quinta-feira, 20 de abril de 2017

Em memória dos Heróis esquecidos: Marcílio Dias

Por: Idelmino Ramos Neto




Desde o golpe que instaurou a República, as forças que ditam o rumo da nação têm pelejado incessantemente contra qualquer demonstração de altivez, honra e coragem que remeta ao passado imperial. 

Destarte, o ethos[1] tupiniquim foi subvertido, o povo alienado e, em consequência, campeões que labutaram pela construção da grandiosa Pátria Brasilis foram abandonados. Marcílio Dias[2], o porta-bandeira negro que se tornou herói na Batalha do Riachuelo, é um deles.

Quando a corveta Parnaíba[3] foi arremetida por três navios paraguaios, Marcílio empunhou o sabre e empreendeu a batalha com quatro oponentes, abatendo dois em defesa do estandarte que jurara resguardar. Teve o braço decepado e retornou ao acampamento com o lábaro enrolado nas feridas, vindo a óbito no dia posterior. 

Marcílio Dias representa o povo brasileiro que labuta contra a dominação alienígena, a imposição de valores e o globalismo a vampirizar o país. Ambos esquecidos pelos facínoras de colarinho branco.

É por um Brasil consciente de sua história e daqueles que batalharam para concebê-la que o Avante labuta.





Notas:

[1] Termo grego para designar aspectos, costumes e hábitos fundamentais que formam a cultura característica de determinada época, região ou coletividade (de um povo, em geral).

[2] Marcílio Dias (nascido em 1838 e falecido em 1865) foi um marinheiro negro da então Armada Imperial Brasileira. Teve seu batismo de fogo na Batalha do Paysandú, e foi eternizado como herói por seus atos na Batalha do Riachuelo, travada durante a Guerra da Tríplice Aliança. 

[3] A Corveta Parnaíba foi um dos maiores navios de guerra da categoria, com casco em madeira, pesando 637 toneladas e dispondo de sete canhões (1 do tipo 70 £, 2 do tipo 68 £ e 4 do tipo 32 £), e 120 cavalos de potência. Foi encalhada e seriamente danificada durante a Batalha do Riachuelo. O capitão-tenente Aurélio Garcindo Fernandes de Sá comandava a embarcação. Marcílio Dias fazia parte da tripulação da Corveta Parnaíba.








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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Indígenas e ribeirinhos impedem audiência sobre leilão florestal no Pará

Por Tiago Miotto*

 

Indígenas e beiradeiros impedem audiência sobre leilão da floresta em Itaituba (PA)




Na tarde desta quarta [05/04/2017], indígenas da etnia Munduruku, localizados na comunidade de Pimental e ribeirinhos de Montanha e Mangabal realizaram um ato na Câmara de Vereadores de Itaituba (PA), onde ocorreria uma audiência pública para discutir o leilão de 295 mil hectares de floresta à exploração madeireira. Pela pressão dos indígenas e ribeirinhos, a audiência acabou sendo cancelada.

A área na qual o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade) pretendem legalizar a exploração de madeira contém sítios arqueológicos e é onde indígenas e ribeirinhos do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Montanha e Mangabal caçam, fazem seus roçados e pescam de maneira tradicional.

“Foi aberto o edital da concessão e não fomos consultados, nem os ribeirinhos e nenhum dos povos indígenas afetados”, explica Irleuza Robertinho, liderança indígena de Pimental.
“Eles fazem uma reunião sem consultar ninguém, como se não existisse o protocolo de consulta. Nós estamos aqui, estamos vivos e vamos brigar sempre pelo nosso território, nem deixar que ninguém desmate nossa floresta para ter empreendimento para madeireiro”, afirma Alessandra Munduruku, liderança do Médio Tapajós.



*
Membro da Assessoria de Comunicação, e Equipe Tapajós - Cimi Norte 2




Postado originalmente em: Conselho Indigenista Missionário
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Marcelo Odebrecht ensina: democracia é ilusão

Por: Jean A. G. S. Carvalho
Marcelo Odebrecht

Inúmeros nomes, listas inteiras de pessoas, empresas, firmas, partidos políticos e figurões. As delações intermináveis dos Odebrecht (e principalmente de Marcelo, o sucessor dessa dinastia) mostram algo bastante simples, e que parece ainda não ter sido compreendido pela maioria dos observadores: democracia é ilusão.

A dinastia Odebrecht praticamente tem ditado os rumos da política brasileira (e não só dela) há pelo menos mais de trinta anos - remontando inclusive ao regime militar, o que destrói a retórica direitista da "moral ilibada" dos governantes militares.

