terça-feira, 14 de novembro de 2017

Como Bashar e a Síria venceram a guerra

Por: Jean A. G. S. Carvalho

Soldados sírios em preparação para a operação de libertação de Deir ez-Zor (fonte: Sputnik/ Mikhail Alayeddin)

Com a retomada de Deir  ez-Zor , o centro mais vital da região oriental síria (e, até então, o último grande bastião em poder do Estado Islâmico no território sírio), a guerra no país está essencialmente concluída - embora seus efeitos colaterais dificilmente sejam eliminados a curto prazo. O conflito, que se arrasta desde janeiro de 2011, ocasionou uma imensa crise de refugiados, milhares de mortos e a destruição quase que completa de uma nação inteira.

Os grupos terroristas atuantes na região, especialmente as facções radicais como o Daesh (Estado Islâmico), a Jabhat Fateh al-Sham (a Frente Al-Nusra, a Jabhat al-Nusra) e a Al-Qaeda, além de setores "moderados" como o FSA ("Free Syrian Army" - Exército "Sírio" Livre), foram largamente amparados pelos Estados Unidos e pela coalizão europeia.

O objetivo era claro: repetir aquilo que havia sido feito no Iraque em 2003 e na Líbia em 2011 (e o conflito na Síria "coincidentemente" ocorreu no mesmo ano em que a Líbia foi devastada). Assim como Saddam Hussein e Muammar al-Gaddafi foram derrubados, Bashar também deveria cair. 

Mas não foi isso o que aconteceu. Diferentemente dos quadros iraquiano e líbio, o governo sírio contou com apoio externo vital: russos, chineses, iranianos e até mesmo norte-coreanos (que também enviaram equipamentos de guerra). Esse apoio externo foi essencial para que o governo sírio mantivesse e recuperasse territórios.

Um dos pontos cruciais para um resultado sírio diferente daquele observado no Iraque e na Líbia é o fato de que Bashar não cedeu às pressões externas dos regimes que se opuseram a ele. Bashar não efetivou o desmantelamento de suas próprias forças armadas nem deixou de combater os terroristas - e, diante das sanções europeias e estadunidenses, pôde contar com o apoio de aliados internacionais. Ou seja, Bashar nunca ficou efetivamente isolado (um dos objetivos de seus oponentes).

Um dos imperativos geopolíticos dos Estados Unidos, que é exatamente o de destruir todos os nacionalismos árabes, foi impedido. Na Síria, esses objetivos geopolíticos encontraram um forte entrave. Hoje, aqueles que desejavam a queda de Bashar já se resignaram e concluem que a permanência de Bashar no poder é um fato.

A reconstrução da Síria pode significar um desfecho positivo para a crise de refugiados para a Europa e a restruturação do Oriente Médio. A resistência no país significa a demonstração prática de que o campo geoestratégico não está mais nas mãos de um único agente e que alternativas geopolíticas podem e devem ser estabelecidas. Em suma, a vitória síria é uma vitória da multipolaridade.

Ao invés de transformar o país num território dominado pelas potências externas por intermédio de grupos de terror, como aquilo que aconteceu com a Líbia, a Síria hoje tem uma nova oportunidade diante de si e não foi anulada enquanto civilização e país. A vitória síria é uma vitória civilizacional contra a barbárie e o terrorismo internacional. 


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Por que o neopentecostalismo cresce tanto no Brasil?

Por: Jean A. G. S. Carvalho




O Brasil é um país ainda majoritariamente católico, mas com um profundo crescimento do neopentecostalismo. Há vários meios de interpretar esse fenômeno, mas as circunstâncias geradas pelo vácuo de poder nas periferias e favelas é provavelmente o ângulo mais significativo (ou um dos mais significativos).

Em primeiro lugar, é possível traçar paralelos entre o crescimento dos neopentecostalismos estadunidense e brasileiro, mas os dois fenômenos possuem também características bastante distintas - no Brasil, esse fenômeno ganha traços próprios e as análises feitas aqui se desdobram especificamente naquilo que acontece aqui.

As denominações neopentecostais crescem com mais vigor nas periferias e favelas - exatamente os locais com menor presença do Estado. Há um imenso vácuo de poder e de estrutura social nessas regiões, com ausência quase que completa de infraestrutura, seguridade social, lazer, segurança, educação e auxílio às famílias, mulheres, idosos e crianças. 

É nesse vácuo que a ação neopentecostal se firma: essas congregações realizam uma série de benfeitorias sociais, serviços voluntários e apoio que os pobres não encontram em outras instituições (afastar os homens do alcoolismo e, consequentemente, gerar um ambiente de segurança para as mulheres é um desses elementos).

A desmobilização das organizações de massa e o abandono da Esquerda em relação à periferia, preferindo a figura do burguês e as pautas pequeno-burguesas à realidade dos proletários pobres também favorece o fortalecimento dos ramos neopentecostais nessas áreas. A desproletarização da Esquerda abriu o caminho para uma espécie de "proletarismo"-neopentecostal.

Sem uma política real para as periferias e os mais pobres em geral, essas massas são cooptadas por instituições para além das estruturas governamentais e partidárias, organizações com mais capacidade de mobilização, dinamismo e mais contato com os problemas reais.

Cada líder duma congregação neopentecostal é essencialmente um senhor das terras (um overlord[1], um suserano) com domínio sobre um território definido. Ele atua como a autoridade de facto da comunidade, a liderança comunitária. Não o policial, não o juiz, não o oficial de justiça: o líder neopentecostal. Essa é a autoridade e esse é o elemento que comanda sua jurisdição.

Esse senhorio cria uma estrutura social para atender as necessidades mais básicas da comunidade, ganhando a fidelidade e o comprometimento da clientela (os fiéis ou conversos). É pelo prisma dos negócios que esses meios devem ser encarados, porque de fato são negócios expansivos, sustentados por dinheiro e dele dependentes.

Quanto mais clientes (fiéis), maior a arrecadação monetária nessas terras. E, quanto maior essa arrecadação, maior é a capacidade de expansão territorial: o overlord  agora é capaz de abrir filiais (outras congregações), entregues aos comandos de um seigneur[2], um "senhor de feudo". 

Esse seigneur pode tanto estar ligado a um ramo mais forte (como no caso da Igreja Universal do Reino de Deus) ou se desvincular do núcleo e formar um negócio próprio (como no caso da Igreja Mundial do Poder de Deus, forjada por Valdomiro Santiago, um ex-membro da Igreja Universal).

Essa estrutura social criada pelas congregações neopentecostais tem um efeito de "convênio" ou "pacto": o miserável, assistido pela congregação de bairro (ligada ao overlord ou ao seigneur), vota nos candidatos que refletem esse meio neopentecostal. Assim, os donos das terras expandem seus territórios e consolidam projeção política. 

Quanto mais adeptos/convertidos/clientes, mais eleitores. Quanto mais eleitores, mais candidatos com essa filiação religiosa chegam ao poder, criando um verdadeiro lobby que reflete uma coletividade, uma expansão do poder do overlord e/ou do seigneur.

