os agrotóxicos dos alimentos, é comprar tintura de iodo 2% em farmácia, e misturar com água para os vegetais de molho por uma hora – proporção: 5ml de iodo para cada 1 litro de água. Após o tempo de molho, descarte a água, lave os vegetais e consuma-os normalmente.

Por um Brasil e um mundo livre de agrotóxicos, abrace essa causa pelo bem da sua saúde e da saúde das nossas futuras gerações.
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