Em todos os processos eleitorais, a empresa Odebrecht (empreiteira, essencialmente dominante e com um capital vastíssimo) financiou diretamente as candidaturas de praticamente todos os candidatos (ao menos os mais significativos deles). Isso significa, em termos práticos, que não importa quem vence uma eleição, a Odebrecht sempre ganharia - como num Cassino: a casa sempre ganha.

Partindo do pressuposto de que Democracia é participação política efetiva e direito de escolha, não é difícil concluir que não existe democracia no Brasil (aliás, na maioria dos países do mundo). Primeiro, porque não há participação de fato, no máximo uma representatividade - o cidadão comum tem muito pouca participação na vida política além do voto de dois em dois anos; segundo, porque não há escolha real se todas as alternativas são vinculadas a uma mesma origem ordenadora (no caso, a Odebrecht). O que há, no Brasil, é uma Oligarquia ou Cleptocracia.

O voto, nesse processo, se pode ser considerado como um ato de democracia efetiva (o que não é o caso), seria um instrumento irrelevante e irrisório nesse sistema. A questão é que, como a Odebrecht, uma estrutura tão gigantesca, passou praticamente despercebida da maioria da população? Não há transparência no processo, o que seria crucial para uma democracia de fato. E que outras estruturas como a Odebrecht (ou talvez maiores do que ela) não devem também efetivamente manipular o processo político pelos bastidores, sem que saibamos?

A questão toda não está no nível das "teorias da conspiração", mas no campo factual, comprovado, visível. Estruturas ocultas que dominam o poder são reais, e podem acidentalmente aparecer às claras - no caso, a Odebrecht só foi "descoberta" porque todo o processo de anulação do PT esbarrou num problema bem simples: depois da retirada do Partido dos Trabalhadores, a casta corrupta fatalmente daria início a um processo autofágico: o próprio governo está se desmantelando e desintegrando, porque todas as partes envolvidas são corruptas e, diante de uma denúncia, oferecem duas ou três no lugar.

Como sempre reiteramos, desde antes do Impeachment inclusive, a corrupção é tão severa que, nas acusações contra Dilma Rousseff, os delatores sequer incluíram as acusações mais graves de corrupção (lavagem de dinheiro, caixa 2, propinas, mensalão, etc.). E isso aconteceu por um simples fato: os próprios denunciantes eram cúmplices. A jogada da "improbidade administrativa" foi a "carta" especial no baralho.

Quando uma figura oculta da estrutura de poder foi também denunciada, o efeito dominó começou: Odebrecht está caindo, mas puxa consigo o Congresso, o Senado e a Câmara quase que por inteiro. Sua descoberta foi um "bug do sistema" pelo qual a casta política está pagando cara - não só pelos processos convencionais, mas pela fúria popular que já se alastra e os vários casos de câmaras de vereadores sendo atacadas Brasil afora, isso sem contar a recente invasão ao Congresso Nacional, por manifestantes (policiais civis, rodoviários, federais).


É preciso certa dose de cautela: a mídia tem se esforçado em forçar como verdade absoluta quaisquer declarações dos Odebrecht. Muitas coisas ainda precisam ser confirmadas, outras já foram desmentidas. De toda forma, a ligação próxima entre a Odebrecht e os principais partidos brasileiros (PMDB, PSDB, DEM e PT - e, no caso desse último, a mídia faz sempre um reforço intencional) e toda a estrutura política está mais do que confirmada.


Além disso, é preciso frisar que a Odebrecht não é a única empresa envolvida em esquemas de corrupção. Ela é tão somente a mais proeminente delas, e ainda é quase que impossível ter uma noção real do dinamismo desses esquemas.

A "manta" de falsidade que cobria a democracia, ou seja, a ilusão do funcionamento saudável das instituições brasileiras, foi tirada. O véu foi rasgado - e já podemos ver o que há no Profano dos Profanos (o antro da escória político-econômica). Há ainda muito entulho e estamos longe de visualizar o panorama inteiro.

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Michel Temer pode perdoar sua dívida (se você for um banqueiro ou mega-empresário)

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Crise, endividamento, recessão. É preciso economizar, apertar o cinto, arrumar a casa, equilibrar as contas e fazer umas reformas aqui e ali - principalmente na Previdência. Com a retórica de que o país está "falido", de que "não há dinheiro em caixa" e de que os gastos estão "alto demais", saúde, segurança, educação, infraestrutura, cultura, lazer e tantas outras áreas essenciais são sacrificadas em nome de uma austeridade que só serve para os pobres (ironicamente, sempre há dinheiro para renovar uma frota de veículos, para esbanjar em algum jantar de gala ou sustentar os luxos infindáveis da elite político-econômica).