Com surgimento nos Estados Unidos, especialmente por membros afro-americanos, o neopentecostalismo tem (ou teve) conexões próximas com as religiões de matiz africana - uma conexão que, hoje, é visceralmente cortada, manifesta inclusive na profunda hostilidade das congregações neopentecostais contra os cultos de raiz afro-brasileira. O elemento do transe e do êxtase é apenas um dos indicativos de proximidade entre esses dois troncos religiosos. A migração entre membros desses dois pólos é ainda um indicativo disso.

Mas ainda há elementos conectivos entre as duas aglomerações religiosas. Lídia Maria de Lima, teóloga e pesquisadora, constatou que dentre 60 umbandistas e candomblecistas (as duas maiores religiões de matriz africana no Brasil), 35% eram pertencentes a denominações evangélicas antes de migrar para religiões afro-brasileiras[3].

Há uma grande volatilidade e tráfego de fiéis entre várias religiões no Brasil. O neopentecostalismo cresce, mas com uma massa de adeptos não necessariamente fidedigna. A rotatividade é bastante alta: eles migram de denominação em denominação. Muitos deles passam para os ramos protestantes históricos, alguns para o catolicismo e até mesmo para religiões afro-brasileiras. Isso significa que essa massa neopentecostal, apesar de crescente, não é fixa e pode se movimentar para diferentes segmentos.

É exatamente por isso que o overlord ou o seigneur precisam se valer da força armada para desfazer esses laços ou elementos de proximidade aparente e reafirmar o culto, o secto neopentecostal (o núcleo de atuação e de projeção de poder desses barões) como liderança inquestionável e inconteste na região territorial.

O pacto firmado entre os fiéis e esses cultos é também frágil. A relação com esses meios é basicamente aquela onde o fiel (ou adepto) busca a resolução de algum problema, alguma situação contingente (essencialmente material). Uma vez resolvida a demanda, a aderência a esses meios é pequena.

A união com elementos de tráficos e milícias  serve também justamente para consolidar a presença do culto em determinada localização geográfica - os traficantes armados que eliminam os locais de culto de candomblé e umbanda, por exemplo, asseguram a predominância do agrupamento religioso neopentecostal do qual são filiados.

Esses núcleos neopentecostais podem ser interpretados como algo essencialmente heterogêneo. São clãs, overlords disputando espaço territorial, fiéis e dinheiro - essencialmente rivais. São negócios em competição franca, concorrentes de públicos específicos e suas campanhas desesperadas para arregimentar fregueses são uma demonstração clara disso.

Todos esses cultos são essencialmente sensitivos e sentimentalistas, completamente apelativos no nível emocional - o condicionamento pelo êxtase. Todos os apelos são seguidos por pedidos e campanhas que exigem que o freguês (o fiel) entregue uma quantia de dinheiro ou de qualquer bem material.

Sem uma projeção de poder real e de presença de Estado nas favelas e nas camadas mais pobres da sociedade, entregues exclusivamente à lógica de lucro, os ramos neopentecostais conseguirão mais e mais projeção, especialmente porque toda sua dinâmica está mais adaptada à questão do lucro, do financismo.

O crescimento é também demográfico: os neopentecostais têm filhos e um crescimento numérico significativo. Ao contrário, os adeptos da Esquerda pós-moderna recrudescem e são essencialmente avessos à reprodução humana; o ateísmo também tem a projeção de decréscimo demográfico constante ocasionado pela baixa natalidade[4]

Os principais adversários do neopentecostalismo falham em dois aspectos principais: atuação real nas periferias e crescimento demográfico. Manter uma ideia viva exige manter  também o surgimento de novas gerações (esse é um dos motivos, por exemplo, de o Islã crescer tanto na Europa: o imigrante islâmico tem vários filhos, enquanto o  europeu médio tem poucos ou nenhum).

É assim que esses líderes de culto, overlords e seigneurs, aumentam sua projeção de poder: criando uma rede de seguridade social, captando novos clientes (fiéis), aumentando sua arrecadação monetária e expandindo suas bases - estimulando, também a procriação. E, é claro, contando com seus homens armados, seus soldados (swordsman, rider[5]).

Esses swordsmen precisam ser arregimentados dentro e fora dos presídios, inclusive. Podendo significar uma conversão real ou um mero recrutamento dessa força combativa para a congregação neopentecostal, a tomada do narcotraficante (ou do banditismo em geral) é passo vital para esses estabelecimentos. É provavelmente por esse fator que o neopentecostalismo busca tanta entrada em ambientes prisionais.

Separar trabalhos religiosos autênticos com as populações carcerárias da atuação com fins de cooptação para interesses escusos não é um trabalho fácil. O caso de Marcos Pereira, líder de um desses cultos, é bastante significativo: realizando trabalhos de "conversão" e "evangelismo" em presídios, ele tinha supostas ligações com criminosos (Marcos chegou a ser solto por decisão da Justiça em 2014).

Sem um projeto consistente e uma presença efetiva de Estado nessas localidades, a tendência é que o vácuo de poder seja preenchido por esses ramos neopentecostais que, inclusive, conseguem articular milícias e tráficos ao invés de competir com esses nichos por esse espaço de poder.

O neopentecostalismo, distante de qualquer traço de Cristianismo real (tanto do catolicismo quanto do protestantismo pré-neopentecostalismo), funciona como um negócio que oferece tudo aquilo que o cliente quer: soluções materiais, êxtase, uma visão estritamente individualista e uma "experiência religiosa" mecânica e fácil de se manipular - ao mesmo tempo, não possui nada que o homem realmente precisa, uma conexão real com Deus e uma transformação cristã verdadeira. 

É um não-cristianismo e a negação em essência da mensagem dos Evangelhos. Em suma, é um negócio: todos os aspectos divinos transformados em serviçais com as necessidades humanas como epicentro da "experiência religiosa". É um contrato: "dê dinheiro e receba mais dinheiro". É uma pseudo-espiritualidade superficial e essencialmente negativa.

A bestialização das massas por produtos inacabados da indústria de massas, a desinformação e desinteligência das mídias e a ausência de projetos civilizacionais reais (além do materialismo e do individualismo) são elementos propícios ao surgimento e À propagação de sectos neopentecostais. 

Reclamar da proliferação desses sectos sem compreender suas causas e sem disposição real para alterar esses contextos e realidades é como reclamar do fogo sem combatê-lo - e não há nenhum projeto alternativo real à atuação neopentecostal, ao menos não por parte do Estado.




Notas:

[1] Overlord é um termo em inglês que significa "suserano", um senhor de domínio feudal.

[2] Seigneur é um termo em francês que significa "senhor", aquele que recebe um domínio das mãos do senhor feudal/rei/suserano.

[3] "O novo retrato da fé no Brasil", Istoé: https://istoe.com.br/152980_O+NOVO+RETRATO+DA+FE+NO+BRASIL/.

[4] "Why people with no religion are projected to decline as a share of the worlds popularion", Pew Research: http://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/04/07/why-people-with-no-religion-are-projected-to-decline-as-a-share-of-the-worlds-population/.

[5] Swordsman significa "espadachim", aquele que luta com espadas; rider significa cavaleiro; os termos foram usados aqui com conotação explícita de soldados a serviço de um senhor, reforçando o caráter territorial dos cultos neopentecostais. Substitua aqui as espadas pelos fuzis e os cavalos pelas motos e carros e você compreenderá o paralelismo e a metáfora.


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

As conexões obscuras entre o movimento LGBT e o lobby pedófilo

Por: Jean A. G. S. Carvalho


Conferência de imprensa da NAMBLA, uma organização pró-pedofilia, em 1982. Foto de G. Paul Burnett.

"Se os pais e amigos dos homossexuais são verdadeiramente amigos dos homossexuais, o que eles devem saber é que aquilo que seus filhos gays (de treze, quatorze e quinze anos) mais precisam é, exatamente, da relação com um homem mais velho - mais do que qualquer outra coisa no mundo" 
(Henry Hay Jr., o "ancião" da comunidade gay dos EUA)


A declaração acima, bastante explícita, é inflamatória e inconveniente. Ela expõe uma relação bastante obscura entre o lobby gay e o lobby pedófilo - uma conexão que é blindada como um tabu e um tema essencialmente politicamente incorreto pelos militantes da causa em geral. O autor dessa fala, Henry (ou Harry), longe de ter sido ostracizado ou rejeitado em vida, foi eleito pelo lobby gay estadunidense como "fundador do movimento gay moderno" e "pai da liberação gay"[1].

Quando se fala na correlação entre o movimento LGBT (que deve ser diferenciado do homossexual, já que o primeiro trata-se dum grupo ou rede de grupos e o segundo duma pessoa com uma sexualidade específica) e o lobby pró-pedofilia, esses apontamentos são tratados como teoria da conspiração, mentira ou mera difamação - mas a realidade é concreta e a conexão entre os movimentos LGBT e organizações de pedófilos é algo bastante verificável.

A organização pró-pedofilia mais expressiva dos Estados Unidos é a NAMBLA (North American Man/Boy Love Association [2] - Associação Norte Americana de Amor Homem/Garoto), já satirizada pela série ácida South Park, no episódio "Cartman Joins NAMBLA"[3] ("Cartman entra para o NAMBLA"), o 5º da 4ª temporada.

No episódio, os pedófilos são retratados como essencialmente gays com desejos sexuais por garotos. Essa satirização rendeu o polemismo e a rejeição da retratação duma associação entre homossexuais e pedofilia.

Mas para além da sátira há o quadro real. Harry Hay[4], um dos maiores ativistas pelos direitos gays nos EUA, defendeu a inclusão da NAMBLA nas paradas gays pelo país. De modo público, ele incentivou, participou e realizou eventos em apoio à NAMBLA e sua luta pela normalização da pedofilia.

Irwin Allen Ginsberg[5] foi membro e defensor da NAMBLA e um dos mais proeminentes defensores da causa gay na mídia estadunidense. Foi um dos escritores mais famosos de seu tempo, considerado como pai da chamada Beat Generation (que incluiu escritores como Jack Kerouac e William S. Burroughs).

O próprio fundador da NAMBLA, David Thorstad[6], hoje com 76 anos, é um ativista político engajado na causa pró-pedofilia. Foi um dos precursores da causa dos direitos homossexuais nos EUA. Ele também chegou a atuar como presidente da New York's Gay Activists Alliance[7] ("Aliança de Ativistas Gays de Nova Iorque"). David descreve a si mesmo como um "pederasta bissexual ateu" e se orgulha de "nunca ter sido condenado por violações sexuais".

Um dos objetivos declarados pela NAMBLA é o de "cooperar com a comunidade LGBT em geral e com os movimentos de liberação das mulheres"[7]. E os movimentos LGBT de modo geral estiveram bastante associados à NAMBLA na década de 1970. Não é como uma aliança entre duas partes que não se conhecem, ou como se esses movimentos gays não soubessem dos propósitos da NAMBLA - afinal, é e sempre foi uma organização explicitamente pró-pedofilia. Foi uma aliança aberta e consciente.

A separação entre os movimentos gays e o lobby pedófilo só aconteceu porque a NAMBLA perdeu popularidade e passou a ser cada vez mais hostilizada, por razões óbvias. A propaganda negativa que a NAMBLA trazia ao aparato LGBT foi a razão principal da cisão entre as duas partes, e não questões morais ou rejeição à pedofilia em si. Em resumo: enquanto a união com o grupo de pedófilos significava um reforço à causa gay nos EUA, a aliança foi mantida; a partir do momento em que esse propósito não foi mais cumprido, a separação foi feita.

A primeira oposição aberta à NAMBLA feita pela comunidade LGBT[8] foi feita apenas em 1979, um ano depois da fundação dessa organização. Em 1980, um grupo chamado Lesbian Caucus distribuiu panfletos contra a NAMBLA, convocando as mulheres para fazer um boicote contra a New York City Gay Pride March ("Parada do Orgulho Gay da Cidade de Nova Iorque") porque, segundo elas, o evento já estava dominado pelos pedófilos.

Depois de várias polêmicas, já em 1981, o grupo gay da Cornell University recusou o convite de David Thorstad, fundador da NAMBLA, para participar como oradores do May Gay Festival (Festival Gay de Maio).

Nos anos seguintes, vários grupos gays tentaram barrar a participação dos pedófilos da NAMBLA em paradas e eventos gays. Harry Hay[9], uma das lideranças dos direitos gays nos EUA, participou da parada de orgulho gay de Los Angeles em 1986 com um cartaz dizendo "NAMBLA walks with me" ("A NAMBLA caminha comigo").

Já na década de 80, a NAMBLA estava praticamente isolada em suas posições, politicamente sozinha. Várias organizações gays, acusadas de recrutar crianças e de praticar abuso infantil, abandonaram o radicalismo típico dos anos anteriores e abandonaram a ideia duma "política mais inclusiva" (que obviamente incluía os pedófilos). O apoio aos grupos "estranhos", como a NAMBLA, praticamente desapareceu (hoje, não há nenhum apoio explícito de grupos gays à NAMBLA nos Estados Unidos).

Em 1984, um grupo LGBT de Nova Iorque chamado Stonewall 25 votou pelo banimento da NAMBLA da marcha internacional nas Nações Unidas. Uma das motivações foi o fato de a Direita estadunidense religiosa fazer uma correlação entre os gays e a pedofilia. Esse gesto teve um caráter essencialmente propagandista e político, e não moral. O que motivou a ação do grupo Stonewall 25 e de outros núcleos de ativismo gay não foram as posições da NAMBLA, das quais eles já eram conhecedores, mas sim a imagem negativa gerada por eles.

Em 1994, a Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (Aliança Gay & Lésbica Contra a Difamação) adotou um documento chamado "Position Statement Regarding NAMBLA" (Declaração de Posição em relação à NAMBLA), no qual declarava que a organização "rejeita os objetivos da North American Man Boy Love Association, que incluem a advocacia do sexo entre homens adultos e garotos e a remoção de proteções legais para as crianças". Ainda segundo o documento, "esses objetivos constituem uma forma de abuso infantil e são repugnantes".

No mesmo ano, o conselho de administração da  National Gay and Lesbian Task Force (Força-Tarefa Nacional de Gays e Lésbicas) adotou uma resolução contra a NAMBLA, dizendo: "A NGLTF condena todos os abusos contra menores, tanto sexuais quanto de quaisquer outros tipos, perpetrados por adultos; a NGLTF condena os objetivos organizacionais da NAMBLA e de quaisquer outras organizações desse tipo". Em 2013, o grupo de ativismo hacker Anonymous impediu acessos ao site oficial da NAMBLA numa ação intitulada "Operation Alice Day" (Operação dia da Alice). O horário e o nome da ação coincidem com o Alice Day, um dia de orgulho pederasta celebrado por um pequeno grupo de pedófilos e seus apoiadores.