Para reforçar essa narrativa, há inclusive a repetição constante de que a Previdência Social está "quebrada", "falida" e que apenas causa prejuízos. A solução mágica é cortar uma série de benefícios trabalhistas, aumentar absurdamente o tempo para aposentadoria (superando a própria expectativa de vida do brasileiro, em várias regiões) e "fazer uma Reforma" (leia-se demolição). É fácil constatar a invalidade dessas afirmações e perceber que a Previdência não está quebrada, nem em déficit[1]. Se fosse este o caso, o montante das dívidas das grandes empresas e bancos com o governo seria mais do que suficiente para tapar o buraco[2].

Para o governo Temer, você é responsável pela crise atual. É você quem deve sacrificar sua aposentadoria, seus direitos e os direitos dos seus filhos e netos (e, talvez, até bisnetos). É você quem tem privilégios demais, e precisa abrir mão deles em um gesto de estoicismo. Sua dívida é imperdoável, porque dela depende o "equilíbrio do país". Não importa se você vive (aliás, sobrevive) com um salário mínimo: tem de pagar sua parte.

Mas essa inflexibilidade e dogmatismo tão expressos por Temer desaparecem. Ele também é o presidente bondoso, o líder de uma nação com um coração tão aberto quanto o de uma mãe: mas só para banqueiros e mega-empresários. Em meio aos discursos e pronunciamentos em favor da austeridade, do equilíbrio fiscal e da necessidade de tomar medidas "impopulares" para o "bem do Brasil", o governo Temer tem perdoado consistentemente as dívidas de bancos e grandes empresas. Aliás, nesse sentido, ele tem dado continuidade à política já adotada pelo Partido dos Trabalhadores[3].

Recentemente, no dia 10 de abril de 2017, por meio do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais[4]), com 5 votos a 3, o governo decidiu perdoar uma dívida de R$25 bilhões do banco Itaú[5]. Esse montante era relativo em impostos oriundos duma fusão entre Itaú e Unibanco. De todos os processos tramitando no CARF, este era o de maior valor.

A mensagem do governo é clara: quanto maior sua dívida, maiores as chances de ela ser perdoada - e o ônus inteiro deve ser jogado nas costas do trabalhador, e não dos grupos realmente responsáveis pela crise e capazes de pagar por ela.



Notas:

[1] O discurso de que a Previdência Social está quebrada e que só gera déficits, repetido pelos liberais à exaustão, é falso. Denise Gentil, professora de economia da UFRJ, esclarece esse ponto, afirmando que, em 2013, a Previdência teve superávit de R$68 bilhões, e de R$56 bilhões em 2014. A tática para validar o discurso do "rombo da previdência", segundo a professora, é isolar Previdência e Seguridade Social, calcular o resultado da Previdência levando em conta apenas a contribuição dos trabalhadores e empregadores, desconsiderando as outras formas de contribuição para manter a Previdência, somando todos os gastos com todos os benefícios - é assim que se chega à mentirosa retórica do "rombo", calculado em R$87 bilhões em 2015 (desconsiderando, obviamente, as outras formas de contribuição, que apresentam o inverso desse cálculo: superávit). Para conferir a entrevista da professora Denise na íntegra, basta acessar o site Brasileiros.com.

[2] O montante em dívidas de grandes empresas em relação ao governo chega a R$426,07 bilhões, numa lista que inclui mais de 500 nomes de empresas, principalmente de grande porte. O valor é o triplo do suposto "rombo" na Previdência, de R$149,7 bilhões, registrado em 2016 (o resultado do cálculo que só leva em conta as contribuições de empregadores e empregados, desconsiderando as outras fontes de arrecadação previdenciária). Para números e detalhes mais amplos, confira o site Agência Brasil.

[3] O Partido dos Trabalhadores (PT) já adotava as mesmas práticas agora reforçadas por Michel Temer. Apenas a título de exemplo: em 2009, Lula sancionou uma medida provisória que perdoava dívidas de até R$ 10 mil, beneficiando 453 mil pessoas físicas e 1.6 milhões de empresas, num montante de R$3.6 bilhões (isso pode ser conferido no site Correio Forense); Dilma, ainda no poder em 2016, perdoou um montante de R$579 milhões só de clubes de futebol (isso pode ser conferido no site Folha Política). Vários outros montantes podem ser facilmente encontrados.

[4] O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) foi criado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e instalado pelo Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Fazenda em 15/2/2009, mediante Portaria MF nº 41, de 2009.  A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, aprovou o Regimento Interno do CARF, que já se encontra em plena vigência. O texto integral do Regimento Interno pode ser consultado neste sítio em Institucional/Regimento Interno (fonte: Fazenda.gov.br).

[5] Esse processo pode ser conferido em: Poder 360. Também pode ser conferido no próprio CARF: Carf.fazenda.gov.


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terça-feira, 11 de abril de 2017

A Direita critica a mídia de massas - mas forma suas opiniões por meio dela

Por: Jean A. G. S. Carvalho





Há um paradoxo inerente à Direita: os direitistas consideram todo o aparato de mídia de massas (mais especificamente, os grandes canais e emissoras de jornalismo televisivo) como fruto daquilo que chamam de "marxismo cultural". Independente dos nomes pelos quais designam esses aparatos, acreditam que são essencialmente propagadores de mentira, desinformação, manipulação e adulteração consistente dos fatos.

Nesse ponto, estão certos, e partilhamos dessa compreensão. Mas é preciso observar que o direitista médio é essencialmente o acéfalo manipulado pela mesma mídia de massas que tanto critica. Especialmente em assuntos de geopolítica e política internacional, o direitista forma suas opiniões bebendo da mesma fonte que tanto condena: os grandes canais da mídia ocidental - e da própria mídia brasileira, que apenas traduz as informações de canais como CNN, Fox News e BBC.

Basta verificar a opinião da massa da Direita brasileira sobre a guerra na  Síria: é a reprodução daquilo que é divulgado por esses canais. Não só em relação à Síria, mas basicamente em relação a todos os fenômenos internacionais, a opinião do direitista é formada por esse antro de desinformação.

A rejeição do direitista à mídia "marxista cultural" é seletiva: enquanto essa mídia reforça todos os ideais dessa Direita, essencialmente em sua ânsia pela hegemonia cultural, econômica e política dos Estados Unidos e daquilo que se compreende por "Ocidente", o direitista médio não só acredita cegamente nessa mídia, mas  repete como mantra suas declarações, sem o "espírito crítico" e "cético" que tanto faz questão de endossar.

Esse criticismo só é presente quando as afirmações dessa estrutura de mídia contradizem as concepções e ideias do direitista. Esse não é um fenômeno essencialmente de Direita ou restrito a ela: o esquerdista médio também critica a estrutura de mídia enquanto adula essa mesma estrutura quando ela reforça seus ideais (principalmente no campo moral, cultural). Reforçamos aqui a crítica especificamente à Direita porque é exatamente ela que se dispõe a "lutar contra o establishment" e o "sistema esquerdista"; ou seja, a Direita não critica a mídia de massas por um viés especialmente econômico, classista ou materialista (como a Esquerda o faz), mas cultural, espiritual, religioso, moral e ético.

Essa "espiritualidade", essa ética e essa moral são elementos ignorados, esquecidos quando a questão é justamente duvidar desses modelos de mídia. Além disso, o direitista não propõe métodos e canais alternativos de mídia e difusão do conhecimento, limitando-se a criar think tanks e canais que apenas servem como repetidores, caixas de ressonância dos canais mais poderosos em relação à geopolítica e à economia.

O discurso pró-EUA é especialmente reforçado, repetido e glorificado pela Direita, sem qualquer critério, crítica ou ceticismo. Inclusive, a atividade crítica em relação a essas informações, tão elogiada pela Direita, é demonizada quando a questão se trata de adotar outros posicionamentos e análises alternativas à retórica dessa mídia pró-EUA.

O direitista é, em essência, o repetidor de um discurso, de uma narrativa essencialmente criada para defender o mesmo establishment que ele diz odiar, as ferramentas de perpetuação da destruição dos valores que supostamente lhe são tão "sagrados".



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Armas químicas encontradas em depósito rebelde após ataque aéreo sírio em Idlib

Tradução: Jean A. G. S. Carvalho


Fotos do depósito rebelde com armas químicas, tiradas por soldados russos em campo

A Força Aérea Síria destruiu um armazém na província de Idlib, onde armas químicas estavam sendo produzidas e estocadas antes de serem enviadas para o Iraque, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo.

A operação, que foi lançada ao meio-dia dessa última terça-feira [04/04/2017], visou um importante depósito rebelde de munição, localizado a leste da cidade de Khan Sheikhoun, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo, o general Igor Konashenkov.

O armazém era usado para produzir e armazenar dispositivos contendo gás tóxico, disse Konashenkov. Os dispositivos foram entregues ao Iraque e repetidamente usados lá, acrescentou, observando que tanto o Iraque quanto as organizações internacionais confirmaram o uso de tais armas por militantes.

As mesmas munições químicas foram usadas por militantes em Aleppo, onde especialistas militares russos tomaram amostras no final de 2016, disse Konashenkov. O Ministério da Defesa confirmou essa informação como "totalmente objetiva e verificada", acrescentou Konashenkov.