Esse lobby homossexual-pedófilo tem grande força jurídica. Apesar de hoje ser uma organização que, ao menos explicitamente, não possui força, membros da NAMBLA continuam impunes por seus crimes. Dentre eles, provavelmente um dos mais graves é o do caso Curley versus NAMBLA[10], do qual o próprio fundador da organização de pedófilos, David Thorstad, foi um dos acusados. David nunca foi responsabilizado pelo caso.

No Brasil, há ecos dessas conexões. Luiz Mott[11], ativista homossexual, defende abertamente a relação entre homens e garotos.  Fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott enaltece relações com "meninos", sempre usando malabarismos semânticos para simular relações condizentes com os preceitos legais, enquanto que subjetiva e isoladamente demonstra o desprezo por convenções sociais ou aspectos jurídicos em relação à sexualidade em absolutamente qualquer forma. 

Paulo Ghiraldelli Jr.[12], professor da UFRRJ, outro ativista pelos direitos gays e pela "liberdade sexual", já produziu e continua produzindo diversos materiais dúbios sobre pedofilia. Seu texto "A Pedofilia de Todos Nós" é uma clara relativização da pedofilia (pode ser conferido na íntegra aqui). Tanto Paulo quanto Mott possuem cargos academicamente importantes e continuam exercendo suas atividades, sem passar por absolutamente nenhuma responsabilização penal legal. São os "intocáveis". Essas são apenas duas figuras para ilustrar um paralelismo entre o que ocorre nos EUA e aquilo que se passa no Brasil.

Se é moralmente errado fazer uma correlação entre homossexuais e pedofilia para cercear e perseguir gays, também é igualmente imoral blindar a questão e impedir a denúncia real dessas conexões com a desculpa de que isso é "incitação à homofobia". Ou seja, em nome da integridade dos gays, uma política de anulação da questão é adotada, porque falar sobre o tema é "discurso de ódio". Esse discurso serve para proteger exatamente os homossexuais, ou apenas para blindar figuras com retórica que favorece a abertura à prática de pedofilia?

É realmente alarmismo acreditar nisso? Absolutamente, não. A pedofilia é reconhecida agora como "orientação sexual". A própria figura do pedófilo vem sendo progressivamente distanciada dos crimes contra crianças, como coisas essencialmente distintas - e, sendo portador duma "condição especial", o pedófilo transita do status de criminoso para o de vítima. Esse salto cognitivo é essencial para permitir abertura social à pedofilia, e o discurso "anti-homofobia" é usado para encobrir a questão em panos quentes. A semântica está sendo alterada, e esse é um dos passos iniciais de alteração social e normalização de uma pauta específica.


Notas

[1] Haggerty, George E.; Beynon, John; Eisner, Douglas (2000). Encyclopedia of Lesbian and Gay Histories and Cultures, Vol. 2 (Enciclopédia de Histórias e Culturas Lésbicas e Gays - Vol. 2). New York: Garland Publishing. Conferir também: Timmons, Stuart (1990). The Trouble with Harry Hay: Founder of the Modern Gay Movement (O Problema com Harry Hay: O Fundador do Movimento Gay Moderno). Boston: Alyson Publications. ISBN 978-1555831752.

[2] NAMBLA (North American Man/Boy Love Association - Associação Norte-Americana de Amor Homem/Garoto) é uma organização que advoga a pedofilia e a pederastia, criada e atuante nos Estados Unidos. Atualmente, a organização é bastante fraca e isolada, mas já teve grande peso em movimentos homossexuais e congêneres. O propósito central da NAMBLA é eliminar a idade mínima de consentimento e leis de proteção à criança, além de descriminalizar o envolvimento sexual entre adultos e menores de idade. A organização faz campanhas pela libertação de presos condenados por crimes sexuais contra menores, alegando que esses casos não envolveram coerção. O grupo não realiza mais encontros nacionais regulares e, para evitar policiais infiltrados, não encoraja mais a formação de núcleos locais. Por volta de 1995, um detetive descobriu que havia 1100 pessoas na lista de membros da organização. Em 1997, a NAMBLA era o maior grupo listado no IPCE (International Pedophile and Child Emancipation - Emancipação Internacional de Pedófilos e Crianças, uma organização fundada nos anos 90; em 2005, contava com 79 membros registrados espalhados em 20 países), uma organização de grupos pró-pedofilia internacional. A quantidade atual de membros da NAMBLA é desconhecida, mas estima-se que tenha diminuído consideravelmente. De acordo com Xavier Von Erck, diretor de operações da organização anti-pedofilia Perverted-Justice (Justiça-Pervertida), as ações são essencialmente virtuais, principalmente por redes como DanPedo, Annabelleigh e BoyChat. As possíveis bases da NAMBLA em 2005 foram listadas como Nova Iorque ou São Francisco.

[3] "Cartman Joins NAMBLA" (Cartman Entra para o NAMBLA) é o 5º episódio da 4ª temporada de South Park e o 53º episódio da série como um todo, exibido pela primeira vez nos EUA em 21 de junho de 2000, pelo canal Comedy Central. Nesse episódio, Eric Cartman, por se achar mais amadurecido do que seus colegas, procura amigos "mais maduros" e, num chat online, acaba conhecendo pedófilos. Ao perguntar sobre onde ele poderia encontrar amigos adultos, Cartman é aconselhado pelo Dr. Mephesto a se unir à NAMBLA (uma organização fictícia diferente, mas com a mesma sigla, chamada de North-American Marlon Brando Look-Alikes - Norte-Americanos Parecidos com Marlon Brando), sendo posteriormente recrutado pela NAMBLA (a organização pró-pedofilia) sem saber que se trata duma organização de pedófilos. Ele é usado como garoto propaganda para as causas da organização. Depois de várias outras ações, o FBI acaba prendendo os pedófilos numa reunião na cidade de South Park, onde Cartman e os outros garotos da cidade haviam sido cooptados, evitando que os garotos fossem abusados.

[4] Henry "Harry" Hay Jr. foi um dos mais significativos ativistas dos direitos gays nos Estados Unidos. Comunista, fundou a Mattachine Societ (Sociedade Mattachine), um dos primeiros grupos de direitos homossexuais nos EUA, fundado ainda em 1950 - provavelmente, atrás apenas da Chicago's Society for Human Rights (Sociedade pelos Direitos Humanos de Chicago). Ele era visto como um "ancião" da comunidade gay. Foi o principal orador da Parada Gay de São Francisco em 1982. Hay foi um dos porta-vozes que se opôs ao boicote contra a NAMBLA, feito por vários grupos gays. Ele apoiou fervorosamente a união com os militantes pró-pedofilia. Quando questionado em 1983 na New York University (Universidade de Nova Iorque) sobre seu apoio à causa dos pedófilos (e mais especificamente à NAMBLA), ele disse a seguinte frase: "Se os pais e amigos dos homossexuais são verdadeiramente amigos dos homossexuais, eles deveriam saber é que aquilo que seus filhos gays (de treze, quatorze e quinze anos) mais precisam é, exatamente, da relação com um homem mais velho, mais do que qualquer outra coisa no mundo". Henry usou um cartaz escrito "NAMBLA Walks With Me" ("A NAMBLA Caminha Comigo") durante a parada gay de Los Angeles em 1986. Denunciado por participantes da marcha, ele quase foi preso. Hay era um dos principais críticos dos papéis de gênero. Em 1999, participou como um dos organizadores da parada gay de São Francisco. Morreu em internação por conta de câncer de pulmão e pneumonia em 24 de outubro de 2002. aos 90 anos de idade. As cinzas dele foram misturadas com as de seu parceiro John Burnside e espalhadas no Nomenus Faerie Sanctuary em Wolf Creek, Oregon. Hay nunca foi responsabilizado por seus crimes e pelo apoio ativo que ele deu à pedofilia.

[5] Irwin Allen Ginsberg, falecido em 1997, foi um poeta e escritor estadunidense. É considerado como uma das figuras de liderança tanto da Beat Generation quando dos movimentos de contracultura subsequentes. Foi crítico da chamada repressão sexual - um dos escritores mais influentes de sua época. Seu poema "Howl" foi atacado pelo governo por descrever cenas sexuais e conter conteúdo de sodomia, algo considerado como crime nos EUA da época, sendo o próprio Irwin um homossexual. O texto incluía relatos de suas relações com seu parceiro Peter Orlovsky. Foi apoiador e membro ativo da NAMBLA, declarando que "ataques contra a NAMBLA fedem a políticas que buscam o lucro, à falta de humor, vaidade, raiva e ignorância". Ele declarou ainda: "Sou um membro da NAMBLA porque também amo garotos - todo mundo ama, todo mundo que tenha um pouco de humanidade" (citação disponível no site oficial da NAMBLA - https://www.nambla.org/ginsberg.html). Ginsberg obviamente deturpou o conceito de amor e o verbo amar, ignorando convenientemente a conotação sexual usada pela NAMBLA e tratando a questão como simplesmente nutrir um sentimento genérico de afeto por crianças do sexo masculino. Seu ensaio intitulado Thoughts on NAMBLA (Pensamentos sobre a NAMBLA) foi publicado em 1994 numa coleção chamada Deliberate Prose (Prosa Deliberada) . No texto, Ginsberg disse que "a NAMBLA é um fórum pela reforma das leis sobre sexualidade juvenil, as quais os membros [da organização] consideram como opressivas, uma sociedade de discussões e não um clube de sexo". Ele prossegue: "Me uni à NAMBLA em defesa da liberdade de expressão" (aqui, fica explícito como o slogan "liberdade de expressão" é convenientemente usado para permitir absolutamente qualquer anomalia, blindando os pedófilos e transformando-os em "guerreiros da liberdade"). Ele apareceu num documentário produzido em 1994, intitulado "Chicken Hawk: Men Who Love Boys" (Chicken Hawk: Homens que Amam Garotos) - Chickenhawk é uma gíria usada por homens gays nos EUA e na Inglaterra, designando homens gays que preferem companheiros mais jovens, abaixo ou acima de idades legais de consentimento sexual (muitos consideram o termo como uma forma pejorativa de se referir aos homossexuais, designando abuso infantil).

[6] David Thorstad, atualmente com 76 anos de idade, é um ativista político estadunidense engajado na causa pró-pederastia e em ativismo pró-pedofilia. É integrante da NAMBLA e seu fundador. Foi também presidente da New York's Gay Activistis Alliance (Aliança de Ativistas Gays de Nova Iorque). Foi ativo também em políticas de ramificações trotskistas. Por mais de seis anos, foi membro do Socialist Workers Party (Partido Socialista dos Trabalhadores) e membro da equipe de redatores do jornal esquerdista The Militant (O Militante). Ele abandonou o partido em 1973, alegando que a organização não tinha entusiasmo suficiente pela liberação gay e a falha em desenvolver uma "análise marxista materialista" sobre o tema. Em 1976, ele publicou uma coleção de documentos internos do partido relatando sua discussão sobre o movimento gay, sob o título Gay Liberation and Socialism: Documents from the Discussions on Gay Liberation Inside the Socialist Workers Party - 1970-1973 (Liberação Gay e Socialismo: Documentos das Discussões sobre Liberação Gay dentro do Partido Socialista dos Trabalhadores - 1970-1973). Em 1978, ano no qual fundou a NAMBLA, serviu como membro do Comitê de Direção do grupo até 1996. É um dos que foram processados em 2000 pela morte injustificada de um menino de dez anos, no caso de longa duração intitulado Curley v. NAMBLA, em Boston. Thorstad argumenta que a pederastia/pedofilia é o principal meio pelo qual o homossexualismo é expresso na cultura moderna e que a "histeria com o abuso infantil, que sempre tratou os homossexuais como molestadores de crianças". Ele descreve a oposição à NAMBLA como "similar àquela criada pelas feministas lésbicas que pularam no carro de som daquilo que é o pânico em relação à pornografia masculina/infantil, algo anti-gay". Ele disse que ser um pedófilo nos EUA é o equivalente a ser um judeu na Alemanha nazista (usando um fator de genocídio para causar comoção social e relação à pedofilia, jogando a retórica do vitimismo). Ele adotava as escalas e estudos de sexualidade de Kinsey. Um resumo das visões de Thorstad aparece no artigo "Man/Boy Love and the American Gay Movement" (Amor Homem/Menino e o Movimento Gay Estadunidense) , publicado na obra "Male Intergenerational Intimacy: Historical, Socio-Psychological and Legal Perspectives" (Intimidade Masculina Intergeracional: Perspectivas Históricas, Sócio-psicológicas e Legais). David continua impune por seus crimes.

[7] "Who We Are" - North American Man/Boy Love Association. Accessed 2010-08-26. https://nambla.org/welcome.html.

[8] Declaração feita na conferência que realizou a primeira parada gay em Washington, em 1979.

[9] Ver nota 2.