De acordo com a declaração, os civis da cidade de Khan Sheikhoun, que recentemente sofreram um ataque químico, exibiram sintomas idênticos aos das vítimas de ataque químico de Alepo.
Hasan Haj Ali, comandante do grupo rebelde do Exército Livre de Idlib, rejeitou a versão russa sobre o incidente, dizendo que os rebeldes não tinham posições militares na área. "Todo mundo viu o avião enquanto bombardeava com gás", disse ele à Reuters.

"Da mesma forma, todos os civis na área sabem que não há posições militares lá, ou lugares para a fabricação [de armas]. As várias facções da oposição não são capazes de produzir essas substâncias ", acrescentou.

Pelo menos 58 pessoas, incluindo 11 crianças, morreram, e dezenas ficaram feridas depois que um hospital em Khan Sheikhoun foi alvo de um ataque de gás suspeito na manhã de terça-feira, informou a Reuters, citando médicos e ativistas rebeldes. Logo após um míssil supostamente ter atingido a instalação, as pessoas começaram a mostrar sintomas de intoxicação química, como engasgos e desmaio.

As vítimas também foram vistas com espuma saindo de suas bocas. Enquanto o principal grupo de oposição sírio, a Coalizão Nacional Síria, e outros grupos pró-rebeldes culparam o governo do presidente Bashar Assad pelo ataque, o Exército Árabe Sírio rejeitou todas as alegações como propaganda dos rebeldes.

"Negamos completamente o uso de qualquer material químico ou tóxico na cidade de Khan Sheikhoun, e o exército não usou nem usará, em qualquer lugar ou tempo, nem no passado nem no futuro, esse tipo de arma", disse o exército sírio em comunicado. Os militares russos declararam que não realizaram nenhum ataque aéreo na área.
 
No entanto, a chefe de Relações Exteriores da União Européia, Federica Mogherini, comentando o incidente, foi rápida em apontar o governo sírio como um culpado, dizendo que ele é responsável pelo "terrível" ataque.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, fez eco a Mogherini, acusando o governo sírio de perpetrar o ataque chamando-o de "barbaridade brutal e descarada". Ele argumentou que, além das autoridades sírias, o Irã e a Rússia deveriam também ter "responsabilidade moral".



Postado originalmente em: RT


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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Entrevista com o prof. Dr. André Martin: Implicações geopolíticas de Trump e do ataque dos EUA à Síria



Entrevista concedida pelo prof. Dr. André Martin ao CEM, realizada por Jean A. Carvalho e originalmente publicada no CEM





A reprodução da entrevista no blog do Avante foi autorizada tanto pelo prof. André quanto por Flavia Virginia, diretora do CEM



Jean A. Carvalho: Qual o significado geopolítico de Trump? Ele é uma novidade ou "mais do mesmo"?

Prof. DR. André Martin: Trump aparece como grande novidade, mas já se percebe que ele sofre muita oposição interna daqueles que até agora dominaram os EUA. Enfrentar o Deep State (as forças do globalismo e o capital financeiro) é difícil, e parece que ele tem cedido um pouco.


JAC: Quais os possíveis impactos do recente ataque dos EUA, ordenado por Trump, à base militar síria?

Prof. DR. AM: Essa foi uma ação um pouco precipitada, pois não  planejamento de sequencia. De que lado os EUA ficarão? Quem mais comemorou esse ataque dos EUA foi o Estado Islâmico. Os EUA ficarão do lado do EI? Foi um ato impensado. Mais voltado para a política doméstica do que para a política externa, propriamente. 


JAC: Como a Rússia deve reagir ao ataque?

Prof.DR.AM:Deve agir com firmeza e cautela. A ação dos EUA foi totalmente unilateral e deve ser condenada, porque fere toda a lei internacional. Há de se esperar os próximos passos dos Estados unidos, porque as coisas não mudaram muito do ponto de vista do campo de ação na Síria. É preciso haver mais firmeza na condenação diplomática deste ato impensado e inconsequente. Em termos militares, não muda muita coisa, mas a grande "vitória" foi ter feito com que Trump cedesse, "mudando de lado" por meio de uma operação false-flag. Uma pergunta que não ouvi ninguém fazer é: que sentido haveria para o governo sírio usar as armas químicas contra sua própria população à beira da vitória na guerra? Isso só justificaria a ação americana e prejudicaria o próprio governo sírio. 

Dias atrás, as forças aéreas americana e inglesa mataram centenas de civis em Mosul, no Iraque. Houve alguma indignação em relação a isso? Isso forçou o Exército Iraquiano a interromper a tomada de Mosul. Isso significa que os EUA estão objetivamente ao lado do Estado Islâmico. Essas duas operações, no Iraque e na Síria, só favorecem o Estado Islâmico.


JAC: Os neocons radicais podem se aproveitar duma possível reação russa para fomentar ações ainda mais agressivas por parte de Trump?