[10] O caso Curley versus NAMBLA foi motivado por um episódio trágico de morte de um garoto de dez anos, nos Estados Unidos, por supostos membros dessa organização pró-pedofilia. Jeffrey, um garoto de dez anos, foi sequestrado, estuprado e morto por dois homens, Salvatore Sicari, de 21 anos, e Charlie Jaynes, de 22. Os dois eram conhecidos da família e levavam o garoto para passeios. Após ter a bicicleta roubada, os dois ofereceram ao garoto uma nova bicicleta em troca de sexo. O garoto recusou e foi morto pelos dois. O processo foi movido na United States District Court for the District of Massachusetts (Côrte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts), em 2000, por Barbara e Robert Curley, pais do garoto morto, contra a NAMBLA. Os pais alegaram que os assassinos que sequestraram, violentaram e mataram seu filho foram incentivados pela NAMBLA, e exigiram uma indenização de $200 milhões como reparação de danos. A American Civil Liberties Union of Massachusetts (União Estadunidense de Liberdades Civis) representou e defendeu a NAMBLA com base na luta contra a "censura de discursos impopulares sobre sexualidade". Ela conseguiu derrotar as acusações contra a NAMBLA baseados na especificidade legal de que ela é organizada como associação, e não corporação. Os Curley continuaram a processar membros da NAMBLA individualmente. O casal desistiu do processo em 2008, porque a Côrte decidiu que a única testemunha do casal em relação ao crime não era qualificada para testemunhar. O pai militou pelo restabelecimento da pena de morte no estado, mas desistiu da ideia em 2007 e passou a se opor a isso. Livros da NAMBLA e um cartão de membro foram encontrados no carro dos dois assassinos, além de outros materiais da organização localizados no apartamento de Jaynes. Sicari foi preso por assassinato em primeiro grau e Jaynes foi preso por assassinato em segundo-frau e sequestro. Wendy Kaminer, uma executiva da ACLU, defendeu a NAMBLA no caso, argumentando que as acusações contra o grupo eram fruto duma "crítica enviesada largamente espalhada baseada numa suposta ligação entre homossexualidade e pedoflia". O caso se transformou numa proteção da comunidade homossexual contra ligações entre homossexualidade e pedofilia; estudos indicando que a maioria dos molestadores são heterossexuais apareceram. O caso foi um dos gatilhos para a divisão e separação entre a comunidade gay e a NAMBLA, gerando uma propaganda extremamente negativa para os homossexuais. Novamente, as questões de imagem e propaganda como prioridade. A NAMBLA foi submetida a inúmeras investigações e operações policiais, acusada de ligações com vários casos de abuso infantil, como o caso de Etan Patz em 1979, na cidade de Nova Iorque - caso no qual, em fevereiro de 2017, Pedro Hernandez, balconista numa bodega local, foi acusado pelo crime ocorrido em 1979 contra Etan Patz, tendo sequestrado e assassinado o garoto. Ele foi réu confesso. Alega-se que Pedro possui baixo QI e é portador de doenças mentais. O fato é que a NAMBLA continua negando relações com esses e outros crimes - e continua ativa enquanto organização. O mantra da "liberdade de expressão" sempre é usado para proteger essa organização criminosa. 

[11] Luiz Roberto de Barros Mott é historiador e antropólogo e um dos mais importantes ativistas gays do Brasil. Foi eleito um dos gays mais poderosos do mundo pela revista Wink ("Piscadela"). Estudou num Seminário Domiciano em Juiz de Fora e se formou em Ciências Sociais pela USP. Fez mestrado em Etnologia em Sorbonne, na França, e tem doutorado em Antropologia pela UNICAMP. É professor titular aposentado pelo Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia. É o fundador do Grupo Gay da Bahia, um dos principais grupos de ativismo LGBT do Brasil. Sua obra "Meu Moleque Ideal" foi bastante elogiada por pedófilos em redes virtuais. Dentre outras coisas, podemos destacar o seguinte trecho de seu texto: "No meu caso, para dizer a verdade, se pudesse escolher livremente, o que eu queria mesmo não era um 'homem' e sim um meninão. Um 'efebo' do tipo daqueles que os nobres da Grécia antiga diziam que era a coisa mais fofa e gostosa para se amar e foder" (o texto completo pode ser conferido aqui). Mott trocou mensagens mais explícitas sobre pedofilia com Leo Mendes, membro da Comissão de Articulação dos movimentos sociais do PN/Aids, e com Regina Facchini, antropóloga e vice-presidente da Parada do Orgulho Gay de SP. No e-mail, Mott e Leo tentam influenciar Regina a iniciar debates sobre aberturas legais para outras formas de sexualidade, defendendo a "diversidade de libido". O conteúdo desses e-mails trocados entre os três em 2004 pode ser conferido na íntegra no seguinte link: Advogado faz denúncia contra ativista gay.

[12] Paulo Ghiraldelli Jr. é professor e autor controverso de diversos materiais dúbios sobre pedofilia e abuso infantil, uma das temáticas mais abordadas por ele (estranhamente). Vários textos dele sobre essa temática podem ser encontrados aqui. Paulo também se envolveu numa polêmica após postar, em sua conta oficial no Twitter, mensagens onde explicitamente desejava que Rachel Sheherazade fosse estuprada (é possível conferir o material aqui). Uma de suas postagens oficiais no Facebook diz explicitamente: "PEDOFILIA NÃO é crime. As pessoas confundem, não sabem a lei. O abusador de crianças comete crime. Na nossa legislação a pedofilia é caracterizada como doença - corretamente. Até porque o pedófilo raramente é abusador sexual. Os abusadores sexuais raramente são pedófilos. Distinguir isso é um sinal de ter uma escolarização boa, não distinguir é sinal de desconhecimento do Código Penal, que está na net. Ou seja, é burrice." A postagem original pode ser conferida aqui


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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 e a pós-humanidade

Por: Idelmino R. Neto



Blade Runner 2049 é a sequência direta do original de Ridley Scott, desta vez arquitetado pelo prodígio Denis Villeneuve ("Os Suspeitos", "Sicário: Terra de Ninguém"). O longa narra a jornada de K (Ryan Gosling), um replicante de geração nova (leia-se: incapaz de rebelar-se contra os criadores) cujo ganha-pão é perseguir e tirar de circulação replicantes defeituosos (um Blade Runner).


As atuações encantam, com destaque para Gosling dando expressão ao golem que lentamente logra consciência e trava a peleja interna com os próprios sentimentos, e Jared Leto (Niander Wallace), o "vilão" que promove atos execráveis por um ideal nobre.



A trilha sonora emula magistralmente a tonalidade do clássico de 1982, enquanto a estética relata a desgraça de um mundo onde as corporações engoliram o Estado. Não há mais tradição, cultura ou ethos, as cidades transmutaram-se num amontoado de edificações cinzentas e conglomerados fabris expelindo fumaça, revestidas aqui e acolá por anúncios de quinquilharias tecnológicas em neon.


A chuva, quase onipresente, assomada à coloração sépia da fotografia, esboça a aridez espiritual. Além disso, o roteiro expande o debate filosófico acerca do Ser trazido pelo predecessor, tocando em outros pontos sensíveis, dentre eles guerra de classes e o ímpeto que guia a vontade humana.


Como nem tudo são rosas, a narrativa peca pelo excesso de pancadaria em determinadas cenas, atentando diretamente contra a imersão e o tom neonoir da obra. Destarte, a personagem Luv (Sylvia Hoeks) é extremamente forçada, inverossímil e destoante do universo construído.



"Blade Runner 2049" faz jus (ao menos na maioria do tempo) ao material que o antecedeu e é uma grata surpresa na era dos iconoclastas cinematográficos.



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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Modernidade: um conceito ocidental

Por: Rafael Scovino







Todos os povos do mundo entendem a noção de modernidade como um desenvolvimento da técnica, das forças produtivas. No Ocidente, porém, este conceito ganha um arcabouço mais extenso, com base na noção de "progresso" que se atrela ao desenvolvimento da técnica e a uma mudança de valores, mentalidade e modo de vida na sociedade.


Enquanto que, para outros povos, o desenvolvimento da técnica é um instrumento a serviço de valores maiores (como sua organização político-social, cultura, identidade, modo de vida, as próprias pessoas e sua noção de sagrado), para o Ocidente, a técnica passou a pautar todo o restante, criando uma nova cultura, modo de vida, uma nova mentalidade e cosmologia, algo impossível sem a noção de progresso, sem a falsa noção "de que toda a noção civilizatória anterior era um atraso, selvageria, barbarismo" a ser substituída "por um novo tipo de ser humano, um novo pensamento, uma nova essência", ou seja - pela modernidade como "símbolo de um novo tempo".

Essa "modernidade ocidental" condensou "o espírito da burguesia" que se legitimou no desenvolvimento da técnica para moldar toda a sociedade. Os conceitos de indivíduo, liberdades, direitos e deveres, mercados, mão de obra, consumidor, encontrou na modernidade "um mantra de legitimidade".

Não a toa, no Ocidente de hoje, tanto direita como esquerda, mesmo trabalhistas, nacionalistas e até parcelas do conservadorismo, todos têm como centro de suas posições "a modernidade contra o atraso". Algo que o colonialismo, o imperialismo e a globalização liberal buscam impor como realidade, mas que não pertence ao entendimento da maioria dos outros povos e civilizações do mundo.

Para os indígenas, as civilizações pré-colombianas da América, a "dita modernidade" é sinônimo de uma invasão que destruiu seus valores, modo de vida e organização coletiva, do massacre e martírio de milhões, ou de sua exploração nas "encomiendas hispânicas", dos traumas em lidar com uma cultura completamente distinta, "a do homem branco", enquanto ele avançava sob suas terras ancestrais. Para tais a "modernidade" tem o significado de "profanação".

Para os africanos, os sub-saarianos, esta "modernidade" foi sinônimo de divisão, as potências ultramarinas que incentivavam os conflitos tribais para ganhar entrepostos comerciais, aliados e consumidores, instrumentos para expansão contra outros povos locais, por fim um grande fornecedor de mão de obra sob a chaga da escravidão colonial.

Para muitos africanos, a modernidade é a saudade de casa, é a retirada de suas terras, é a perda de suas referências, de uma parte de si mesmo. Isso independente do nível de integração que possa ter se concretizado nas diversas nações em que se estabeleceram.

Para os povos orientais, especialmente os chineses, japoneses e coreanos, a "dita modernidade" trazida pelos europeus era um ato de desonra e agressão, vinham com uma técnica desenvolvida, porém com traços culturais pobres, loteando seus territórios e exigindo tributos de civilizações milenares e orgulhosas. 

Com o tempo, eles buscaram sintetizar essa evolução da técnica com sua identidade e traçar seus próprios caminhos, até mesmo para refrear as ameaças de europeus e norte-americanos (alguns com maior, outros com menor sorte). Para muitos orientais, a modernidade foi o trauma de um desenvolvimento da técnica forçado para resistir a dominação.

Para os indianos a "dita modernidade" tem a face da dominação britânica e todas as mazelas que com ela advieram, assim como uma ascensão dos impuros contra as antigas ordens sagradas. A modernidade é a impureza.

Os povos islâmicos conviveram mais próximos das mudanças de paradigma no Ocidente, vivenciaram mais de perto "o fenômeno da modernidade" e até contribuíram para o desenvolvimento da técnica e do conhecimento que levou as nações europeias a este estágio. Estes entendem a "dita modernidade" como uma perda.

Entendem e aplicam o desenvolvimento da técnica, o prazer pelo conhecimento, ciências e filosofia durante séculos, inclusive ajudando os europeus a resgatá-los; porém, jamais os entenderam como um fim em si mesmo: eram meios para valores maiores que deveriam estar a serviço da civilização, seus valores, modo de vida e acima de tudo, da religião, de sua noção de sagrado.

Essa noção é ainda muito mais forte no mundo islâmico do que no Ocidente que desenvolveu a técnica, mas perdeu seus valores, perdeu coisas muito mais preciosas. Não a toa, até pela proximidade geográfica e o intercâmbio cultural, a crítica islâmica é bastante similar a crítica católica à modernidade.

A crítica católica representa um rechaço do Ocidente clássico, do mundo cristão aos ditames da modernidade que cresciam espalhando "o espírito da burguesia" pela Europa. O catolicismo também afirma que a "dita modernidade" desenvolveu a técnica, ampliou esferas de conhecimento, mas também culminou na perda de valores, de conceitos, da solidariedade, de tudo o que constituiu as bases de unidade e organização da Europa ,desde Roma.

A própria noção de tempo foi alterada, do eterno para o momento, o sagrado desdenhado, as hierarquias subvertidas, a usura e a ganância substituíram o sustento e a família como bases da economia. Para o catolicismo, a noção de modernidade embasada pelo Ocidente é certamente uma heresia.

Apesar de imersa neste desenvolvimento, a Igreja Católica travou e ainda trava grandes embates com "o paradigma da modernidade". Mesmo os que guardam sementes, simpatias ao antigo paganismo na Europa, também enxergam a modernidade como "uma perda de essência e valores", como um vazio materialista. O próprio protestantismo veio emergir "uma ética de trabalho e vida" como resposta "a um vazio moral" nascente nas sociedades modernas.

O conceito de modernidade saído do espírito burguês, do mito do progresso, do materialismo, da esfera mercado-consumo como base da existência, culminando em vertentes como um puritanismo religioso e um hedonismo cultural são oriundos de um determinado período histórico, em certo território, sob condições específicas.

Esse conceito, que busca ser imposto a toda humanidade, é incompreensível e absurdo para a grande maioria dos povos e culturas que não compreendem aonde o desenvolvimento da técnica coincide com um abandono de todos os demais conceitos e valores.

A modernidade é artificial, uma invenção saída de um Ocidente sob ascensão da burguesia e instrumentalizado a seu favor contra outros povos - no colonialismo, no imperialismo e, hoje, na globalização.

É a nova roupagem "da missão civilizatória", só que sem valores, a não ser os de mercado.


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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Dona Regina contra a Mídia

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Dona Regina, uma mulher que, sozinha, mostrou mais dignidade, ética e honra do que toda uma emissora e seus "artistas"


“Estou acompanhando sim, mas não importa nem o que eu nem o que outras pessoas pensam. Só acho que todo mundo deveria votar com consciência. Celebridades deveriam apenas calar a boca e não dizer às pessoas como pensar. Repito, celebridades não deveriam dizer às pessoas o que elas acham disso, porque as pessoas irão votar [...] só porque alguém famoso falou. Não à toa os políticos usam celebridades em suas campanhas”
Gene Simmons, (vocalista da banda Kiss)




O caso recente ocorrido durante uma das exibições do programa "Encontro" ilustra bastante o caráter anti-povo e de hostilidade completa da mídia de massas em relação às próprias massas. Dona Regina, uma senhora simpática que ilustra bem as avós típicas, uma senhora com cabelos brancos e com uma sabedoria quase que inerente à velhice, foi claramente hostilizada pela casta de artistas presente no programa.

Há aí um dualismo que precisa ser pensado: os artistas (o imediatismo, a metrópole, o cosmopolitismo, o niilismo, o tecnicismo, o pós-humanismo, o desenraizamento) versus a senhora (o campo, a tradição, os valores, as raízes, a humanidade, a sabedoria). Na exibição, a hostilidade contra o "ontem" (a velhinha) ficou nítida: ela precisa ser aniquilada e dar espaço ao "novo", ou seja, o conjunto de valores do establishment cosmoliberal, o politicamente correto, aquilo que a mídia determina como aceitável e inaceitável.