Prof. DR. AM: Muito provavelmente, já que essa é a estratégia desse grupo que vinha minando a posição pró-Rússia de Trump. Conseguiram a defenestração do general Flynn e de Bannon, duas peças-chave anti-guerra que o establishment belicista conseguiu remover. Por isso a cautela é vital por parte da Rússia, para não favorecer os belicistas.


JAC: O conflito na Síria estava chegando a um ponto de conclusão. Esse ataque recente pode prejudicar a conclusão do conflito?

Prof. DR. AM: Inegavelmente. Esse ataque introduz um dado novo, que é a expectativa de interrupção do processo de paz e a conquista militar por parte do Exército Sírio, que estava ampliando o controle em direção a todo o território sírio. Isso certamente foi interrompido por meio desse ato.


JAC: Qual o impacto do Brasil nesse conflito sírio? O que muda em termos de relações internacionais para o Itamaraty?

Prof. DR. AM: Diria que a posição brasileira, no momento, é totalmente irrelevante. O Itamaraty não sabe muito bem o que fazer, nem como proceder em relação aos acontecimentos na Síria.


JAC: Qual o peso geopolítico de Trump para o Brasil? Há possibilidade de melhora nas relações entre Brasil e EUA?

Prof. DR. AM: Trump, para o Brasil, significaria uma grande possibilidade de postura mais autônoma do Brasil em relação aos EUA, mas não estou seguro de que isso vá mesmo acontecer. É provável que o atual governo brasileiro apenas acompanhe os reflexos dos EUA. Mas ainda há uma possibilidade de mudança nas relações entre Brasil e EUA, em médio-prazo. Por enquanto, isso ainda é difícil.

Há também um perigo, porque Trump deu uma demonstração de fraqueza. Trump tentou ganhar apoio interno (mostrando, com isso, que está fraco); ele cedeu pra tentar ganhar esse apoio. Mas, quanto mais ele ceder, mais terreno tentarão tomar dele.



Entrevista originalmente publicada em: CEM


 
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Ron Paul: 0% de chances de Bashar estar pro trás do ataque químico na Síria





Nessa quinta-feira [06/04/2017] no programa "Ron Paul Liberty Report", o ex-deputado Ron Paul sugeriu que o uso de armas químicas no início desta semana poderia ser uma ação de false-flag [falsa bandeira] criada para culpar o governo sírio.

 

Ron Paul chegou a declarar que não há chances de o presidente sírio Bashar al-Assad ser o culpado pelos ataques químicos recentes, porque não faria sentido para ele usar armas químicas nesse momento. 

"Dei uma olhada no The New York Times para ter alguma explicação, e lá eles diziam, numa manchete: 'O Pior Ataque Químico na Síria em Anos - Os EUA Culpam Assad", disse Paul.

"Então é isso e pronto? Mas não é assim tão fácil, não é mesmo? O que aconteceu há quatro anos em 2013? Você sabe, essa coisa toda sobre ele ter ultrapassado a Linha Vermelha. E, desde então, os neoconservadores estão gritando e gritando - até mesmo parte do governo gritou e gritou sobre Assad usar gás venenos contra seu povo há quatro anos. Não é bem verdade. Isso tudo nunca foi provado".

"Pra Assad, não faz nenhum sentido usar de repente, nessas condições, gases venenosos", continuou. "Eu acho que as chances de ele ter feito isso são zero; você sabe disso deliberadamente. Mas também podemos perguntar isso para um senador que seja famoso pela política externa. Podíamos perguntar a John McCain, pedindo para que ele explique isso. Ele achou alguém para colocar a culpa. E eu não sei por que ele jogou a culpa disso no presidente".
    
"McCain diz culpar Trump", acrescentou Paul. "Pra ele, isso tudo é culpa do Trump, porque ele não foi suficientemente agressivo." 




Postado originalmente em: BreitBart


 
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quem dita os rumos da Indústria da Moda e por que é um tabu criticá-los?

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Se há beleza no mundo, dentre várias manifestações, o corpo feminino certamente é uma delas. Mas é possível "alterar" essas manifestações naturais da beleza. Afinal, elas precisam ser "aprimoradas". A mulher é, por isso mesmo, o principal alvo de toda uma indústria da moda, que vai muito além dos ateliês e desfiles de moda, se alocando essencialmente no campo subjetivo, o campo das ideias e suas modulações.

A lógica capitalista abrange mesmo as formas de beleza e os conceitos de belo, criando padrões artificiais e "necessidades". Há uma forte propaganda industrial e midiática para que a mulher sinta-se desconfortável com seu próprio corpo e "deslocada" dum eixo estético, um padrão considerado como normal, "saudável" e recomendado (embora o marketing já englobe outras formas para lucrar em cima da representatividade, sem, contudo, abrir mão da padronização, seja ela como for).

Em toda indústria, há uma elite. A moda não é exceção: quem dita as tendências, roupas, estilos, padrões e principais produtos e lógicas de mercado é uma pequena elite, formada desde industriários que exploram mão de obra semi-escrava, donos de redes de lojas de grife, magnatas das comunicações, donos de salões e estilistas

Ideais de beleza mudam com o tempo. Basta observar qual era o modelo feminino essencialmente cultuado pelos povos ameríndios, pelo medievo europeu e pela Renascença (figuras femininas que eram consideradas como o suprassumo do belo e, hoje, estão "fora dos padrões" e medidas).

O ponto negativo não é a criação dum padrão estético, como criticam a maioria dos esquerdistas, já que isso se fez e se faz presente em todas as sociedades (basta observar o exemplo das gueixas, no Japão antigo). O problema principal é: que padrão tem sido fomentado? Este padrão é saudável, ou ao menos alcançável por vias positivas, ou exige uma série de medidas até mesmo letais? A segunda alternativa parece a mais condizente com a atualidade. 

Hidrogel, silicone, lipoaspiração, botox, dietas "milagrosas" - e inúmeros outros procedimentos e substâncias. São facilidades que permitem uma superação dos ciclos e processos naturais de envelhecimento do corpo. Beleza, nesse conceito industrial, nada mais é do que retardamento dos sinais visíveis da velhice. Tomemos o silicone como exemplo: há poucas décadas, seu uso estético era praticamente inexistente. As próteses em silicone criaram uma necessidade antes inexistente. 

Depois de sua popularização é que sua "necessidade" foi percebida pela maioria das mulheres, que passaram a "precisar" desse recurso (que é usado de forma brilhante para recuperar a autoestima de mulheres que sofrem com câncer de mama ou acidentes, mas que é largamente usado para fins meramente narcisistas).

Agora, a nova tendência é o oposto: seios naturais. Essa lógica mercantilista consiste em primeiro adulterar o natural e depois lançar novamente o natural como "tendência". É um joguete de estímulo e desestímulo, algo pavloviano[1]. O importante não são os procedimentos em si, mas sim o quanto se está disposto a gastar para seguir as "tendências" (ditames da elite da moda). Esses ditames, inclusive, pouco têm a ver com os gostos reais dos homens heterossexuais; são produtos de uma indústria da moda essencialmente homossexual. 

Quando se critica a "indústria da moda" e a "padronização", esse é um fator que permanece intocável, um tabu protegido pelo mantra da "homofobia". Mas a verdade não deixa de ser válida por conta do politicamente correto. Não se trata de criar uma "culpa aos gays", mas de dizer que o meio é essencialmente esse - e não está limitado a eles, já que industriários lucram com todo esse sistema de criação de demandas totalmente artificiais e nocivas à saúde feminina.

Thierry Mugler, Isaac Mizrahi, Michael Kors,  Patrick Kelly, Karl Lagerfeld, Roy Halston, Calvin Klein (aqui, mais direcionado à moda masculina), Valentino Garavani, Riccardo Tisci, Gianni Versace, John Galliano, Tom Ford, Marc Jacobs, Alexander McQueen, Rick Owens e Yves Saint Laurent, dentre vários outros, são a prova dessa regra. Ralph Lauren, Giorgio Armani e Oscar de la Renta são exceções (estilistas heterossexuais - ao menos é o que se supõe).

Não é exagero constatar que há uma predominância gay na elite da moda e que, salvo raras exceções, esse é um dos setores de propagação do liberalismo moral/cultural, servindo de anexo à tática de diluição dos próprios conceitos de beleza e arte. É a "quebra de padrões" (para criar novos padrões, obviamente). Pode não ser correto afirmar que toda a elite da indústria da moda seja essencialmente homossexual, mas a elite responsável por implantar essas tendências e ditar o rumo aos consumidores o é.

Há um custo alto decorrente dessa indústria estética. E esse custo não é medido apenas em vidas de mulheres que se perdem por distúrbios alimentares, suicídio e erros cirúrgicos, mas também na exploração de mão de obra (inclusive infantil). H&M, Nike, Walmart, GAP, La Senza, Victoria's Secret (aclamada por seus desfiles anuais), Disney, Sears, Joe Fresh, Marks and Spencer[2] são apenas alguns dos exemplos de indústrias da moda (ou que possuem algo no ramo) que exploram trabalho escravo. Por trás de todo o luxo dessa indústria, há miséria e profunda exploração (algo escondido pelas cortinas).