É um jogo sempre bem armado: a postura e os gestos de deboche, a linguagem corporal provocativa e o jogo retórico dos artistas que, em todo o momento, deixam nítido o desprezo pela senhora como intelectual e culturalmente inferior, são seguidos de fraseologias sem sentido algum e máximas como "precisamos debater", "todos devem expressar suas ideias" e "o debate tem que ser aberto". Essas frases dão o sentido de neutralidade e imparcialidade falsos tão necessários à manutenção da atividade midiática.

Mas o que ficou bem claro é que há ideias que não devem ser expressas. Principalmente as ideias "retrógradas" de uma velha ultrapassada que não consegue aderir à modernidade, ao pensamento "evoluído". Uma velha que "não entende de arte" e que "não entende de nudez". Uma velha "maliciosa, que vê maldade em algo simples". Há ideias que devem ser ridicularizadas com o escárnio, a ironia e o sarcasmo duma escória artística que, nascida ontem, acredita ser porta-voz da verdade.

É exatamente por isso que admiramos dona Regina, a senhora simpática que foi visivelmente desrespeitada nesse programa. A senhora que conta com a hostilidade dum esquerdismo que mostra diariamente de que lado está, defendendo a elite artística, as mídias de massa e os bancos sempre que isso apresenta alguma ofensa contra a moralidade do povo. 

Uma senhorinha que representa um Brasil ainda existente e que, sem dúvidas, vale mais do que toda a casta "artística", uma casta essencialmente hostil a qualquer coisa popular, cujo papel máximo é servir como caixa de ressonância do cosmopolitismo e aniquilar qualquer Brasil real.

É preciso perceber o caráter sempre deletério dessa pseudo-elite artística e intelectual que permeia as mídias de massas. Suas opiniões, ideias e propagandas jamais são pautadas em valores reais e numa moralidade saudável. São sempre a destruição de elementos populares e sua substituição por valores totalmente alheios, negativos e pós-humanos. 

A participação dessa classe "artística" nas questões políticas é essencialmente negativa. Reduzir as opiniões dessa casta àquilo que elas são, inutilidade completa, é um passo civilizacional básico. O ostracismo é o máximo que essa casta deve receber.

Admiramos dona Regina, uma mulher que, sozinha, conseguiu apresentar mais dignidade e ética do que toda uma emissora e toda uma corja que, unida numa tentativa fracassada de deboche, só demonstrou seu caráter real: o ódio a qualquer traço de moralidade e ética popular.

Dona Regina simboliza os valores de um povo que constrói e mantem todo um país, toda uma civilização. A afetação dos "artistas" no programa é a representação máxima de uma casta parasitária sem valores, sem papel civilizacional e cuja máxima consiste em aniquilar toda a existência efetivamente autóctone e tradicional. Nesse dualismo, a senhorinha de cabelos brancos representa um conjunto de virtudes. 

O outro lado é um abismo profundo. É bastante óbvio que, nesse enfrentamento, a senhorinha recebe toda nossa simpatia. A mídia e seus "cultos", para nós, são escória pura e simples.

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Donald Trump, o massacre em Los Angeles e a política desarmamentista

Por: Jean A. G. S. Carvalho

Donald Trump se recusou a reforçar o discurso contra as armas

O recente massacre ocorrido em Las Vegas no último domingo, com mais de 50 mortos e quinhentos feridos, deu novo destaque ao debate sobre o controle de armas nos Estados Unidos. Steppen Paddock, aparentemente um homem normal (segundo depoimentos de amigos e familiares), provocou o maior massacre com armas de fogo na história dos EUA, superando a tragédia na boate de Orlando.
O efeito psicológico do morticínio foi grande: campanhas pedindo pela proibição dos armamentos ganharam ainda mais reforço e apelo sentimental. Entretanto, não há unanimidade sobre a questão, e a defesa do acesso às armas também ganhou uma nova tônica. E, em cima desse efeito psicológico, o discurso mais fácil para a resolução do problema ganhou mais força - para evitar mortes com armas, basta proibir ou restringir o acesso às armas.
Mas a questão é bem mais complexado que isso. Há tanto acesso às armas na Somália quanto nos EUA, e o segundo país é bem menos violento do que o primeiro; há bastante controle de armas em certos países da Europa, e os índices de violência nesses países (como Suíça) são bem menores do que os índices estadunidenses. Assim, basear toda uma política de segurança pública em simplesmente banir ou ampliar o acesso às armas é algo bastante vago.
Informado do massacre pelo chefe de gabinete John Kelly, a visita de Trump à cidade de Las Vegas foi adiada por conta de suas viagens a Porto Rico, nas localidades afetadas pelas ondas de tornados e furacões. Trump também recebeu informações esporádicas de Tom Bossert, assessor de segurança interna.
Segundo uma notícia publicada pela rede ABC News, longe de adotar o discurso em defesa do controle de armas, Trump preferiu elogiar a reação dos policiais, o trabalho das equipes médicas que atenderam as vítimas do tiroteio e as autoridades que assumiram suas responsabilidades. E ele foi fortemente criticado por isso.
Entretanto, nos EUA, há vários grupos que reforçam o discurso do presidente. Dentre elas, há o destaque para a National Rifle Association (Associação Nacional do Rifle), uma organização que defende com veemência os princípios da Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
A Segunda Emenda defende o direito de acesso às armas aos cidadãos estadunidenses e foi incorporada à Declaração de Direitos dos EUA em 15 de dezembro de 1791, quinze anos após a independência do país.
Porém, Segundo a Suprema Corte dos EUA, a emenda não elimina a possibilidade de se criar legislações de controle sobre armas de fogo e dispositivos similares (como de fato ocorre em vários estados no país, como Alabama, Alaska, Arizona e Colorado).
Os Estados Unidos são o país com mais armas no mundo. De acordo com dados divulgados pelo Congressional Research Service (Serviço de Pesquisa do Congresso), há 112 armas para cada 100 habitantes no país, somando um total de mais de 300 milhões de armamentos.
Há 5.56 homicídios para cada cem mil habitantes nos EUA, segundo informações divulgadas pelo site World Life Expetancy (Expectativa de Vida Mundial), com dados atualizados para 2017.
Ocupando a 85ª posição no ranking global de violência, o país está longe do topo (o Brasil está na 13ª posição, com uma taxa de 30.53 homicídios para cada cem mil habitantes – e possui uma forte política de desarmamento), mas os números ainda são preocupantes: só no ano de 2010, os números de crianças e jovens mortos por armas nos Estados Unidos superaram em quase cinco vezes a quantidade de soldados mortos em combates nesse mesmo ano.
Segundo dados do mesmo site, estados com forte controle de armas também ocupam o topo do ranking de criminalidade nos EUA, como é o caso do Alabama, o 4º estado mais violento do país, com 8.1 homicídios para cada cem mil habitantes. A capital do país, Washington, com uma legislação moderada, está no topo do ranking: 13.7 homicídios para cada cem mil habitantes.
A discussão sobre a segurança pública é mais complexa do que simplesmente permitir ou proibir armas: a diminuição da violência não é efetivada pelo simples acesso às armas, nem pelas simples política de desarmamento.
Trump deve buscar soluções mais efetivas e definitivamente será impossível escapar de um debate tão acirrado. Enquanto o presidente faz declarações mais vagas, os lados que defendem e atacam as armas radicalizam seus discursos.


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