A indústria da moda se insere em todo o restante da lógica de capital, da hegemonia global (inclusive servindo como lobby para advogar todas as causas globalistas, servindo também como uma ferramenta de imperialismo cultural) e dos novos módulos de conquista cultural, mas, provavelmente pelo caráter de sua própria elite, é pouco criticada, ou criticada de maneira superficial (críticas que se limitam a denunciar a "padronização da beleza", mas que não citam suas origens nem vão muito além disso). Esse fator é simples de entender: os maiores críticos desses padrões (os esquerdistas) também são os maiores militantes do politicamente correto, que blinda os membros dessas elites por questões de cunho sexual estritamente subjetivas.

Essa também é uma área para todo o tipo de experimento social e comportamental, com total abertura ao bizarro. Toda a degradação ganha terreno de testes no mundo dos estilistas, como Rick Owens, que adota desfiles bizarros (como ordenar que suas modelos desfilem em posição 69[3]). O objetivo não é ditar apenas como a mulher deve se vestir, mas como ela deve se comportar - e isso é feito por meios explícitos e subliminares.

O Brasil flutua entre a 1ª e 2 posições no ranking mundial de números absolutos de procedimentos estéticos. Em média, uma mulher morre a cada mês no país em decorrência de procedimentos estéticos (e o número pode ser maior, já que há inúmeras clínicas clandestinas). As consequências de se promover padrões absurdamente doentios nunca são boas. Depressão, anorexia, bulimia, crises de identidade e outros problemas emocionais, psicológicos e psicossomáticos são recorrentes em modelos e profissionais da "beleza" em geral[4].


Basta observar: a massa das models parece algo amorfo, homogêneo. Mulheres com expressões geralmente mortas, frias; a quase que completa ausência de sinais de personalidade. A mesma indústria que mostra o quanto a mulher é "individual e única" é aquela que as transforma numa massa igualada. É essa a mágica do liberalismo moral e econômico: exaltar a individualidade e, ao mesmo tempo, promover a homogeneização. "Você é especial: como todas as outras".

Garotas que cada vez mais cedo (e inclusive na infância) são estimuladas por padrões midiáticos de uma beleza disforme, cada vez menos supridas por referenciais saudáveis (a nível familiar, escolar, religioso, social e psicológico) e cada vez mais insatisfeitas com o próprio corpo são conduzidas por uma indústria preocupada objetivamente com o lucro a qualquer custo - inclusive o da própria vida.

Fomentar uma estética de beleza pautada essencialmente na saúde (inclusive mental, cultural e espiritual), para além da própria aparência superficial, é tarefa essencial de qualquer sociedade que queira conservar não só a beleza, mas a essência humana que a motiva. Criticar a indústria da moda e da beleza sem a coragem de apontar quais são os maiores incentivadores dessa mesma indústria, por simples temor do politicamente correto, é mostrar falta de vontade de corrigir o problema exposto.

Há estilistas (e, como os citados, muitos deles também gays em sua maioria) que criam algo essencialmente saudável, mas que não têm espaço numa indústria elitizada. Esses mesmos que são marginalizados, estranhamente não recebem a bênção e o beneplácito da militância politicamente correta - e, quando críticos dessa mesma indústria, são igualmente demonizados, ou simplesmente passam despercebidos (como o caso de
James Scully[5]). 

É preciso redefinir a indústria da moda e sua lógica (o que não exige simples reformas, mas uma demolição completa dessa indústria). Isso não será possível enquanto a elite que domina esse setor não for denunciada.




Notas:

[1] Termo que se refere ao cientista Pavlov e seus estudos de condicionamento comportamental conduzidos com cães. Para Pavlov, os mesmos métodos aplicados aos cães poderiam ser usados para condicionar o comportamento humano. "Comportamento pavloviano" é o comportamento condicionado por estímulos (incitação e recompensa). 

[2] Os casos estão listados na seguinte lista: 10 Major Clothing Brands Caught in Shocking Sweatshop Scandals.

[3] A bizarrice pode ser vista aqui: Paris Fashion Week: Rick Owens Sends Models Down The Catwalk In 69 Position.

[4] A título de exemplo, tomamos o caso de Daul Kim, modelo sul-coreana que cometeu suicídio aos 20 anos de idade, quando trabalhava para uma agência na França. O caso dela não é um fato isolado, e é fácil encontrar eventos semelhantes no mundo da moda. A notícia pode ser encontrada no site da Independent: Depressed and lonely, model is found hanged.

[5] Apesar de não criar essencialmente uma "nova moda", James Scully denunciou tratamentos desumanos e racistas dados a várias modelos. Isso pode ser conferido nesta matéria: Casting Director Criticizes Fashion Industry For 'Cruel,' Racist Treatment Of Models.

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